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PERFIS DE SUCESSO//ELIANE MARIA DE OLIVEIRA FERNANDES »

De faxineira a empresária

Há sete anos, brasiliense montou agência de diaristas em Águas Claras, e o negócio tem crescido com a cidade

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postado em 12/01/2015 10:47 / atualizado em 12/01/2015 09:49

Ana Paula Lisboa

André Violatti
Com o marido, Eliane Maria de Oliveira Fernandes, 39 anos, trabalhou num quiosque por sete anos, até o local ser fechado. Para atravessar o período de desemprego, começou a fazer faxinas. Durante quatro meses, trabalhou em diversos apartamentos em Águas Claras e percebeu uma oportunidade de mercado na dificuldade das patroas para encontrar diaristas. A semente da ideia, porém, veio do marido. “Ele sugeriu que eu abrisse um negócio na área, mas eu levei sete meses para tomar coragem. Demorei também para planejar tudo direitinho”, lembra. Com a ajuda de um contador, ela montou a agência A Diarista num pequeno escritório na Quadra 301.

Para encontrar funcionárias, contou com indicações de antigas patroas e de conhecidos. Hoje, a empresa tem 20 profissionais cadastradas. Na hora da contratação, são pedidos documentos como ficha criminal, além de referências. “A maioria das diaristas é de Águas Lindas, e atendemos em Águas Claras, Arniqueiras, Areal e regiões próximas”, explica. Apesar de não saber quantos clientes conquistou ao longo dos anos, Eliane garante que não falta trabalho. “Tenho fregueses que estão comigo desde o começo e outros mais recentes. A maioria chega por indicação: o boca a boca é fundamental. Todo dia tem diarista nas casas, com exceção de domingo. A cada dia, tenho 10 ou mais trabalhando”, diz.

O lucro de Eliane é de 30% sobre a diária e, segundo ela, traz mais segurança para domésticas e contratantes. “Às vezes, a cliente acha que vai lucrar se contratar sem uma agência, mas meu trabalho é facilitar a vida dela e das trabalhadoras. Comigo, as diaristas têm a vantagem de contar com serviço todos os dias. Para quem contrata, o benefício é encontrar alguém de confiança e a garantia de um trabalho bem feito.” O grande diferencial de A Diarista está na supervisão. “A faxina é detalhada, puxando móveis, limpando dentro e fora de armários e vidros... Depois da diária, se a cliente autorizar,  inspeciono a casa para saber se a faxina foi bem feita. Se houver qualquer problema, corrigimos na hora..”, conta.

Rotina
De família baiana, a empresária passa o dia atendendo telefonemas e agendando diárias. Ainda assume função de motorista e leva as diaristas ao local de destino. Além do trabalho na agência, Eliane é caixa no restaurante do marido no horário de almoço. Ainda sobra tempo para dar atenção aos filhos de 6 e de 20 anos. O expediente na empresa é das 9h às 18h, mas as horas trabalhadas ultrapassam o período. “O telefone não para. Em casa, à noite, nos fins de semana… Tem gente que acha que ser empresário é tranquilo, mas não é. Tenho que trabalhar muito mesmo. Tudo está nas minhas costas. Sou muito cuidadosa e estou o tempo todo resolvendo problemas”, revela.

“A minha agência foi a primeira de Águas Claras e continua aqui. Só no ano passado, abriram cinco concorrentes e todas fecharam porque é um ramo complicado. Lidar com gente não é tarefa simples”, admite. Um dos grandes problemas é a instabilidade da mão de obra. “Muitas vezes, elas faltam sem dar satisfação e sem avisar. Tenho que correr para não deixar o cliente na mão e sempre me esforço para mandar outra pessoa no lugar. É muita dor de cabeça”, afirma.  Por isso, Eliane prioriza as férias anuais. “Já pensei em desistir muitas vezes por causa das dificuldades e do estresse da função. Todo ano, faço questão de ir à praia e recarregar as energias para dar conta de tudo.” Apesar dos problemas, a empresária não troca o negócio por nada. “É muito trabalho — bem mais do que se eu tivesse um emprego —, mas ser seu próprio patrão é muito recompensador. Empreender vale a pena, com certeza. Eu gosto do que faço e não falta serviço, então está muito bom”, finaliza.

 

“É muito trabalho — bem mais do que se eu tivesse um emprego —, mas ser seu próprio patrão é muito recompensador. Empreender vale a pena, com certeza”
Eliane Maria de Oliveira Fernandes

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