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Correio Braziliense

Hora de fazer acontecer

A virada do ano traz um sentimento de renovação, que inspira a famosa lista de objetivos. Pegue lápis e papel e fuja da procrastinação

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postado em 29/12/2014 10:23 / atualizado em 29/12/2014 10:39

Kelsiane Nunes /Especial para o Correio

Paula Rafiza/Esp. CB/D.A Press - 5/11/14
Para muitos, o começo do ano é tempo de refazer planos e objetivos. Em 2015, a professora de sociologia Renata Andrade pretende começar o doutorado. O analista de sistemas Rai Medeiros foca no planejamento da empresa de publicidade que sonha em abrir. Já a estudante Juliane Lima almeja encontrar-se profissionalmente na área de tecnologia da informação. Para realmente conseguir concretizar esses planos, especialistas alertam que é preciso ter foco e motivação para não abandonar os propósitos ao longo do tempo.

Palestrante motivacional e autora do livro Motivação sem truques, Meiry Kamia afirma que o desafio é manter o ânimo até o fim do ano. “O grande problema é que a síndrome do ano-novo leva as pessoas a fazerem um balanço do ano que está acabando. Por vezes, a autoavaliação mostra que as metas não foram cumpridas, então, vêm a frustração e o desânimo, que podem desmotivar a pessoa a levar à frente seus objetivos”, explica. Para vencer a falta de ânimo, a especialista adverte que é preciso traçar uma estratégia. “O sonho é um desejo, mas, quando recebe um prazo, transforma-se em meta. A maioria das pessoas só sonha e não concretiza aquilo que pensa. É preciso fazer um plano de objetivos”, sugere.

Sem sabotagem

Na busca pela realização profissional, Juliane Lima, 24 anos, deu início a várias empreitadas. Ela se formou em gastronomia, trabalhou como cozinheira, depois passou a se dedicar aos concursos públicos e ainda atuou como sommelier. Agora, faz curso técnico de programação no Instituto Federal de Brasília (IFB). Até chegar à conclusão de que queria trabalhar com tecnologia de informação, desistiu e adiou muitos planos. “Quando não gostava do que estava fazendo, eu me sabotava. Principalmente quando estudava para concursos. “Na verdade, eu não me dedicava, empurrava com a barriga. Mas agora é diferente, estou bem empenhada e amando o curso”, garante. “Realização, para mim, é trabalhar com uma coisa de que eu goste e que me dê retorno financeiro suficiente para sobreviver”, completa.

“A autossabotagem ocorre quando você deseja algo, mas, inconscientemente, não se sente capaz ou tem dúvidas de que realmente poderá cumprir o que determinou”, explica Meiry no livro Motivação sem truques. Para fugir disso, é importante  forçar-se a cumprir metas e buscar o autoconhecimento. “Se você não conhece seus pontos fracos e fortes, não consegue reconhecer seu potencial”, diz a especialista. Juliane sonha  morar no Canadá, mas não está segura de que conseguirá. “Talvez eu me autossabote com o processo de migração. Às vezes, acho que, inconscientemente, me atrapalho por não ter certeza absoluta se quero mesmo ir”, admite.

 

Pedras no caminho
Para a especialista em gestão de pessoas e professora do Departamento de Administração da Universidade de Brasília (UnB) Débora Barem, o ponto de partida para traçar metas é a autoavaliação. “É preciso arrumar o presente para planejar o futuro. Fazer uma análise sobre os motivos pelos quais os objetivos programados para este ano não se cumpriram. Quando se faz esse diagnóstico, fica muito mais fácil fazer uma projeção. Outra coisa importante no planejamento é assumir riscos hoje para conseguir o resultado futuro e descobrir o que é preciso fazer agora para alcançar algo depois”, salienta.

Foi com esse pensamento que a professora Renata Andrade, 25 anos, viajou para Brasília para tentar uma vaga no programa de doutorado em sociologia na Universidade de Brasília (UnB). “Meu interesse de pesquisa é o consumo da cultura, o interesse do brasileiro na arte de forma geral. Soa meio ganancioso, mas minha intenção é  ampliar essa área de pesquisa no país. Então, dar aula não deixa de ser uma forma de ampliar a discussão”, explica. Ela pretende conquistar uma vaga de professora em uma universidade pública.“Na prática, o doutorado é um pré-requisito para ser professor em instituição pública. Qualquer profissional que passa em concurso sempre tem doutorado. É uma área competitiva em que a titulação faz toda a diferença”, completa.

