Para ir mais longe

Alunos concorrem a mestrado ou a doutorado no exterior pelo Ciência sem Fronteiras; inscrições vão até 19 de dezembro. Mesmo para quem não é acadêmico, os cursos podem implicar aumento salarial de até 48% com relação a quem fez especialização ou MBA

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postado em 01/12/2014 10:45 / atualizado em 01/12/2014 10:50

Juliana Espanhol

O professor de engenharia elétrica da UnB Adolfo Bauchspiess fez estágio pós-doutoral nos EUA até agosto (Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press    ) 
O professor de engenharia elétrica da UnB Adolfo Bauchspiess fez estágio pós-doutoral nos EUA até agosto


Aventurar-se pelo Programa Ciência sem Fronteiras (CsF) não é exclusividade dos alunos de graduação. As bolsas de pós-graduação constituem uma oportunidade para se aprofundar nos estudos ou reciclar a formação acadêmica já adquirida. Desde o início do programa, em 2011, até outubro deste ano, foram implementadas mais de 13 mil bolsas de pós-graduação, do mestrado ao pós-doutorado. O prazo de inscrição para a 1ª chamada de 2015 para quem deseja cursar doutorado sanduíche, doutorado pleno ou pós-doutorado se encerra em 19 de dezembro.

“Uma das questões cruciais para fazer a pós-graduação no exterior é a escolha do professor orientador da instituição estrangeira. No meu caso, eu tinha contato com ele e consegui a carta de recomendação com facilidade, mas é recomendável começar a se preparar com antecedência”, alerta o professor do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília (UnB) Adolfo Bauchspiess, 51 anos. O cuidado com essa parte do processo é necessário, pois a aprovação prévia por parte da universidade estrangeira aumenta as chances de conseguir uma bolsa do programa. O docente fez estágio pós-doutoral pelo CsF, de fevereiro a agosto deste ano, na Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, nos Estados Unidos. “O processo burocrático da seleção é complicado, mas, com a carta de recomendação certa, é tudo quase automático”, diz.

Com doutorado e pós-doutorado na Alemanha, essa não foi a primeira experiência acadêmica do professor no exterior. “A expectativa é que façamos alguma reciclagem a cada cinco anos. Esse tipo de licença é uma oportunidade para entrar em contato o que há de mais recente em pesquisa”, afirma Bauchspiess, cuja especialidade é automação e controle. O pesquisador alerta, no entanto, para o valor da bolsa. “Fui para os Estados Unidos com a minha mulher, e boa parte da bolsa de US$ 2,1 mil era usada apenas no aluguel. Em locais como a Alemanha, que eu conheço, creio que seja mais fácil se sustentar com o valor oferecido”, ressalva.

Gabriel Lins faz doutorado em psicologia social experimental no Reino Unido com bolsa do CsF (Arquivo Pessoal) 
Gabriel Lins faz doutorado em psicologia social experimental no Reino Unido com bolsa do CsF


O doutorando Gabriel Lins, 27 anos, está no primeiro ano de estudos em psicologia social experimental na Universidade de Cardiff, no País de Gales. O jovem fez graduação e mestrado em psicologia na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). “O programa fornece uma oportunidade que antes era rara no Brasil. Estudar em uma universidade no exterior, em uma cultura diferente, representa crescimento tanto academicamente, quanto pessoalmente. Hoje, estudo com um dos maiores nomes da psicologia na Europa, o professor Gregory Maio.”

Entre as dicas para quem deseja se candidatar a uma bolsa, Gabriel Lins destaca a necessidade de dominar a língua local e escolher bem o orientador. “Ao fim da minha participação no Ciência sem Fronteiras, planejo seguir a carreira acadêmica. Tenho a felicidade de meus dois orientadores, tanto aqui no exterior quanto no Brasil, serem expoentes em valores humanos —meu foco de pesquisa — e tenho certeza de que isso me fornecerá uma base forte para o futuro. Ao voltar, planejo desenvolver novas pesquisas com o que aprendi no Reino Unido e contribuir cada vez mais para o crescimento da ciência nacional”, revela.

À francesa
Terceiro país que mais recebe bolsistas do programa — depois dos Estados Unidos e do Reino Unido —, a França tem longa tradição de cooperação acadêmica com o Brasil. “Antes mesmo do Ciência sem Fronteiras, os dois países tinham parcerias em diversas áreas. Com o programa, oferecemos graduação e pós-graduação para estudantes brasileiros em instituições de tradição no país”, diz Eudora Bernoilles, assessora de Cooperação Científica, Tecnológica e Universitária da Embaixada da França no Brasil. “Ir para a França tem vantagens tanto pelo lado acadêmico quanto pelo aspecto cultural. O país tem ganhadores do prêmio Nobel quase todos os anos, conta com universidades de alto nível e é forte em inovação. Ao mesmo tempo, é a nação que mais recebe turistas e que tem muitos eventos culturais e gastronômicos. Lá, os estudantes brasileiros têm os mesmos direitos dos alunos franceses”, explica.

