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Problema é solução

Para o diretor executivo de Esportes do Comitê Olímpico do Brasil, na hora de resolver questões, o profissional não tem escolha a não ser enfrentar a adversidade. Situações complicadas podem ser sinônimo de crescimento

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postado em 22/12/2014 10:55 / atualizado em 22/12/2014 11:02

Ana Paula Lisboa

Wendell, Marilyn e Daniel são estimulados a procurar soluções sozinhos (Paula Rafiza/Esp.CB/D.A Press     ) 
Wendell, Marilyn e Daniel são estimulados a procurar soluções sozinhos


Problemas são sempre negativos? Não necessariamente. Para Marcus Vinicius Freire, diretor executivo de Esportes do Comitê Olímpico do Brasil (COB), eles devem ser encarados como oportunidades. No recém-lançado livro Resolva!, ele traz dicas de como agir antes, durante e depois do problema (veja quadro) e defende que situações complicadas se tornam um trampolim para o crescimento. Portanto, é necessário ter coragem e até gostar de enfrentar adversidades. “Se você tem ambições, projetos desafiadores prontos para sair do papel e quer deslanchar em sua carreira e a empresa em que trabalha, tem de gostar de tempestades. E quero convidá-lo a tomar chuva. Uma chuva torrencial”, estimula.

O bordão “Resolva! Isso faz parte do jogo” — frase que Freire ouviu do pai aos 11 anos quando estava indo mal na escola — foi repetido para si mesmo e para equipes que coordenou e deu origem ao livro que pretende estimular e instruir gestores e outros profissionais a desatarem qualquer nó — afinal, resolver problemas é imprescindível não apenas para quem é responsável por missões olímpicas com delegações de mais de 500 pessoas, mas também para todos que almejam subir grandes degraus na vida pessoal e profissional. Entre as adversidades enfrentadas por Marcus Vinicius Freire, estão o acidente que lesionou a coluna da ginasta Lais Souza, em janeiro deste ano, e a ameaça de que Guga Kuerten não participaria dos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000. Com a organização dos Jogos Olímpicos Rio 2016, certamente, enfrentará outras tempestades, mas está pronto para lidar com elas.

Em 24 anos em posições de liderança — 16 como executivo do mercado financeiro, 10 como chefe de delegações olímpicas brasileiras e seis como diretor executivo de Esportes do COB —, Marcus Vinicius Freire lidou com essas e outras grandes questões, aprendeu a não ter medo dos problemas e compreendeu que não há alternativa a não ser resolver a questão e assumir a responsabilidade. “Grandes empresas, grandes projetos e, principalmente, grandes profissionais enfrentarão grandes problemas se quiserem ser realmente grandes,” afirma.

 

Marcus Vinicius Freire, do COB (Comitê Olímpico do Brasil / Divulgação) 
Marcus Vinicius Freire, do COB

É preciso gostar
Assim como Marcus Vinicius Freire, Roberto Shinyashiki, empresário, palestrante e doutor em administração de empresas pela Universidade de São Paulo (USP), defende que revezes sejam vistos como oportunidades. “O profissional tem que ter a atitude que eu chamo de ‘Problemas? Oba!’. Quanto maior for o número de pessoas que ajudar, mais sucesso ele fará, e a melhor forma de ajudar as pessoas é resolver os problemas que as afligem”, orienta o psiquiatra com experiência em assessoria empresarial. Essa também é a visão de Carlos Diniz, coordenador do curso de administração da Estácio Facitec. “Assim como nas competições esportivas, o mercado procura pessoas com habilidade de solucionar problemas e de tornar a situação melhor do que estava antes do problema. É preciso compreender que, para a carreira, problema não é problema, é solução”, decreta. Para conseguir tal proeza, Diniz acredita em capacitação. “Determinadas formações permitem experimentar a busca de soluções por meio de estudos de caso e simulações que demandam atitude imediata,” sugere.

