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Um antigo novo mercado

Jovens apostam na ascensão do vinil como primeiro empreendimento. A crise do formato ficou no passado e supera o valor mercadológico do som digital

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postado em 28/09/2014 12:48 / atualizado em 28/09/2014 13:05

 (Antonio Cunha/CB/D.A Press) 
Felipe Burato e Gabriel Perez, da Marti Discos; e Paulo Rodrigo, que herdou do pai a loja de vinil: jovens apostam no mercado de raridades e na autenticidade do som   (Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press) 
Felipe Burato e Gabriel Perez, da Marti Discos; e Paulo Rodrigo, que herdou do pai a loja de vinil: jovens apostam no mercado de raridades e na autenticidade do som
 

 

No Brasil, a produção de discos de vinil chegou a paralisar por alguns anos. Com o aumento das vendas, mesmo em tempos em que o formato digital predomina, os LPs mostram ao mercado que o seu valor vai além da nostalgia da era de ouro do bolachão. Por meio da cultura, o velho modelo reafirma seu lugar nas prateleiras das lojas conquistando antigos e novos clientes. O segmento atraiu a atenção dos jovens empresários Gabriel Pérez, 24 anos, e Felipe Burato, 32 anos.


Quando Felipe estava em São Paulo, em uma feira de discos, percebeu que muitos vinis vasculhados ali não se encontrava em Brasília. Assim surgiu a ideia de revender o formato na capital. “Começamos sentindo o mercado mesmo, testando o negócio e descobrindo a real demanda dos brasilienses”, conta. A Marti Discos começou há dois anos expondo seus produtos em feiras. Com o passar dos meses, os empreendedores decidiram abrir o site da marca para comercializar os vinis. Há pouco menos de seis meses, inauguraram a loja que imaginaram abrir um dia.


Depois de fazer alguns cursos no Sebrae e ter a consultoria da instituição, Felipe e Gabriel perceberam que montar a loja seria possível mais rápido do que o previsto. “Primeiro, analisamos quanto era necessário para abrir a empresa. Acho que a maior dificuldade era traçar um plano de negócios. A consultoria foi indicando os caminhos”, lembra Burato.
Experiência

A Musical Center tem 25 anos de mercado. A loja tem acervo invejável, além de ser uma referência na cidade. Paulo Moreira cresceu cercado dos discos de vinil. Hoje, ele e a irmã administram o comércio iniciado com o pai. Do contrário o que pensa a maioria, o ápice de mercadorias e vendas da casa foi no período em que pararam de produzir os discos em detrimento do CD. “O mercado de raridades nunca chegou a sair de moda e agora está em alta. O vinil é mais uma arte, apreciação da música”, reflete Paulo.


Hoje, uma canção pode ser executada em qualquer aparelho de som de modo prático. A tecnologia digital facilitou a vida das pessoas para ouvir música. Contudo, os admiradores do vinil buscam escutar a autenticidade de cada instrumento em sua essência. Os graves, médios e agudos são detalhados no bolachão, algo que as mídias digitais descartam em sua edição. Além da qualidade superior, o trabalho gráfico mais artístico das capas é outro fator que atrai o consumidor. Para de destacar no mercado, Paulo Moreira dá uma dica aos novo empresários do ramo: “Pesquise muito, porque existe milhares de opções de vinil. O olhar para garimpar o melhor som é essencial.”

 

» PALAVRA DO ESPECIALISTA


“A cultura do vinil voltou com tudo no Brasil, influenciado pelo aumento das vendas de LPs nos EUA e Europa, mas creio que o vinil nunca deixou de existir por aqui, e sim, foi substituído momentaneamente por outras mídias mais modernas, como o CD. Hoje, o CD já parece mais raro que o vinil, pois todo mundo tem suas músicas no celular, no iPod, etc. O retorno do vinil no mundo impulsionou a reabertura de uma fábrica de vinis, a única do país, por enquanto, que está no Rio de Janeiro. Então o mercado no Brasil está em ascensão novamente. Os músicos, os colecionadores, os aficionados ou mesmo os simpatizantes por música sabem distinguir a diferença do som de qualidade que só vinil tem. A juventude procura os discos por conta própria, pois não vivenciaram a época, e o querem fazer agora. Pais e filhos garimpam juntos os melhores sons. Além disso, o vinil não dá espaço para pirataria, pois para se reproduzir cópias o trabalho é muito grande, não basta ter um computador e um gravador de CDs no fundo do quintal.”

Manoel Jorge Dias, dono do Casarão do Vinil, maior acervo de discos da América Latina: 1 milhão de exemplares.

 

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