Não é à toa que a consultoria de ensino superior Quacquarelli Symonds (QS) escolheu Paris como a melhor cidade para universitários pelo terceiro ano consecutivo. Os critérios são a qualidade das universidades da cidade, a qualidade de vida proporcionada aos habitantes e a acessibilidade em termos econômicos.

Para a superintendente de pós-graduação do Centro Universitário Iesb, Zeli Isabel Ambrós, estudar no exterior faz diferença na formação dos estudantes. “Com a globalização e a abertura de mercados, houve estímulo para as parcerias com instituições estrangeiras. As oportunidades ofertadas pelo governo para estudo no exterior para brasileiros são um diferencial no currículo, pois, além do desenvolvimento das competências profissionais, o estudante tem contato com a cultura e os hábitos de outro povo: é muito enriquecedor”, diz.

Fora da academia
Fazer um doutorado não é útil apenas para aqueles que pretendem seguir a carreira docente. De acordo com pesquisa da empresa de consultoria de carreiras Productive, contar com um mestrado ou doutorado pode garantir ganho salarial 48% maior quando comparado a uma pós-graduação do tipo lato sensu (especialização ou MBA). O levantamento, realizado entre cerca de 400 executivos, mostra que especializações e MBAs não representam um diferencial no currículo: 68% dos entrevistados tinham esse tipo de qualificação. No entando, apenas 9% dos entrevistados contavam com mestrado ou doutorado. Segundo o estudo, os ganhos salariais médios de executivos com diploma de ensino superior, MBA ou especialização e mestrado ou doutorado são, respectivamente, R$ 5,8 mil, R$ 9,3 mil e R$ 13,8 mil. Ter mais de uma pós-graduação lato sensu poderia elevar o salário à média de R$ 12,8 mil.

Para o CEO da Produtive, Rafael Souto, o aumento da qualificação entre empresários é uma tendência. “Estamos entrando em uma época de hiperespecialização, logo, aqueles que têm formação acadêmica mais robusta são valorizados. O mercado acredita que quem possui mestrado ou doutorado passa mais credibilidade”, afirma. O levantamento não chegou a mapear as melhores áreas de estudo para valorizar o currículo. “A maior parte dos entrevistados estudou assuntos relacionados à gestão de negócios, mas há também aqueles que investiram em campos mais técnicos, como tecnologia ou engenharia”, explica Souto. Com mais formação acadêmica na bagagem, parte dos executivos passou a exercer a docência como fonte alternativa de renda. “É possível conciliar os dois trabalhos. Muitos executivos usam a experiência em sala de aula para fazer uma transição de carreira antes da aposentadoria e passam a se dedicar ao ensino antes de pararem de trabalhar definitivamente.”

Inscreva-se
As inscrições para a 1ª chamada de doutorado pleno, doutorado sanduíche e pós-doutorado pelo CsF estão abertas até 19 de dezembro. Os editais e as instruções para inscrição estão disponíveis no site www.cienciasemfronteiras.gov.br. Mais informações: 0800-616-161.

Divergência
Na última quinta-feira (27), o senador Aécio Neves (PSDB-MG) apresentou um requerimento no Senado Federal pedindo ao Ministério da Educação transparência no número de bolsas do CsF. O parlamentar questiona os dados divulgados pela presidente Dilma Rousseff no lançamento da segunda etapa do programa, em 25 de junho, quando ela afirmou que havia concedido 83 mil bolsas. Naquela data, no entanto, a informação no site do programa era de que haviam sido concedidas 55.657 bolsas, observou Aécio Neves. Segundo a assessoria de imprensa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), porém, existe uma diferença entre as bolsas concedidas e as bolsas implementadas. O primeiro termo engloba todos os benefícios liberados, incluindo os de pessoas que ainda vão viajar; enquanto o segundo se refere apenas a bolsas de estudantes que já viajaram ou que ainda estão no exterior. De acordo com a Capes, o número de bolsas concedidas até outubro deste ano é de 87.008, enquanto a quantidade de implementadas é de 74.739.


Para treinar a língua
O programa Idiomas sem Fronteiras foi lançado em 20 de novembro para ensinar línguas estrangeiras gratuitamente para universitários. São oito opções: inglês, francês, espanhol, italiano, japonês, mandarim, alemão e português para estrangeiros. Inscrições: isf.mec.gov.br.

 

 

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