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Educar para o país crescer

As escolas públicas e as instituições de ensino superior não preparam para o primeiro emprego e travam o crescimento econômico nacional. Essa é a percepção dos brasileiros revelada em pesquisa

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postado em 18/01/2015 12:31 / atualizado em 18/01/2015 11:33

Carlos Moura
A baixa qualidade da educação prejudica o crescimento econômico do Brasil. É o que afirmam 85% dos participantes da pesquisa Retratos da sociedade brasileira — educação básica, da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O estudo, divulgado em dezembro de 2014, ouviu 2.002 pessoas em 142 municípios. Segundo o relatório, a educação pública nos níveis fundamental e médio dificulta o avanço econômico porque o conteúdo oferecido não prepara o aluno para o primeiro emprego: 42% julgam os estudantes de escolas públicas despreparados ou pouco preparados para ingressar no mercado de trabalho. Os entrevistados consideram português e matemática as disciplinas mais importantes e acreditam que as escolas têm falhado no ensino desses conteúdos. Os resultados da edição de 2014 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) sustentam as afirmações: a média de matemática (473,5 pontos) caiu 7,3% com relação ao ano anterior, e, entre os mais de 6 milhões de participantes, 529.374 tiraram zero na redação, e apenas 250 alcançaram a nota máxima no texto.

Renato Pimentel, diretor do Instituto de Pós-Graduação (Ipog) em Brasília, concorda com a pesquisa da CNI. “Os jovens não aprendem o necessário para começar a trabalhar, e mais anos dentro da escola não garantem um bom aprendizado”, pondera. Ele acredita que a baixa qualidade da escola é resultado da falta de capacitação dos educadores. “Os professores estão desatualizados, pois são resultado da mesma educação básica insuficiente. O ensino médio está defasado. Os empresários é que ensinam os alunos na prática, quando eles já estão trabalhando.” Alfeu Rosa Júnior, 36 anos, é exemplo disso. Proprietário de uma empresa de telefonia, ele enfrenta dificuldades para contratar profissionais qualificados em Brasília. Atualmente, Alfeu investe no treinamento de cinco estagiários para futuras contratações na área de informática para telecomunicações. “Por mais que eu perca dinheiro agora com o treinamento, se não tiver funcionários qualificados, que saibam manusear as ferramentas e entender os sistemas, a empresa não terá crescimento no futuro”, admite.

Lacuna universitária

Os resultados negativos vão além da educação básica. Depois da formatura, os universitários são julgados como pouco preparados ou despreparados por 31% dos entrevistados, e como razoavelmente preparados por 42% dos participantes da pesquisa. Para Márcio Guerra, gerente de Estudos e Prospectiva da CNI, é necessário que o ensino superior seja a última etapa de uma formação iniciada no jardim de infância, que englobe conhecimentos básicos, profissionais e comportamentais. “A graduação ainda apresenta componentes muito abstratos em relação à demanda empresarial, além de ter que suprir a deficiência herdada do ensino básico. A indústria necessita de uma formação voltada para a realidade. O aluno pode ser bom em química e física, mas não aprende na escola que as reações podem se desdobrar em produtos importantes para a indústria de fabricação de plástico, por exemplo. Falta conhecimento aplicado”, observa. Para 80% dos entrevistados, mais anos de estudo levam a um nível maior de renda pessoal. Apesar de o brasileiro associar os melhores salários aos mais altos graus de instrução, Márcio Guerra explica que não há garantia de empregabilidade. “Conforme a oferta de empregos aumenta, nota-se a abertura de vagas no caminho contrário, ou seja, migrando para o nível técnico. As oportunidades para cargos de chefia são menores.”

Ensino técnico
Quase 90% dos entrevistados defendem a oferta do ensino médio associada a um curso profissionalizante. Ana Maria Lopes, 23 anos, estudou a vida inteira em escola pública e encontrou no curso técnico em eletrotécnica da Escola Técnica de Brasília (ETB) uma oportunidade de colocação profissional e de contribuir com a renda familiar. “Até penso em fazer faculdade, mas entrei no curso técnico para conseguir emprego e pagar o curso com meu dinheiro.” Segundo Ana Maria, o ensino básico não a ajudou a entrar no mercado de trabalho. “As matérias da escola não servem para quase nada na rotina. Aqui nós aprendemos na prática”, percebe. O perfil de Ana Maria é recorrente no setor de matrículas da ETB. De acordo com o vice-diretor, Adão Noé, mais de 80% dos 4,2 mil matriculados são de escolas públicas. A taxa de empregabilidade após uma formação técnica é boa. “90% dos alunos, quando terminam o curso, ou estão estagiando ou já conseguiram emprego.”

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