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Guia do trainee

Programas de treinamento ajudam a começar a carreira com o pé direito. Veja as dicas de quem chegou lá e confira seleções abertas

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postado em 11/08/2014 10:05 / atualizado em 11/08/2014 14:46

Ana Paula Lisboa

Terminar a faculdade e disparar currículos pode garantir empregabilidade, mas nem sempre com salário compatível com o mercado ou chances palpáveis de crescimento. É por isso que muitos jovens apostam nos processos seletivos de trainee. Eles costumam ser mais concorridos, mas abrem portas para construir uma carreira sólida, normalmente, numa empresa de grande porte. De acordo com Kleber Piedade, diretor da Seja Trainee, consultoria de preparação para candidatos, a concorrência média de cada processo é de mil por vaga — superior aos mais disputados vestibulares de medicina.

A região da capital federal ainda não tem grande representatividade nas seleções (veja quadro), mas pode começar a ter. “De acordo com uma pesquisa que fizemos com mais de 813 candidatos que chegaram, pelo menos, até a fase da dinâmica de grupo, apenas 1% dos concorrentes são do Distrito Federal, onde os profissionais são focados em concursos públicos. Eles precisam perceber que o trainee também é uma opção interessante”, diz. Quem escolhe esse caminho, porém, pode precisar mudar de cidade. “Disponibilidade para mudanças e viagens é fundamental.”

Para passar, os recém-formados precisam ter experiências diferenciadas no currículo. “As empresas não querem aqueles que apenas fizeram o curso, mas pessoas que se envolveram com causas e projetos”, observa. Para Piedade, uma grande vantagem dos programas de trainee é a possibilidade de melhorar a formação de jovens inexperientes.

A especialista em RH Julia Antipoff, coordenadora do Programa de Trainee da Empresa Brasileira de Compressores (Embraco), informa que o perfil procurado pelo grupo é dinâmico. “Queremos pessoas ousadas, questionadoras, que mexam com a companhia. O objetivo do programa é formar os nossos líderes do futuro”, explica. Márcia Costa, vice-presidente de RH da C&A, acredita que “o programa de trainee é um convite para o jovem desenvolver sua carreira e aprender sobre as relações de trabalho e os negócios.”

Para Eline Kullock, especialista em conflitos de gerações, “os jovens da geração Y mudam com frequência de emprego. O candidato tem que ter em mente que as empresas querem gente para ficar por mais que dois anos. Se essa for uma vontade verdadeira, demonstre-a durante o processo seletivo.”

Passo a passo
Inscrição
Não se inscreva para todos os processos seletivos que aparecerem. Escolha empresas com as quais você se identifica e para as quais atende todos os pré-requisitos.

Dinâmica
Não se deixe paralisar pelo medo, mas também não alugue o microfone. Na hora da resolução do case, não importa tanto se você sugeriu a melhor solução. O que está em jogo é se você é capaz de ouvir e liderar.

Entrevista
Seja você mesmo. Não adianta tentar disfarçar: a maneira como você de fato é vai transparecer. É interessante fazer perguntas, mas não qualquer uma. Não pega bem se a única pergunta que você fizer é “em quanto tempo vou ser promovido?”

Entrevista por Skype

Antes de a entrevista começar, teste o equipamento, procure um local sem ruído e onde você não seja importunado. Leia sobre a empresa e relembre seu próprio currículo para não se esquecer de abordar algum aspecto importante da sua vivência.

Painel com os diretores
Esse é o momento em que estão sendo avaliadas capacidades como liderança, flexibilidade, boa comunicação, bom humor e saber ouvir. Para se preparar, pesquise sobre o mercado da empresa.

Após a aprovação
Durante o treinamento, seja curioso, tenha interesse pelas atividades da empresa como um todo e não apenas pela sua área.

Reprovação
O processo seletivo é uma via de mão dupla: se você não se classificou para uma empresa talvez ela também não tivesse a ver com você. A frustração faz parte da vida, e é válido usar o feedback recebido para melhorar.

Perfis de trainees / De iniciantes a experts

Um mundo novo

 (Oswaldo Reis/Esp. CB/D.A Press ) 


Felipe Amado , 24 anos, engenheiro mecânico pela Universidade de Brasília (UnB), candidatou-se a 15 processos seletivos de trainee
“No semestre passado, participei de dois processos seletivos. Num deles, cheguei até a dinâmica. Em outro, até a entrevista. As seleções são bem rigorosas e concorridas. Quase todas exigem disponibilidade para mudar de cidade. Quanto a isso, estou bem tranquilo, mas só me candidato para vagas em cidades com boa qualidade de vida. A dinâmica é a parte mais difícil para mim: tem muita gente tentando chamar a atenção dos examinadores, e é preciso sobressair sem passar por cima dos outros. Também é na dinâmica que você deve fazer uma apresentação pessoal. Montei meu currículo numa sequência lógica para falar na hora. O bom de se candidatar para trainees é que você conhece empresas diferentes de áreas que nunca tinha pensado em atuar, mas que podem ser interessantes.”

