SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

NEGOCIAÇÃO »

A hora daquela conversa

Pedir aumento é uma tarefa desafiadora, mas não pode ser motivo de constrangimento. O profissional deve se preparar com argumentos e demonstrar motivação para crescer na função e na empresa

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 05/01/2015 11:23 / atualizado em 05/01/2015 11:29

Entre os assuntos mais delicados para se tratar com o chefe, o aumento salarial certamente está no topo da lista. Mas, quando o funcionário percebe que poderia receber melhor remuneração pelo trabalho ou ser promovido para assumir outras responsabilidades, é preciso coragem para encarar essa conversa. Jean Leonel de Souza, 31 anos, era estoquista e buscava uma promoção para se tornar vendedor na loja de calçados em que trabalha. “É difícil abordar esse assunto, porque eu não sabia o que enfrentaria e isso me deixou apreensivo”, conta. Especialistas defendem, porém, que, se o profissional demonstrar produtividade e compromisso, a conversa pode trazer bons frutos.

O caso de Jean foi bem-sucedido, e ele foi promovido há um mês. Além de ganhar um salário maior, ele fatura mais com comissão nas vendas. Pouco depois de começar a trabalhar no estoque, o próprio gerente apontou que o funcionário tinha habilidades de comunicação que poderiam torná-lo um vendedor. “A princípio, o ramo era desconhecido para mim, por isso preferi conhecer mais sobre a função e fazer o pedido apenas quando me senti preparado.” O gerente, Francisco da Silva, 37 anos, que está há 17 na mesma empresa, também começou como estoquista, foi vendedor e hoje exerce cargo de gestão. “A empresa dá chance para todos, mas é preciso mostrar trabalho.”

Esse é o primeiro ponto para quem deseja um aumento salarial. Muito antes de considerar o pedido, o funcionário precisa mostrar atuação além das expectativas e demonstrar interesse em crescer na empresa. “O aumento não é para quem faz o arroz com feijão, é para quem faz mais, mostra criatividade e inovação no trabalho”, afirma Fátima Mangueira, coach empresarial e diretora de RH da Mira Recursos Humanos.

Foi exatamente o desempenho acima da média do estagiário Adriano Lira, 25 anos, que garantiu a promoção para professor na academia em que trabalha. “Eu sempre demonstrei a minha intenção de continuar na empresa e procurei aceitar novos desafios para conquistar mais espaço”, conta. O gerente Marcus Silvério, 30 anos, confirma: “Ele chegou bem preparado e interessado em aprender. O perfil de atendimento dele é um dos melhores da academia. Adriano é proativo na hora de resolver os problemas dos alunos.”

O fator econômico
Ainda que o desempenho do funcionário seja excepcional, outro aspecto a levar em consideração na hora de pedir um aumento é a situação econômica do setor. “O aumento depende muito da atual conjuntura da empresa e do mercado, mas dados para o próximo ano são bem pessimistas”, alerta Lourdes Scalabrin, diretora estratégica do grupo empZ. Oficialmente, o Brasil deixou a recessão técnica, mas o crescimento ainda é modesto. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu apenas 0,1% no último trimestre em comparação com o trimestre anterior. É um número que pode dificultar o aumento salarial. No entanto, Lourdes explica que períodos de recessão também podem trazer surpresas. “Nesse período, as pessoas são impulsionadas a fazer mais com menos, há uma tendência à reestruturação e ao melhor aproveitamento dos profissionais. É normal que um funcionário assuma outras responsabilidades e possa ser promovido”, afirma.

Bons argumentos
O pedido de aumento deve ser feito em reunião formal com o gestor, em um momento em que o funcionário não possa ser interrompido. “Comece a conversa falando sobre seus resultados, boas métricas, feedbacks internos ou de clientes, para embasar a solicitação”, indica Leonardo Libman, sócio da consultoria em recursos humanos MSA. Ele também recomenda que o funcionário acesse consultorias que fazem análise de cargos e salários para entender como empresas de mesmo porte pagam aquela função e se arme com números que possam ser usados na argumentação.

“Critérios como produtividade, evolução de desempenho, cumprimento de metas e entrega consistente e qualitativa são muito mais efetivos do que tempo de trabalho, pontualidade ou carga horária”, explica Libman. O vendedor Jean Leonel de Souza trouxe para a reunião com o chefe a questão familiar. “Meu principal argumento foi falar sobre a necessidade de um salário melhor, e disse que sou uma pessoa que gosta de trabalhar e quero me esforçar para chegar ao topo.” Apesar de ter funcionado, esse tipo de argumentação não é recomendada. “Pedir aumento por necessidade financeira não é adequado. Não se deve falar de problemas pessoais ou dívidas: o foco é o desempenho”, aconselha a coach Fátima Mangueira.

É importante ter em mente que o aumento salarial e a promoção não são prêmios, mas sim uma confirmação do compromisso com maiores responsabilidades. “O funcionário deve demonstrar expectativas no trabalho, mostrar que está interessado, motivado e que vislumbra novas oportunidades”, explica Fátima. No caso de a resposta ao pedido ser negativa, ela recomenda que a pessoa esteja preparada para ouvir. “Vai haver um feedback. Às vezes, o funcionário acha que está muito bem, mas o gestor mostrará pontos a melhorar. O bom funcionário não se desmotiva: ele usará essas informações para agregar ao serviço.”

Para Fátima, o pedido não deve causar constrangimentos. “Não é desagradável pedir um aumento, na verdade, é bem-visto. Isso mostra que o funcionário quer assumir novos desafios, que ama o que faz e que está dedicado a melhorar. A diretoria pode ver a situação como um investimento.”

publicidade

publicidade