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PERFIS DE SUCESSO // HELIO DE CASTRO PEREIRA, HELIO JúNIOR, PEREZ CASTRO E SILEIMA GOMES »

Negócio de família

Há mais de três décadas, família mantém lojas de tecidos que são referência para o mercado têxtil na capital

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postado em 24/11/2014 10:24

Ana Paula Lisboa

Sileima, Perez, Helio Castro e Helio Júnior: especialistas em tecidos (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press ) 
Sileima, Perez, Helio Castro e Helio Júnior: especialistas em tecidos


Não é por acaso que uma empresa se torna referência em sua área de atuação. Persistência, honestidade, bom atendimento, variedade de produtos e preço justo são os componentes do trabalho da família de Helio de Castro Pereira, 76 anos. Com os filhos Helio Júnior, 50, e Perez Castro, 35, e a esposa, Sileima Gomes, 62, ele governa um verdadeiro império dos tecidos: a Puro Pano, fundada em 1977. Helio é responsável pela unidade do Cruzeiro Center, Helio Junior gere a loja do Valparaíso, Perez administra as duas unidades de Taguatinga — uma localizada na Comercial Norte e a mais recente unidade, inaugurada há cerca de um mês, no Taguacenter —, e Sileima toma conta da loja da 308 Norte.

“Quando montamos uma loja, eu acompanho nos primeiros dois anos. Depois, largo para a pessoa comandar sozinha. Eu nunca quis todo mundo numa loja só, porque senão o caixa acaba”, explica Helio. “Cada um toma conta da sua. Meu pai orienta, mas não interfere. No começo, fiz algumas besteiras e aprendi com meus erros”, conta Helio Júnior. “Meu aprendizado começou trabalhando com meu pai: aos 15 anos, eu já ficava no caixa. Mas depois que ele abriu a loja para mim, amadureci muito. Você percebe que não é tão simples e que precisa ralar muito”, revela Perez. Cada loja conta com um público diferenciado. “Os tecidos que fazem sucesso em Taguatinga não saem bem na Asa Norte. Em Taguatinga, o público evangélico é o mais forte. O pessoal vem procurar vestido para madrinha de casamento e percebe que vale mais a pena fazer do que alugar”, exemplifica.

Apesar da independência, todas as unidades mantêm características similares quando se trata dos produtos, do preço e do atendimento. “O tratamento e a receptividade são o mais importante! Na loja do Cruzeiro, que é a mais antiga, o relacionamento é familiar. Todo mundo quer que eu dê atenção”, observa Helio. “O meu pai leva até café e biscoito de queijo para os clientes”, diz Perez.

Mão de obra

“Temos tudo para sermos de primeira linha — até fomos indicados pela revista Manequim de maio como a melhor loja para comprar tecido —, mas confesso que não conseguimos resolver o problema da mão de obra. As pessoas vêm totalmente cruas. Nós nos dispomos a treinar e a ensinar, mas os vendedores não ficam muito tempo. É uma crise do comércio”, queixa-se Sileima. “As pessoas chegam despreparadas. Eu treino pessoalmente, e elas aprendem por meio do meu exemplo. O funcionário é reflexo do patrão”, acredita Helio.

Mercado têxtil

“Muita gente me pergunta: ‘com tanta roupa barata por aí, tecido ainda vende?’ Eu respondo o seguinte: se não vendesse, nós estaríamos agora puxando enxada”, brinca Helio. “O comércio em geral está horrível, mas tecido não passa por crise, e aqui a concorrência é pequena: não tem nem 40 lojas de tecido no DF”, conta Perez. Segundo Helio, a maior parte da clientela é composta por mulheres que desejam peças exclusivas. “Aqui, as mulheres são executivas, trabalham no Congresso Nacional, em autarquias… Essas chefes não querem roupa de feira e, ao mesmo tempo, não querem pagar preços exorbitantes em roupas de boutique. Elas se incomodam ao encontrar alguém com o mesmo modelito. É por isso que a Puro Pano e lojas do tipo sobrevivem”, justifica.

Para quem quer uma roupa exclusiva, escolher o tecido é o primeiro passo. “Quando o cliente chega, nós o abordamos para descobrir o que ele quer. Às vezes, ele tem algo na cabeça e não tem conhecimento para saber que aquilo não funciona com o tecido escolhido”, explica Sileima. “Muita gente não abre mão de roupa feita sob medida. Muitos jovens têm vindo atrás disso: eles pegam o modelo na internet e vêm para escolher o pano.”

37 anos de história
O jeito de Helio para o comércio surgiu cedo. “Minha vida foi pautada pelo comércio. Desde os 13 anos, trabalhei em diversas lojas em Anápolis.” Depois de se mudar para Brasília, ele chegou a trabalhar como taxista e a montar uma panificadora no Gama. “Não deu certo e, como a necessidade faz o sapo pular, resolvi mexer com retalho, que era febre nos anos 1970. Montei uma vendinha no Cruzeiro chamada Só Retalhos.” A mudança de nome veio acompanhada da mudança de área de atuação. “Percebi que o nome Só Retalhos afastava clientes: muitos não entravam porque acham que a gente só vendia retalho, quem procurava tecido nem entrava. O brilhante nome Puro Pano foi ideia da Sileima”, lembra.

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