Evitar é resolver

Um dos primeiros grandes problemas que Marcus Vinicius Freire enfrentou no COB veio de madrugada. “Estou em casa, dormindo, quando toca o telefone. Do outro lado da linha, alguém me diz: ‘Os cavalos não cabem no avião!’”, recorda, referindo-se ao embarque dos animais que participariam das provas de hipismo dos jogos Pan-Americanos de Winnipeg em 1999. O comitê tentou levar os cavalos num avião militar cedido a preço de custo. A manobra parecia uma boa saída, mas foi um erro que teve de ser contornado às pressas, trouxe mais gastos e envolveu muitos riscos. Hoje, há um especialista responsável pelo embarque dos cavalos. A lição que a experiência deixou é a de conter atribulações antes que ocorram. “Quem não abraça o problema antes, durante e depois, fracassa com mais facilidade. É aquela tal história: a melhor maneira de resolver problemas é evitá-los.”

Prevenir adversidades é a tática da assessora estratégica de Recursos Humanos da Brasal Holding Marilyn Joos, 51 anos, no trabalho. “Com mais maturidade na carreira, comecei a ter uma visão sistêmica para antecipar questões. O problema nem chega a acontecer porque é antecipado”, afirma. Quando a complicação não pode ser evitada, o gerente de Tecnologia e Projetos Daniel Leandro, 34, conta com saídas preparadas. “Alguns problemas estão dentro de um mapeamento, são mais cotidianos e previsíveis: para esses, deixamos respostas prontas, e eles são resolvidos logo”, explica. “Para questões mais estratégicas, consulto a opinião de especialistas. Quando preciso levar um transtorno à chefia, apresento, no mínimo, duas possibilidades de solução.”

Liderança e equipe
“Não basta você se convencer de que os problemas são passaportes para o sucesso: é preciso trazer seu time para essa nova mentalidade. Uma crise tem de ser superada com vários agentes trabalhando juntos”, explica Marcus Vinicius Freire. Ele aposta que um líder tem que engajar a equipe na direção correta e saber escalar o estafe a dedo: é preciso identificar não só quem é capaz de resolver, mas também quem pode causar problemas. Ele alerta que muitos aborrecimentos são provocados pela própria equipe, por isso o gestor tem que conhecer os funcionários e perceber quais perfis reter (como os gerenciadores de talentos, os jovens inovadores, os pragmáticos, os planejadores e os especialistas) e quais evitar (como os baba-ovos, os dramáticos e os pessimistas) — categorias estabelecidas por Freire.

Para o autor, “um bom gestor é aquele que, acima de tudo, tem talento e expediente para ‘descascar abacaxis’, criar estratégias para atingir as metas e dar as melhores soluções para as questões que aparecem.” A resolução, porém, não precisa partir apenas do chefe. “Os bons líderes são capazes de fomentar a solução dos problemas por parte da equipe sem uma relação de dependência. As soluções do bom líder não vêm necessariamente dele: podem vir de baixo para cima”, acredita Carlos Diniz. “As empresas que não têm funcionários resolvedores não crescem no mercado. Primeiramente, é preciso ensinar pelo exemplo, que deve vir de cima”, complementa Marcus Vinicius Freire.

Essa é a aposta do diretor financeiro corporativo da Brasal Holding, Wendell Queiroz, 40 anos. “Os funcionários são estimulados a apresentarem sugestões. Incentivamos um perfil mais autônomo e intraempreendedor. A pessoa não deve se conformar e esperar que o líder apresente a solução”, observa. No entanto, Wendell Queiroz ressalta que isso não significa que os trabalhadores não devam conversar sobre os problemas com a chefia. “Se você fala para o profissional não trazer problemas, acaba fechando um canal de comunicação”, diz. Chefes que pedem que os funcionários não tragam problemas sofrem ainda outros prejuízos, como explica Roberto Shinyashiki. “Ele perde uma chance de ser parte da solução do problema e corre o risco de que a situação acabe sendo resolvida por pessoas que talvez não tenham a visão e o conhecimento amplo de um líder, o que gera riscos.”

Leia

 (Editora Gente/Reprodução) 


Resolva! : transforme problemas em grandes oportunidades e tenha uma empresa campeã
De Marcus Vinicius Freire
Editora Gente
160 páginas
R$ 29,90

 

 

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