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FERNANDA ADRIANA DIAS GOMES »

Perfis de sucesso

Empresária do DF enfrentou muitos obstáculos para lançar a própria marca de roupas há cinco anos

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postado em 26/01/2015 11:23 / atualizado em 26/01/2015 11:27

Ana Paula Lisboa

Estilista premiada

A sala ampla, localizada no Jardim Botânico, é repleta de máquinas de costura e vários tipos e cores de tecidos e linhas. Nas paredes, estão quadros com prazos de entrega, metas mensais, avisos e lembretes. Logo na entrada, é possível ver a arara que expõe belas peças de vestuário. Assim é o ateliê da estilista Fernanda Adriana Dias Gomes, 32 anos, criadora da marca brasiliense Difuzi. “O nome vem do esperanto e quer dizer propagar”, explica. Com uma equipe fixa de cinco pessoas e dois colaboradores eventuais, a mineira tem 784 clientes registrados, divididos entre Distrito Federal, Minas Gerais e Rio de Janeiro. No DF, fornece produtos para três lojas em Taguatinga, em Sobradinho e na Asa Norte. As roupas também são vendidas numa loja em Fortaleza e em seis estabelecimentos em Minas Gerais.

“As coleções são vastas e variadas, e o público-alvo são mulheres de 25 a 50 anos”, afirma Fernanda. A cada coleção, são 60 ou 100 obras produzidas. No total, a estilista confeccionou cerca de mil. O trabalho é sempre inspirado em algum tipo de arte, como grafite, mosaicos, barroco mineiro, dobraduras em papel e esculturas.“Toda roupa que eu faço, por mais simples que seja, tem algum diferencial. É isso que ganha muitos clientes.” O fato de Fernanda fazer ajustes, dar garantia de troca, fazer entregas por correio e oferecer outros serviços específicos também agrada ao público. Até as peças são batizadas para cativar as compradores. “Cada roupa tem um nome de mulher. Muitas vezes, dou o de uma cliente”, diz.

A Difuzi acumula participações em eventos como Fashion Rio e Capital Fashion Week. Foi premiada duas vezes pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Em 2011, conquistou o Prêmio de Competitividade para Micro e Pequenas Empresas (MPE) e, em 2014, ganhou o primeiro lugar da etapa regional do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios. A empresária acredita que o reconhecimento é fruto da dedicação. “Os obstáculos são diários, mas eu acreditei em mim mesma. Acompanho a produção de tudo e me atualizo sempre. Tenho um sistema computadorizado, em que estão cadastrados todos os produtos. Frequentemente, gero relatórios de produtividade”, conta.

A carga horária de Fernanda varia de 12 horas a 14 horas por dia, mas ela não se cansa. “Para mim, é como um hobby porque é o que gosto de fazer”, diz. “Cobro um preço que considero justo. Não dá para comparar com valores praticados em São Paulo, por exemplo, porque aqui tudo é exclusivo, com acabamento bem feito e riqueza de detalhes”, garante. Desde 2009 no mercado, a empresária avalia que a marca dá retorno, mas poderia ser melhor. “A lucratividade é média. Estamos num período instável da economia e é difícil encontrar mão de obra qualificada.”

Superação
Quem conhece a empresária e observa seu talento e sua determinação não imagina que Fernanda passou por muitas dificuldades para estudar e para montar a própria empresa. Natural de Congonhas (MG), ela nasceu numa família em que as mulheres eram criadas para serem donas de casa. “As filhas não recebiam o mesmo tratamento que os homens: meu pai acreditava que elas nem precisavam estudar”, lembra. Tudo que Fernanda ouvia sobre o papel feminino, porém, serviu para fortalecer a vontade de ter sucesso e de ser empresária. “Minha mãe costurava em casa e, desde pequena, eu desenhava peças de roupa. Minha primeira professora viu alguns croquis e disse que eu seria estilista — apesar de isso nem existir no interior. Decidi que queria ter minha própria marca ainda na infância”, lembra. “Eu ouvia muitas coisas machistas que machucavam, mas minha vontade era mais forte e me deu forças para persistir. Em tudo que faço, sou extradedicada e não paro até terminar. Dou o máximo de mim.”

Para fazer faculdade de moda, Fernanda fugiu para Belo Horizonte. “Com as economias do meu primeiro trabalho, paguei a matrícula e meu primeiro aluguel. Como o curso era à tarde, consegui um emprego noturno. Trabalhava das 20h até o dia clarear. Dormia apenas algumas horas e ia para a faculdade.” Há 10 anos, Fernanda se casou e veio morar em Brasília, onde terminou o curso de moda. “Durante a graduação, trabalhei em lojas de roupa. Fui caixa, vendedora e gerente — experiências importantes para meu ramo de atuação. Assim que me formei, larguei o emprego para montar meu próprio negócio. Comecei desenhando e produzindo uniformes para empresas.” As roupas femininas vieram depois, marcadas por riqueza em detalhes. “Hoje, tudo isso é motivo de muito orgulho para minha mãe”, finaliza.

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