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Viver para trabalhar?

Segundo pesquisa, desequilíbrio entre vida pessoal e profissional é motivo de insatisfação para executivos. Profissionais sonham com uma rotina mais flexível e prazerosa

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postado em 22/09/2014 10:31

Paulo trabalha muito como diretor, mas a rotina é dinâmica e versátil (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 22/8/14 ) 
Paulo trabalha muito como diretor, mas a rotina é dinâmica e versátil


Entre os executivos brasileiros, 77% diminuiriam o tempo dedicado ao trabalho. O número é da Pesquisa Empresa dos Sonhos dos Executivos 2014, realizada pelo grupo DMRH e pela empresa de pesquisa NextView People, que entrevistou 4,6 mil presidentes, vice-presidentes, diretores e gerentes de todas as regiões do país. Os resultados demonstram que 36% do tempo desses profissionais é dedicado ao trabalho e à carreira (veja quadro). A insatisfação com o desequilíbrio entre a vida pessoal e a profissional se reflete no período que os executivos pretendem continuar nos cargos que ocupam: 41% dos profissionais desejam sair em até dois anos. A pesquisa aponta, contudo, que o número é também reflexo da pressão a que são submetidos: para 29% dos entrevistados, o que as empresas esperam é resultado a qualquer preço.

Segundo Danilca Galdini, psicóloga e sócia-diretora da NextView People, o que a maioria busca não é parar de trabalhar, mas rever rotinas produtivas. “Estamos falando de um público que, até hoje, escolheu se dedicar à empresa e ao trabalho. O objetivo agora é equilibrar o tempo com a vida pessoal.” Rita Brum, mestre em psicologia e diretora da Rhaiz Soluções em RH, acredita que as horas trabalhadas não são a maior causa de insatisfação. “A ideia não é trabalhar menos, é tornar as expectativas e os valores compartilhados pelos profissionais e empresas cada vez mais próximos”, conclui.

Célio Martins, 54 anos, faz parte da parcela de profissionais que resolveu repensar as horas dedicadas ao trabalho. Há dois anos, afastou-se do cargo de gerente de administração em uma agência bancária. Hoje, consultor, consegue resolver quase tudo por e-mail e dedica pouco mais de uma hora do dia à função. “Via minha família uma vez por ano. Agora, não passo mais de três meses sem encontrá-la”, compara. Mesmo num cargo de executivo, Paulo Foerstnow, 29 anos, diretor de uma empresa de intercâmbios, encontrou um jeito de não sentir os efeitos da pressão ou do excesso de tempo no trabalho. “Eu gosto da possibilidade de fazer um trabalho itinerante e flexível. Trabalho muito, mas meu dia a dia é extremamente prazeroso.”

Jornada aberta
Recentemente, Larry Page, co-fundador e presidente do Google — empresa dos sonhos dos executivos brasileiros há dois anos consecutivos segundo dados da mesma pesquisa —, declarou que as pessoas deveriam trabalhar apenas quatro horas por dia. De acordo com especialistas, no entanto, o atrativo das empresas que se destacam no ranking das mais visadas pelos entrevistados — como Petrobras e Natura, mencionadas em segundo e terceiro lugares como os empregadores dos sonhos — é a possibilidade de inovação e a flexibilidade.

Outro estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) reforça o anseio por mais tempo livre: 1/3 dos brasileiros compraria uma hora de folga por, em média, R$ 85. Christian Barbosa, especialista em gestão do tempo e produtividade, garante que não é preciso pagar. “Ganhar tempo é uma questão de gestão pessoal”, afirma. Enquanto as horas dedicadas ao trabalho não diminuem, ele defende que é possível aumentar a produtividade e ganhar mais tempo livre. “As pessoas se acostumaram a fazer tudo na última hora, numa síndrome do TCC, em referência ao tempo dedicado aos trabalhos de conclusão de curso. O que eu defendo é a síndrome de antecipação”, brinca.

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