SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

CAPACITAÇÃO »

Na ponta da língua

A necessidade de aprender idiomas é o legado deixado pelos estrangeiros que vieram ao Brasil durante a Copa. Para especialistas, quem ainda não fala outra língua pode ficar para trás

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 21/07/2014 10:13

Juliana Espanhol

Carlos Augusto fez um curso de inglês específico para orientar melhor os estrangeiros (Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press  ) 
Carlos Augusto fez um curso de inglês específico para orientar melhor os estrangeiros


Se depender dos turistas, o aprendizado de um segundo idioma continuará cada vez mais importante para os empregados dos setores hoteleiro e comercial. De acordo com o Ministério do Turismo, mais de um milhão de visitantes de 203 nacionalidades passaram pelo país durante o Mundial — dos quais 95% pretendem voltar no futuro.

Em nota, o ministro do Turismo, Vinicius Lage, garante que o ministério vai trabalhar para que os turistas retornem ao país. “O Brasil se mostrou preparado para sediar um evento desse porte. Agora temos o desafio de transformar o interesse de estrangeiros em negócios e benefícios para a população, com a geração de emprego e renda,” afirma. Em 2016, o país sedia as Olimpíadas, o que deve atrair nova leva de visitantes.

O inglês, língua mais falada no mundo depois do mandarim, é uma boa opção de investimento para profissionais que desejam incrementar o currículo. De acordo com Emmily Mathias, consultora e sócia da empresa de recursos humanos Insight, quem ainda não começou a estudar uma segunda língua pode acabar ficando para trás. “A Copa mostrou o Brasil e Brasília para o exterior, então, é bastante provável que o número de turistas aumente. Quem ainda não está preparado está perdendo tempo. Não tem como crescer nessa área falando só português. Até mesmo o espanhol, que é mais fácil de entender para os brasileiros, tem suas especificidades e também merece ser estudado”, opina.

 

A camareira Virgína passou por formações gratuitas: essencial para o trabalho num hotel (Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press) 
A camareira Virgína passou por formações gratuitas: essencial para o trabalho num hotel

 

Criatividade
Mesmo cara a cara, a tecnologia ajudou pessoas como a vendedora Michele Serafim, 21 anos. “Algumas vezes, tive de usar o tradutor automático da internet. O cliente escrevia a pergunta, eu respondia por escrito e assim prosseguia o atendimento.” Ela, que trabalha num quiosque de cervejas importadas de um shopping próximo ao Setor Hoteleiro Norte e ao estádio Mané Garricha, atendeu muitos estrangeiros no último mês, mesmo sem ter estudado inglês anteriormente.

Michele ressalta, no entanto, que a maior parte dos atendimentos aos visitantes internacionais foi feita pelo patrão, que sabe falar inglês. Além disso, o próprio centro comercial se preparou, colocando alguns tradutores à disposição para auxiliar os vendedores. “É importante saber falar outras línguas porque Brasília é uma cidade turística e aqui sempre aparecem muitos estrangeiros procurando as cervejas dos próprios países”, constata.

Treinamento

A atendente Quétle Ribeiro, 25 anos, diz que muitos turistas falavam algumas palavras em português, o que facilita o atendimento. Ela é empregada em uma loja especializada em iogurte gelado no mesmo shopping. Antes, trabalhava numa unidade localizada no aeroporto e, por meio do contato com turistas, tomou a iniciativa de decorar os nomes dos sabores do iogurte em inglês. “No aeroporto, tinha muito mais estrangeiros, então acabei aprendendo os nomes para me virar melhor.”

Já o recepcionista Cleilto Gomes, 26 anos, fez curso de inglês até o ano passado, mas diz que a falta de prática complicou um pouco o apoio aos turistas. “Com meu inglês, eu consigo entender se as pessoas estão procurando o banheiro ou a praça de alimentação. Quando não entendia mesmo, aí eu procurava os tradutores”, afirma.

Quem passou por curso preparatório de idiomas se sentiu um pouco mais à vontade para lidar com os visitantes. Esse foi o caso do militar Carlos Augusto Nascimento, 42 anos, que fez um curso de inglês específico para a Copa no câmpus Estrutural do Instituto Federal de Brasília (IFB). Durante um ano, as aulas ofereceram noções básicas da língua aplicadas especialmente ao ramo de hotelaria, restaurantes e atendimento.

“O curso me ajudou a entender o que os turistas estavam procurando, só tive um pouco de dificuldade para me expressar”, diz Carlos. Ele fez serviço de patrulha em diversos pontos turísticos da cidade durante o Mundial, incluindo os arredores do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, a Torre de TV e a Catedral. E os colegas que não passaram pelo treinamento? “Eles ficaram um pouco perdidos”, brinca.

Para a camareira Virgínia Nascimento, 44 anos, esposa de Carlos Augusto, o curso serve como ponto de partida para quem se interessa em aprender mais sobre o idioma. “Você consegue entender o que as pessoas estão falando, sem se aprofundar. É um pontapé inicial”, diz. Ela fez outros cursos gratuitos de formação profissional e aprova a iniciativa. “Acho que os responsáveis pelos cursos só pecam na divulgação... Mas acredito que isso vai ser bom para o meu currículo porque o curso é de qualidade”, prevê.

Para não se enrolar
Confira dicas do professor Elvio Peralta, superintendente da Fundação Fisk

O básico para um bom atendimento

Cada contexto — hotelaria, gastronomia, vendas ou transporte — oferece, pelo menos, uma dúzia de frases prontas para atendimento. Quando falamos em inglês “receptivo”, a primeira frase que alguém deve saber é, sem dúvidas, “May I help you?” Outras frases importantes dependerão da área de atuação do profissional. De um modo geral, as pessoas devem ser capazes de responder a perguntas relacionadas a preços e valores (How much is...?), direções e localizações (How do I get to...? / Where is...?), horários (What time is...?), descrições de produtos (What is...?) e informações em geral (How can I...?).

Aprenda de graça
Confira opções de cursos gratuitos, sites e aplicativos para estudar por conta própria

Instituto Federal de Brasília (IFB)

O IFB oferece cursos gratuitos de inglês de curta duração em câmpus em Brasília, Ceilândia, Estrutural, Gama, Planaltina, Riacho Fundo, Samambaia, São Sebastião, Taguatinga e Taguatinga Centro. Por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), há a opção de inglês aplicado a serviços turísticos. Os interessados devem acessar o site www.ifb.edu.br ou ligar para (61) 2103-2154.

British Council
A organização oferece materiais de aprendizagem gratuitos. O conteúdo, disponível apenas em inglês, inclui jogos, vídeos e materiais de áudio. O aluno pode acessar o material também por meio de celular ou tablet. Outras informações em www.britishcouncil.org.br.

Duolingo
O aplicativo oferece ensino de língua inglesa de forma divertida. Como num jogo, o aluno deve passar por fases para avançar a cada lição de gramática e vocabulário. É possível também treinar a pronúncia do idioma usando o microfone do celular. Saiba mais em www.duolingo.com.

Livemocha
A rede social serve para trocar conhecimento sobre idiomas. Os usuários aprendem por meio de vídeos, além de dicas e comentários. Atualmente o site oferece ensino de 35 idiomas. Acesse em www.livemocha.com.

Visitantes
1.015.035

Quantidade de turistas de 203 países que passaram pelo Brasil durante a Copa


Quase unânime
95%

Percentual dos turistas internacionais que têm intenção de voltar ao país

Tags:

publicidade

publicidade