Experiência diferenciada

 (Arquivo Pessoal ) 


Ana Paula Leite, 23 anos, administradora pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), é trainee da Companhia de Bebidas das Américas (Ambev)
“Sou trainee da Ambev desde janeiro deste ano. Nesse período, passei por unidades da empresa em Agudos (SP), Bauru (SP), Salvador e São Paulo. Agora, estou de mudança para Itapissuma (PE). Ainda é uma fase de treinamento, mas agora tenho a chance de mostrar resultados. Vai ser um grande desafio, e estou superanimada. Na seleção, as experiências diferenciadas que tenho no currículo foram cruciais. Durante o curso, trabalhei em empresa júnior, numa empresa de varejo e numa fábrica, o que me deu visão mais ampla e jogo de cintura. A etapa mais desafiadora foi o painel: era como uma dinâmica de grupo com interação com os gestores. Você vê tanta gente boa que começa a achar que não foi bem. Depois que fui aprovada nessa fase, fui bem mais confiante para a entrevista final.”


Profissional do mundo

 (André Kopsch/Divulgação ) 


Núbia Ferreira, 28 anos, engenheira química pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foi trainee da Embraco em 2010 e é atual líder em Procurement
“Gastei um ano com processos seletivos até ser aprovada. Depois de um questionário comportamental e provas de inglês e de lógica on-line, tive que fazer uma entrevista por telefone em inglês. Eu tinha morado em Londres, então foi tranquilo. As outras etapas foram dinâmica de grupo e painel e entrevista com os diretores. Depois de aprovada, tive de me mudar para Joinville (SC). Durante um ano como trainee, passei por treinamento e conheci todas as áreas da empresa. Desde então, fui promovida três vezes e hoje sou líder em Procurement, setor que lida com os fornecedores. As experiências internacionais são uma vantagem. Eu tive oportunidade de ficar um mês na Eslováquia. Depois, fiquei 45 dias visitando fornecedores por países da Europa e da Ásia. Essa possibilidade de viajar pela empresa é algo que eu valorizo muito.”


Sem medo de arriscar

 (Oswaldo Reis/Esp. CB/D.A Press ) 

 

Ricardo Camiz, 31 anos, administrador pela Universidade de São Paulo (USP), foi trainee da Ambev em 2006 e é atual gerente de distribuição direta da empresa em Brasília
“Eu me inscrevi para vários processos seletivos, fui aprovado em cinco e optei pela Ambev. É uma seleção rigorosa. Na minha época, entre 20 mil inscritos, foram aprovados 23 trainees. Eu escolhi a área de vendas e, durante o programa, fui vendedor, supervisor de vendas e terminei como gerente de vendas. A disponibilidade para mudanças não é importante só para o período de treinamento. Se aparece uma oportunidade em um lugar e você tem disponibilidade, há mais opções de crescimento. Nesses anos, eu passei por Salvador, Campinas, Jundiaí, São Paulo e Brasília. Também assumi seis cargos. Para depois da aprovação, é preciso ter muita dedicação, resiliência, não ter medo de arriscar, não se contentar com o bom, sempre buscar o excelente, e querer o bem da empresa.”


Aprendizado e maturidade

 (Oswaldo Reis/Esp. CB/D.A Press) 

Ana Raquel Farias Campos, 38 anos, administradora pela Universidade de Brasília (UnB), foi trainee da C&A em 2000 e hoje é gerente de operações da empresa em Brasília
“Eu me formei e logo me candidatei para vários processos seletivos de trainee. A fase mais difícil do processo de seleção da C&A foi a dinâmica porque vi pessoas com forte potencial concorrendo: é uma etapa em que você acaba se comparando com outros. Depois de aprovada, fiquei um ano e meio como trainee. Nesses anos na empresa, passei por unidades em Belo Horizonte, Fortaleza e Rio de Janeiro. Mudar de cidade era uma coisa que eu tinha vontade de fazer e consiste num desafio e numa oportunidade de carreira. Quem entra como trainee tem pouca bagagem, e essas mudanças trazem aprendizado e maturidade. Algo que me motiva a estar na empresa são treinamentos constantes. Quem quer crescer precisa ser arrojado, dinâmico, dedicado e estratégico, além de ter a cabeça aberta para aprender.”
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