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Pequenas notáveis

Geralmente associada ao setor público, Brasília desponta como polo de pequenas e médias empresas %u2014 e de jovens empreendedores com vontade de vencer. Mulheres são maioria entre os donos de pequenos negócios

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postado em 08/12/2014 11:03 / atualizado em 08/12/2014 11:06

As gêmeas Erika e Narayana Reinehr abriram uma clínica de nutrição assim que saíram da faculdade (Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press) 
As gêmeas Erika e Narayana Reinehr abriram uma clínica de nutrição assim que saíram da faculdade


Brasília é a capital dos concursos públicos, mas, no que depender dos moradores, a região tem tudo para se tornar um excelente polo da iniciativa privada. Existem 177.659 micro e pequenos empreendedores no DF — 20.324 a mais do que no ano passado. O valor dos negócios de pequeno porte não deve ser subestimado: dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) revelam que, juntas, as 9,3 milhões de micro e pequenas empresas no Brasil representam 27% do Produto Interno Bruto (PIB), mais de um quarto da média do país — número que vem crescendo nos últimos três anos.
A novidade é que, segundo pesquisa feita em setembro pela Junior Achievement, mulheres encabeçam os pequenos negócios na capital federal. Líderes do sexo feminino somam 63% do total de microempresários na capital. “Homens ainda lideram os rankings de empreendedorismo no Brasil, mas a expressividade desses números demonstra que mulheres estão se tornando cada vez mais competitivas e atuantes”, diz Ananda Carvalho, coordenadora nacional da Confederação Nacional dos Jovens Empresários (Conaje). “A tendência é de que o número cresça.”

Especialista em expansão empresarial, Lorena Bitancourt atribui o crescimento de mulheres investidoras à força do mercado interno brasileiro estruturado pela expansão da classe média. “Gerenciar a própria empresa possibilita que elas consigam conciliar atividades da vida familiar com o trabalho, o que não quer dizer que elas trabalhem menos. Apenas ganham autonomia para escolher seus horários.”
É o caso de Thalita Cesário, 27 anos, proprietária de uma loja de produtos eróticos, a Sensualité. Poder trabalhar com flexibilidade e obter retorno financeiro foi o que motivou a administradora e sexóloga a empreender. “Em Brasília, ter a coragem de seguir um caminho oposto ao do funcionalismo público é desafiador. Nesse sentido, acho que nós, mulheres empreendedoras, somos transgressoras”, defende. Realizada, a profissional afirma que contou com o apoio do marido para dar o pontapé inicial no projeto. “Em outro ramo, eu não teria tido a oportunidade de explorar todo o meu rol de conhecimentos em gestão e, ao mesmo tempo, me dedicar a uma atividade de que gosto”, conta.
As gêmeas Erika e Narayana Reinehr, 35 anos, abriram a clínica Salute, voltada para nutrição esportiva, há 14 anos, quando tinham acabado de concluir a faculdade. Quem teve a ideia foi Erika que, além de nutricionista, é atleta. “Foi o meu interesse pelos esportes que me estimulou a abrir uma clínica de nutrição e saúde”, diz. Apesar de terem prosperado, Erika conta que só sete anos após a inauguração da clínica é que as irmãs participaram de capacitações voltadas ao empreendedorismo. “Hoje em dia, a gente nota que os cursos do Sebrae fizeram diferença. Quando começamos, não tínhamos experiência alguma no negócio, mas a bagagem que adquirimos ao longo dos anos iniciais fez diferença”, ressalta Erika. Com planos de expandir o negócio, as nutricionistas contam com seis funcionários em seu consultório.

Quebrando paradigmas

O nível acadêmico e a idade também são fatores determinantes para os empresários do Distrito Federal: 70% dos micro empreendedores da região possuem curso superior completo — quantidade maior que a média da população brasileira que é de 40% — e 58,8% dos microempresários tem menos de 35 anos. Devido ao interesse por atividades esportivas, Cayo Costa, 22 anos, recém-formado em administração empresarial, decidiu abrir a rede de suplementos Pump. Atualmente, o estabelecimento conta com nove funcionários, divididos em três lojas no Plano Piloto. A fim de expandir os conhecimentos empresariais, Cayo participou de eventos e cursos pró-empreendedorismo. “O curso Empretec do Sebrae me ajudou a pensar mais como administrador, a saber lidar com as dificuldades do negócio e a aprender estratégias de mercado”, relembra.

Recém-formado em administração, Cayo abriu e comanda três lojas de suplementos esportivos (Bruno Peres/CB/D.A Press) 
Recém-formado em administração, Cayo abriu e comanda três lojas de suplementos esportivos


Segundo Rafael Mazarro, da Associação Comercial do Distrito Federal (ACDF Jovem), a tendência é de que, nos próximos anos, Brasília se transforme em um excelente campo para investir no setor privado. Foi o que fez Tiago Dutra, que decidiu abrir o próprio negócio aos 24 anos. A ideia veio enquanto ele ainda estava na universidade. Para se aprimorar, o publicitário participou de cursos e simpósios voltados à gerência empresarial, mas foi em 2009, após voltar de uma viagem à Austrália, que Tiago vislumbrou a ideia para uma empresa. Sem experiência, ele contou apenas com a proatividade e a determinação para aprender os passos que o tornaram um bom empreendedor. Seis anos depois, aos 29 anos, ele é dono de três lojas Sushi Pronto no Plano Piloto e conta com 15 funcionários. “Precisei fazer um planejamento prévio para trabalhar com comida japonesa”, conta. Foi graças a diversos cursos e simpósios voltados para a área que Tiago adquiriu segurança para dar o primeiro passo rumo ao empreendedorismo. “Como investidor, o fator risco foi um desafio — tudo pode dar certo ou não.”

Mulheres

O Brasil tem 9,3 milhões de empresas optantes pelo Simples Nacional (microempreendedor individual, microempresa e empresa de pequeno porte). Dessas, 4,5 milhões são microempreendedores individuais (MEI). No Distrito Federal, são as mulheres que comandam a abertura de empresas individuais (EI). A maior parte dos donos de negócios independentes com faturamento anual de até R$ 60 mil é do sexo feminino. Segundo pesquisa feita pelo Sebrae, no DF, mulheres integram 56% de pequenos empresários — superando a média nacional de 47%.

Nova data

Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino
» Lançado simultaneamente em 144 países, o Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino foi criado em 19 de novembro em Nova York, resultado de parceria entre a Semana Global do Empreendedorismo, a Fundação das Nações Unidas e o Departamento de Estado Norte-Americano.

Negros

Segundo o Sebrae, 49% dos microempresários brasileiros são negros. O total representa um crescimento da participação afrodescendente de 29% nos últimos 14 anos. Entre os empreendedores brasileiros que se autodeclaram negros, 32% são mulheres com escolaridade acima de 8 anos e, de acordo com Alessandro Pires, coordenador de Projetos do Sebrae, o percentual tende a crescer. "Mulheres, em geral, têm o perfil cada vez mais competitivo. Com novas possibilidades, nós acreditamos que a inclusão de minorias em projetos de apoio podem revelar o grande potencial que as negras possuem para movimentar a economia", diz.
 
 
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