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Correio Braziliense

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Profissão: comunicador

Media training é procurado por gestores e porta-vozes de empresas para saber lidar com a imprensa. Treinamento ajuda a se relacionar com a mídia e pode salvar a imagem da organização em momentos de crise

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postado em 13/10/2014 10:48

Breno Fortes/CB/D.A Press
Facilidade de falar em público, capacidade para dar entrevistas e boa postura são características necessárias a gestores e porta-vozes de qualquer organização. Nem todos nascem com o domínio dessas habilidades, por essa razão, existem cursos dedicados ao treinamento no trato com a imprensa. O media training é um curso prático com o objetivo de aperfeiçoar a capacidade de se relacionar com a mídia — na hora de entrevistas ou eventos para promover esse relacionamento.

“No nosso cotidiano, na reunião com um fornecedor ou outro interlocutor, a gente adota uma linguagem muito natural, com vícios e trejeitos, mas, quando você está lidando com a imprensa, você tem que saber fazer a comunicação de uma forma objetiva e clara”, comenta Ricardo Birmann, 31 anos. Ele é diretor-presidente e principal porta-voz da Urbanizadora Paranoazinho no Distrito Federal e realizou o treinamento de mídia duas vezes por recomendação da assessoria de imprensa da empresa. Birmann destaca a importância de assegurar que a mensagem enviada não seja diferente da mensagem recebida. “Às vezes, a gente diz uma coisa e ela é recebida de outra forma. O treinamento melhora a habilidade de falar de maneira que o interlocutor absorva os pontos-chave daquilo que você transmite.”

Patrícia Marins é sócia-diretora da agência de comunicação Oficina da Palavra, com sedes em Brasília e São Paulo. Especialista em posicionamento de imagem e gerenciamento de crise, ela trabalha com media training há 14 anos e conta que, em 2006, percebeu a necessidade de criar uma área na empresa exclusivamente dedicada ao treinamento de comunicação para gestores. “Eles não entendem a dinâmica do jornalismo. Muitas vezes, aquilo que o gestor quer divulgar não necessariamente é notícia. Quando entende, ele consegue atender o jornalista dentro do tempo e com informações relevantes. Quem ganha com isso é o leitor, é a sociedade.”

Para Patrícia, o media training busca desmitificar a relação entre entrevistador e entrevistado, com técnicas para transmitir a mensagem e verificar se ela foi compreendida. “A grande decepção é quando a fonte não passa a notícia. Ele é o executivo mais preparado, com o melhor currículo, mas na hora de dar a entrevista, entra em pânico”, comenta. Durante o media training, o profissional é preparado para diversos momentos em que terá de lidar com a imprensa, até mesmo em situações surpresa. Ela cita o exemplo de um engenheiro do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) que jamais imaginou que teria de conceder uma entrevista coletiva, mas foi surpreendido pelo desmoronamento de um edifício. De acordo com Patrícia, foi graças ao treinamento que ele compreendeu a urgência da situação, percebeu a a necessidade de atender a imprensa e se sentiu preparado para isso.

Quem deve fazer

O curso de media training é indicado para gestores e porta-vozes da organização, além de outros funcionários que têm contato com o universo da comunicação e da imprensa. Patrícia explica que o curso ajuda pessoas que são tímidas, mas também aquelas que falam muito e perdem o fio da meada ou usam termos técnicos demais. Já o jornalista e consultor de empresas Francisco Viana acredita que o treinamento é fundamental para qualquer funcionário. Ele trabalha há mais de 20 anos com media training, treinou cerca de 10 mil pessoas nas iniciativas pública e privada e tem seis livros publicados na área de comunicação. “Hoje, a empresa contrata pela capacidade técnica, mas também comunicacional. Se a pessoa não tem capacidade de comunicação, está fora do mercado”, alerta.

Viana defende que o treinamento de mídia é uma necessidade de gestão para que a empresa se comunique melhor. “Toda organização séria faz treinamento. O McLuhan, reconhecido teórico da comunicação, fazia treinamentos para a General Motors desde 1962. A IBM faz isso tradicionalmente”, exemplifica. Ricardo Birmann também adotou a comunicação como prioridade na Urbanizadora Paranoazinho. “A comunicação merece ser tratada de forma técnica e profissional. Eu jamais colocaria uma pessoa sem treinamento para fazer a contabilidade da empresa; assim, seria irresponsável permitir que uma pessoa sem treinamento cuidasse da comunicação”, justifica.

