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PERFIS DE SUCESSO// DEYSE GOMES GONçALVES »

Receita de qualidade

À frente de restaurante no Sudoeste, empresária usa temperos de família em almoços simples e saborosos

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postado em 21/07/2014 10:08

Ana Paula Lisboa

 (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press) 


Desde que abriu as portas, há cinco anos, o Marco 303 tem ganhado clientes assíduos que fazem questão das refeições caseiras do local. Entre as opções para se servir, estão cinco tipos de carne, pelo menos uma massa, arroz integral e tradicional, feijão carioca e preto e boa variedade de saladas, com legumes, verduras e grãos. No sábado, há ainda feijoada e pudim de sobremesa. Segundo a proprietária, Deyse Gomes Gonçalves, 42 anos, o segredo para agradar é o tempero leve, mas saboroso, associado a um preço justo. “As pessoas enjoam de comer fora porque a comida tem um gosto artificial e padronizado. Aqui, o sabor é o mesmo da casa da gente. Crianças, idosos, famílias inteiras têm costume de almoçar aqui”, explica a proprietária.

O movimento do Marco 303 começou morno, mas, hoje com 14 funcionárias, o self-service atende cerca de 200 pessoas por almoço. “Há muita concorrência na região e, no primeiro ano, não houve lucro. Tive que insistir para que os ganhos começassem a empatar com os gastos. Cheguei a investir em panfletagem, mas percebi que a melhor propaganda é o boca a boca. Era preciso esperar que as pessoas conhecessem o lugar”, lembra. Por ficar escondido, mais no fundo da Quadra 303 do Sudoeste, demorou um pouco. “Com o tempo, várias pessoas começaram a frequentar o restaurante por indicação de outros clientes, e começamos a criar uma tradição”, diz.

Delícias mineiras
O tempero é herança da família de Deyse, natural de Barbacena (MG). “Aprendi a cozinhar com a minha mãe e mantive esse modo de preparo aqui”, esclarece. Para que a alta rotatividade de funcionários não atinja os pratos, a empresária se encarrega dos condimentos das refeições. “Todas as manhãs, preparo o tempero a ser usado. Mesmo que outra pessoa assuma a cozinha, os clientes não vão notar a diferença por causa disso.” Para o caso de algum imprevisto ou falta de empregado, Deyse está pronta para fazer de tudo: cozinhar, limpar, administrar, cuidar do caixa. “Isso é importante porque é difícil encontrar mão de obra qualificada”, queixa-se.

Os ingredientes frescos são, em grande parte, comprados de fornecedores da Central de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa-DF). “Não usamos nada para acelerar o cozimento ou conservar os alimentos. Também não usamos amaciante na carne: ela é de primeira”, garante. O primeiro teste de qualidade da comida é feito por Deyse. “Eu como mais cedo, por volta das 11h15. Depois, passo o horário de almoço todo no caixa.” O marido e o filho também são fiscais por ali. “Eles servem para checar se está tudo certo.”

A prova de todo esse cuidado está no sabor dos cerca de 12kg de carne bovina, 10kg de carne de frango e 8kg de peixe servidos diariamente. Os almoços são oferecidos das 11h30 às 14h30 e, independentemente do horário, os clientes encontram a mesma qualidade. “Não fazemos a comida cedo e a deixamos ali requentando, como é prática em muitos self-services. Aqui, a cozinha não para, e os alimentos vão sendo feitos e repostos de acordo com o movimento. Tem muita gente que vem às 14h30 e se espanta por encontrar um almoço bem-servido e fresco”, conta.

O olho da dona

O estabelecimento abre de segunda a sábado, mas não faltam pedidos para que o funcionamento seja estendido. “Não tem uma semana que passe sem eu escutar algum cliente pedindo que o restaurante abra no domingo também. Alguns, que comem aqui todo santo dia, chegam a levar marmita para casa para comer nesse dia.”, explica a proprietária. O primeiro dia da semana, porém, é o único que sobra para que Deyse possa descansar. “De segunda a sábado, chego às 8h30 e saio às 16h30. Domingo é quando tenho tempo para caminhar e até para comer fora, já que cozinho todos os dias”, esclarece.

“Como diz o ditado, o olho do dono é o que engorda o gado. Monitoro tudo, vejo se as empregadas estão atendendo bem aos clientes, controlo toda a qualidade... Essa presença constante vale muito à pena”, percebe. “Se eu não estou por aqui, os clientes sentem minha falta e perguntam por mim.” Sugestões, críticas e elogios são bem-vindos ali, e a maior recompensa para Deyse é o reconhecimento. “Ver a minha comida ser elogiada todos os dias é muito gratificante”, orgulha-se.

A proximidade entre casa e trabalho é ideal para a empresária e foi também o que a estimulou a empreender. “Tenho formação de orientadora educacional, mas nunca trabalhei na área. Eu me dediquei à criação do meu filho e decidi que queria fazer algo a mais. Observando o movimento na vizinhança, percebi essa oportunidade”, lembra. Antes de abrir o Marco 303, Deyse chegou a fazer bombons para vender, mas a “comidinha de casa” é o seu forte. “Persistência, foco na qualidade, higiene, acompanhar tudo de perto e não deixar a qualidade cair: essa é nossa fórmula de sucesso”, indica.

“Persistência, foco na qualidade, higiene, acompanhar tudo de perto e não deixar a qualidade cair: essa é nossa fórmula de sucesso”

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