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Pedindo para sair

A atitude na hora de pedir demissão é tão importante quanto a do ingresso. É recomendado manter o profissionalismo, cultivar laços com colegas e não falar mal do ex-emprego afinal, nunca se sabe o dia de amanhã

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postado em 15/09/2014 10:07

Henrique foi chamado para uma posição melhor na antiga empresa (Ed Alves/CB/D.A Press ) 
Henrique foi chamado para uma posição melhor na antiga empresa



Propostas melhores de trabalho e desejo de iniciar o próprio negócio ou outro projeto pessoal podem resultar em um importante momento profissional: a mudança de emprego. Esse passo deve ser dado com cautela para não comprometer a carreira. As preocupações que se tem ao ser admitido em uma empresa, como transmitir uma boa imagem e desenvolver laços com os colegas, devem continuar ao deixá-la. “Há funcionários que, mesmo sendo excelentes profissionais durante anos, acabam manchando a reputação no momento em que saem da empresa”, alerta Silvana Dino, diretora de Gente do grupo SBF, detentor da Centauro e da By Tennis. “Deve-se entrar pela porta da frente e sair pela mesma porta”, afirma.

O tom da saída não deve ser de “adeus”, mas, sim, de “até breve”. Não só existe a possibilidade de retorno à empresa, como também a oportunidade de o empregador dar referências — positivas ou negativas — a respeito do ex-funcionário. “Brasília é uma cidade pequena, os empresários se conhecem, sabem quem são os colaboradores uns dos outros”, diz Edson Santos, presidente da SME, companhia brasiliense de gestão de empresas.

O coordenador comercial da CTIS Tecnologia, Henrique Girão, 33 anos, está na empresa pela segunda vez. Em 2004, após quatro anos como gestor de qualidade da companhia, se demitiu e seguiu para outro emprego, que, na época, oferecia melhor oportunidade de crescimento e salário. Passados cinco anos, em 2009, Girão foi convidado para assumir o cargo de gerência que ocupa até hoje  na CTIS. “Para não fechar as portas, foi essencial ter jogado aberto e explicar que eu teria acesso a um caminho melhor para me desenvolver. Por outro lado, também voltei mais especializado, com MBA”, conta.

Portas abertas
“Muitas vezes, o profissional recebe um convite e compara apenas o salário, que, apesar de importante, é a última coisa a ser considerada quando se deseja fazer uma mudança”, observa o consultor de empresas Gutemberg de Macedo. A realização profissional, que envolve crescimento e valorização da carreira, deve ser a prioridade na hora da decisão.

O chefe imediato deve ser o primeiro a ser informado. “Convide-o para um almoço ou marque com a secretária um momento em que ele esteja totalmente disponível e comunique sua decisão”, aconselha Gutemberg. Na medida do possível, é recomendável não pegar o empregador de surpresa. “Negocie um prazo com o chefe para fazer a passagem de bastão, coloque-se à disposição para ficar mais, vir à noite, vir aos fins de semana. Se possível, procure um substituto qualificado. O importante é não deixar a empresa desguarnecida”, orienta a diretora Silvana Dino.

Perguntas sobre o motivo de deixar a posição podem surgir nos corredores. Nessas horas, deve haver cuidado com o que é dito — os mesmos motivos informados ao chefe devem ser passados aos colegas. Também não é adequado reabrir antigas feridas com desafetos. “É importante não mencionar os conflitos. Essa atitude só vai fazer com que o ressentimento continue, e a referência dessas pessoas ou a da própria organização poderão ser necessárias um dia”, explica Gutemberg. “Sendo grato à empresa, as portas se mantêm abertas”, completa o consultor.

Profissionalismo
Para Silvana Dino, mesmo que tenham ocorrido experiências negativas ao longo do período trabalhado, não se deve desqualificar o emprego ou a equipe. “Tem de haver profissionalismo. Por mais que a pessoa esteja em busca de algo melhor, esse é o momento de valorizar a contribuição que o empregador trouxe nos aspectos profissional e pessoal.” O zelo com os comentários tem de ser estendido ao meio virtual. “Muitas empresas buscam referências nas redes sociais”, adverte.

Há empresas que comunicam quando ocorre a saída de um funcionário aos demais empregados. Nesses casos, deve ser combinado com o chefe as palavras que serão usadas. “Uma vírgula no lugar errado pode dar falsa impressão sobre os motivos da demissão,” alerta Gutemberg. Já manter contato com os antigos colegas e chefes é saudável tanto pelo convívio social quanto pelo bem profissional.

Caminho próprio
Lorena Gomes Fernandes, 25 anos, graduada em marketing, trabalhou por dois anos em uma agência de eventos, mas decidiu sair da empresa para iniciar o próprio negócio. “Desde o surgimento da ideia, joguei aberto com toda a equipe e fui encorajada pelas minhas ex-chefes. Abri um microempreendimento individual e, em menos de dois meses, fechei sete contratos, quatro deles por indicação das minhas ex-chefes”, comemora. Segundo Aline Branquinho, gestora de Recursos Humanos do Senac/DF, manter bom relacionamento após a demissão abre portas no futuro. “Se o funcionário tem competência e mantém uma boa relação profissional, mesmo que se demita, vai continuar recebendo convites. Quem deixa marca na organização é lembrado”, avalia

Para sair numa boa

» Tenha certeza de que quer deixar a empresa
» Converse primeiramente com o chefe imediato
» Seja transparente e deixe claros seus objetivos
» Agradeça a oportunidade
» Coloque-se à disposição para capacitar um substituto
» Não fale mal da empresa e chefe
» Após a demissão, mantenha contato profissional e pessoal. Dê notícias!

Fonte: Aline Branquinho, gestora de Recursos Humanos do Senac/DF

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