Cristiane Rosa, 36 anos, resolveu fazer media training há um ano, quando era coordenadora de comunicação da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação (Abipti). Apesar de ser da área de mídia, ela acredita que a formação na faculdade é muito genérica e que esse treinamento é voltado para pontos cruciais do mercado. “Para mim, o curso foi como uma reciclagem. Eu abri meus horizontes, principalmente para o gerenciamento de crise. É muito fácil quando você tem um ótimo assessor; a dificuldade aparece quando chegam os problemas”, explica.

De acordo com Cristiane, a Abipti conta com cinco vice-presidentes em diferentes regiões do país, que tinham dificuldade de entender a dinâmica da imprensa. Além de fazer o treinamento, ela também indicou o curso aos porta-vozes da associação. “O media training deu muito mais crédito ao meu trabalho. É muito difícil dizer para o seu chefe que ele não sabe se portar ou não usa roupas adequadas. O curso também me ensinou a explicar esse tipo de coisa.”

Como funciona

Pode parecer exagero, mas até mesmo a escolha do traje adequado faz parte do media training. De acordo com Paulo Nassar, presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), o treinamento deve ocorrer em três níveis: ético, técnico e estético. “Ou seja: durante o curso, os participantes devem estudar a importância da transparência e de se transmitir a informação correta, aprender técnicas de comunicação e expressão e elevar essas características ao plano da aparência e da imagem,” esclarece.

Patrícia Pinheiro, professora de media training na pós-graduação do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF) e no Centro Universitário Unieuro, oferece o serviço e explica que o curso deve preparar o participante para lidar com jornal impresso, rádio ou televisão. Para ela a necessidade do media training cresceu justamente por causa da convergência digital, que exige que o profissional esteja preparado para falar com qualquer meio de comunicação. “Um curso mais completo conta com um profissional de fonoaudiologia, uma equipe de televisão e gravação de todo o material, para comparação do antes e do depois do treinamento”, explica. O curso é uma atividade prática, mas Patrícia conta que, muitas vezes é necessária uma introdução teórica, que explique o funcionamento da imprensa.

Os cursos são oferecidos tradicionalmente por empresas de assessoria em comunicação, mas também por profissionais independentes. O serviço é personalizado de acordo com a necessidade do cliente, e os módulos são ministrados com, no máximo, 12 participantes da mesma empresa. Os cursos vão de oito horas a três dias intensivamente, mas também é possível contratar o treinamento em formato de educação continuada. Os preços variam se forem incluídos serviços específicos, como fonoaudiologia ou estúdio de televisão. Os módulos mais básicos, com poucos exercícios práticos, podem custar de R$ 10 mil a R$ 25 mil.

Em geral, o profissional com capacidade para oferecer o media training é o jornalista, devido à familiaridade com o funcionamento da mídia. Mas a professora Patrícia Pinheiro alerta para a necessidade de uma formação complementar. “Você não trabalha só a questão da notícia, você trabalha com questões adversas, crises, riscos, marketing e gestão de imagem. O profissional ideal precisa de capacitação mais ampla em comunicação”, afirma. Para evitar picaretas, o especialista Francisco Viana sugere que se consulte o currículo do instrutor e se dê preferência a profissionais de carreira. Já Paulo Nassar, presidente da Aberje, recomenda que se procure profissionais que estejam ligados a associações de comunicação.

Apesar de toda a preparação oferecida, o especialista Francisco Viana garante que o media training não tem a capacidade encobrir, disfarçar ou distorcer os fatos. “A proposta não é criar uma personalidade midiática, mas criar bons porta-vozes. O alcance do media training é o alcance dos fatos. Quando os fatos são muito fortes, virão à tona. Não é porque a pessoa sabe falar bem que conseguirá superar a realidade”, explica.

"Quando você está lidando com a imprensa, você tem que saber fazer a comunicação de uma forma objetiva e clara"
Ricardo Birmann, diretor-presidente e porta-voz de uma urbanizadora

"Se a pessoa não tem capacidade de comunicação, está fora do mercado"
Francisco Viana, jornalista e consultor de empresas

Para fazer bonito

Principais habilidades abordadas no curso de media training

» Postura e aparência
» Impostação de voz
» Objetividade e didatismo
» Entendimento sobre o funcionamento da imprensa
» Capacidade de lidar com jornal, rádio e televisão
» Preparação de conteúdo para entrevistas

Fonte: Patrícia Pinheiro, professora de media training na pós-graduação do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF) e do Centro Universitário Unieuro.
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