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Com toda a pompa e circunstância

Com nova lei, profissão de mestre de cerimônia deve ser regulamentada. Atividade vai além da organização de eventos

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postado em 21/07/2014 10:13

Sheila acredita que o projeto estimulará o profissionalismo (Bruno Peres/CB/D.A Press ) 
Sheila acredita que o projeto estimulará o profissionalismo


O Projeto de Lei nº 512/2013, do senador Mário Couto (PSDB-PA) está pronto para ser votado na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado. A proposta reconhece como profissão as atividades de mestre de cerimônia e recebeu parecer favorável do relator Cícero Lucena (PSDB-PB), que adicionou emenda ao projeto para garantir que a ocupação não seja apenas reconhecida, mas também regulamentada. Segundo a emenda, seria necessário concluir o ensino médio e um curso profissionalizante com pelo menos 60 horas de duração para exercer a profissão.

Marcada por competências específicas, a profissão exige conhecimento dos diversos protocolos ligados a eventos governamentais, empresariais ou sociais e demanda que o profissional conduza a cerimônia com etiqueta e formalidade para representar a organização contratante. Segundo Lícia Egger-Moellwald, autora de livros na área, o mestre de cerimônias tem que cumprir protocolos, ou seja, os conjuntos de normas que formalizam a hierarquia e a deferência entre as autoridades presentes. “Esse profissional está na linha de frente dos acontecimentos. Não no papel principal, mas na função de receber e orientar as pessoas que são foco do evento”, esclarece.

Reconhecimento
Sheila Borges, 55 anos, conhece de perto esse desafio. Ela trabalha como mestre de cerimônias desde a década de 1990 e conduziu cerimônias de empresas e de órgãos governamentais. Para Sheila, o reconhecimento é fundamental para valorizar a categoria e garantir que a função seja exercida por profissionais qualificados. “Muita gente sem capacitação para ser mestre de cerimônias se coloca como tal porque acha que tem uma voz bonita e acaba atrapalhando todo o trabalho de um órgão público ou de uma empresa, além de prejudicar a imagem de quem é mestre de cerimônias e estuda realmente para isso”, enfatiza.

Outra dificuldade é a insegurança sobre o pagamento e outros compromissos por parte do contratante. Mesmo com vasta experiência na área e tendo conduzido mais de 300 cerimônias, Carlos Brant Júnior, 31 anos, dirigente da Câmara Nacional de Mestres de Cerimônias do Sindicato dos Cerimonialistas e Mestres de Cerimônia do Brasil (SINCMC), passa por esse problema. “Muita empresa dá calote ou atrasa. Eu já levei seis meses para receber um pagamento. Com o reconhecimento, o sindicato pode agir se o contratante não pagar, não respeitar o horário ou não definir hora extra, por exemplo.”

Mais horas de estudo
O presidente do SINCMC, Marcelo Pinheiro, se preocupa com a possível desorganização do mercado e a descaracterização da profissão caso a regulamentação não seja aprimorada. “Há mais de 20 mil mestres de cerimônia em todo o país, que não podem ser confundidos com outros profissionais da voz, como locutores e apresentadores, que não estão qualificados para exercer a profissão”, avalia.

De acordo com o professor Jailson Guimarães Pinheiro, que ministra cursos na área de oratória e cerimonial no Instituto Sólida, as condições propostas pelo PL para exercer a profissão são insuficientes. “O ideal seria exigir do profissional, no mínimo, 240 horas de curso técnico. Com 60 horas, dá para fazer apenas um curso de oratória”, explica.

Que mico!
Marcelo Pinheiro, presidente do Sindicato dos Cerimonialistas e Mestres de Cerimônia do Brasil  (SINCMC), recorda algumas gafes famosas cometidas por pessoas que não tinham capacitação técnica na área de cerimonial.

Veta, Dilma
A solenidade de entrega de título de doutor honoris causa, no Rio de Janeiro, ao ex-presidente Lula, em maio de 2012, foi conduzida pela atriz Camila Pitanga. À época, o novo código florestal brasileiro seria apreciado pela presidente Dilma Rousseff. Antes de introduzir a fala da presidente, a atriz tomou a liberdade de fazer um pedido: “Veta, Dilma!”. Um mestre de cerimônias nunca toma a liberdade de se dirigir dessa forma a uma chefe de estado.

Levantem-se

Durante jogos da Copa do Mundo de 2014, o profissional que conduzia os eventos pedia que as pessoas se levantassem no momento da execução dos hinos nacionais. “Estamos na era da acessibilidade, e p essoas com deficiência não podem se levantar, mas podem ter uma atitude de respeito sem passar por esse constrangimento”, esclarece Marcelo Pinheiro.

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