Renata dá aulas em uma instituição de ensino superior particular em Remígio (PB). Ela se diz realizada, mas os dilemas na área acadêmica fizeram Renata se abater. “Além de não ser algo muito valorizado, as discussões  nessa área no Brasil são muito baseadas em bibliografia atrasada. Promover uma discussão nova, às vezes, é difícil. O desânimo é certamente um sentimento frequente na vida acadêmica”, lamenta.

Na vida profissional, os problemas podem acabar se tornando tão grandes que, às vezes, a pessoa se esquece do caminho que tinha decidido seguir, defende Meiry Kamia. “Ao entrar em contato com as adversidades no trabalho, a gente acaba colocando as metas pessoais de lado e focando apenas nos problemas”, comenta. “A falta de foco é a principal razão para a desmotivação e o abandono das metas”, alerta. Para não se perder no caminho e desistir, Meiry afirma que não se pode esquecer do objetivo principal. “Se a pessoa não se lembrar da meta todos os dias, dificilmente conseguirá ter uma razão para trabalhar”, acredita. Essa é justamente a postura de Renata. “Nessas horas de desânimo, ainda fica aquela sensação de que é difícil, extremamente cansativo e que dá trabalho, mas é nisso que quero trabalhar”, assume.

Estabeleça prazos

No livro 100 maneiras de motivar a si mesmo, o coach americano Steve Chandler prega que “para ter uma vida motivada, você precisa de algo que o anime a se levantar da cama pela manhã”. Em busca desse entusiasmo, o analista de sistema Rai Medeiros, 24 anos, decidiu se tornar designer. “Na metade da faculdade de ciência da computação, percebi que não era exatamente o que eu queria, mas decidi finalizar o curso. Sempre gostei das áreas mais visuais e gráficas. Quando fui buscar uma nova graduação, a área de identidade visual chamou a minha atenção”, justifica. Atualmente, ele concilia a faculdade de design gráfico com o emprego terceirizado na área de desenvolvimento de portais corporativos na Câmara dos Deputados.

Carlos Moura/CB/D.A Press - 6/11/14
Para o próximo ano, Rai pretende colocar em prática o plano de abrir uma agência de publicidade com amigos. “Estamos na primeira etapa do processo, vendo questões burocráticas. Pretendemos estabelecer um caminho a seguir no ano que vem”, explica. Porém, o grupo ainda não tem data definida para a criação da empresa. “Se for inviável financeiramente, a gente segue com os projetos individuais e no futuro retoma a ideia”, planeja o analista. Wang Shing, master coach da 4coach, explica que, para conseguir alcançar o objetivo, é preciso delimitar prazos. “A meta é uma medida para alcançar o sonho. Ela precisa ser bem definida e ter uma data para ocorrer”, explica. Wang dá um conselho para Rai: “É possível alcançar o sonho, porém, quanto mais tempo levar, maior será a demora para concretizá-lo. Quanto antes você concluir o ciclo de planejar e abrir a empresa, maiores são as chances de implementar o investimento”.

Assuma o desafio
A master coach Wang Shing alerta que um dos principais vilões para a execução das metas é a procrastinação. “Boa parte das desculpas que criamos não é verdadeira. É perigoso, porque criamos uma zona de conforto. A gente se autoriza a não fazer as coisas. Mas trata-se de uma questão de prioridades”, afirma. Para driblar o desejo de adiar as decisões, uma mudança de atitudes é necessária. “Normalmente, a gente procrastina coisas difíceis. É preciso assumir o desafio e torná-lo fácil, construindo uma opção para isso. Por que não começar logo e encará-lo?”, incentiva. “Reflita sobre o que você quer, caso contrário, o ano será igual ao passado. Além de fazer um plano de ação, é imprescindível se empenhar nele”, alerta a especialista em gestão de pessoas Débora Barem. Para atingir os objetivos, é necessário traçar prioridades. “O tempo é escasso e, às vezes, essa é a desculpa para não realizar metas. É preciso sair da zona de conforto e ter atitudes concretas. Por exemplo, você acha que deveria ler um livro para se capacitar, mas gasta o tempo de forma inadequada. É preciso elencar o que é mais importante”, aconselha.

Fuja da acomodação em oito passos:

1- Pegue papel e caneta
2- Reserve um tempo para ficar sozinho em um ambiente tranquilo
3- Trace metas de curto, médio e longo prazos
4- Atente-se para que as metas sejam honestas e realistas
5- Analise sua vida e projete o futuro
6- Descreva as metas com a maior precisão possível
7- Pendure-as e visualize as metas por, pelo menos, sete dias
8- Faça um trabalho criativo com base nas metas, como um cartaz

Fonte: livro Motivação sem truques, de Meiry Kamia.