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Sangue novo

Sinônimo de juventude e inovação, as startups somam mais de 10 mil empresas no Brasil e atuam em diversos nichos. Para os jovens empresários, mais que ter uma ideia brilhante, o grande desafio é se consolidar no mercado depois do crescimento acelerado

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postado em 02/02/2015 10:46 / atualizado em 04/02/2015 13:36

Isabela Bonfim /Especial para o Correio , Ana Paula Lisboa

Carlos Moura
Empresas criadas e geridas por jovens, com orçamento enxuto e uma pitada de inovação. O termo startup está cada vez mais popular, assim como os negócios desse estilo, que já são mais de 10 mil no país, segundo organizações da área. “A expressão define negócios em fase inicial, que desenvolvem produtos ou serviços inovadores, com potencial de rápido crescimento”, explica Vinícius Machado, gestor de Projetos da Associação Brasileira de Startups (ABStartups). São empreendimentos que buscam um modelo que possa ser replicado com facilidade e que atinja rapidamente um número grande de clientes a custos relativamente baixos. As similaridades de organizações do tipo terminam por aqui. Os poucos levantamentos que tentaram mapear o perfil de startups no Brasil demonstram que a maior parte  delas está no Sudeste e que elas são muito diferentes entre si. Apesar de a nomenclatura ser a mesma, os mercados atingidos, os modelos de negócios adotados e os produtos oferecidos são diversos.

Embora a maioria das empresas do tipo opere no nicho de soluções digitais, não existe nenhum mercado que concentre esses negócios, e as atividades se dividem em diferentes áreas, como e-commerce, aplicativos para internet, construção civil e eventos. Um levantamento da ABStartup feito com mais de 2 mil empresas aponta que o estado de São Paulo concentra 25% desses emprendimentos com um total de 756 startups cadastradas, seguido por Minas Gerais (8%) e pelo Rio de Janeiro (7%). O Distrito Federal aparece na oitava posição, com 64 startups — o que representa 2% do total nacional (veja quadro).

Foco em empresários
A Configr, startup brasiliense que surgiu em 2013, conta com quatro sócios e oferece um serviço de gerenciamento de servidores computacionais. “A ideia nasceu de uma necessidade de automatização de processos. Eu me perguntava por que as pessoas ainda gastam quatro horas fazendo um trabalho repetitivo se a gente pode automatizar”, explica Arthur Furlan, 29 anos, sócio-fundador. A Configr trabalha com um modelo de negócios conhecido como B2B, em que o produto é voltado principalmente para outras empresas. Esse é um traço comum entre a maioria das startups, de acordo com o levantamento da ABStartups.


Minervino Junior
O foco de Thaís Maya, 36 anos, também está em atender empresários. Formada em direito e dona de uma empresa de logística há 6 anos, ela resolveu levar soluções para a área de vendas on-line por meio da startup e-City Commerce, criada há seis meses. “A ideia é oferecer serviços de e-commerce com diferencial logístico para os lojistas, começando pelo ramo da moda, que ainda não foi dominado por grandes portais”, explica. Ela montou o site www.boracombinar.com.br, e o foco está em lojas físicas que desejam ser inseridas no mercado on-line ou em estilistas que desejam lançar uma marca na internet.

Thaís fez uma análise de mercado antes de se lançar de cabeça no negócio. “Contratei um estudo de mercado, conversei com muitos profissionais — estilistas, consultoras, blogueiras — e fiz um comparativo entre o DF, São Paulo e Belo Horizonte. Brasília não está no eixo da moda, e quase nenhuma empresa daqui vende pela internet: um levantamento nos correios mostrou que, fora a minha, só existe uma empresa de e-commerce em Brasília. Encontrei ótimos profissionais na área de moda feminina que não têm oportunidade de levar seus produtos para longe. Então, é um mercado carente com potencial de crescimento”, diz ela. Mãe de dois filhos, Thaís alerta que abrir uma startup pode sair mais barato que montar um negócio tradicional, mas demanda muito trabalho.

Atrás de investimento
Entre as dificuldades para abrir uma startup em Brasília, Thaís Maya lista altos impostos e uma iniciativa privada que ainda engatinha — já que o foco da capital federal continua sendo o poder público. Para driblar os desafios, ela corre atrás de investidores. “Estou em fase de teste e, se conseguir investimento, acredito que poderei avançar bastante. O problema é que investimento em tecnologia é muito caro.” Apesar de ainda estar começando, ela conseguiu apoio. “O Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) subsidiou 70% da consultoria para a plataforma. Parcerias com profissionais das áreas de marketing digital e finanças também me ajudaram.”

Os donos da Configr estão mais avançados quando se trata de investimento: a empresa foi a única do Distrito Federal a ser selecionada no último edital do Startup Brasil, maior programa de aceleração desse tipo de negócio do país, que tem apoio do governo federal em parceria com a iniciativa privada.

Caminho das pedras
De acordo com Robert Janssen, diretor executivo da aceleradora Outsource Brazil, a aceleração é importante para auxiliar os novos empreendedores em questões estratégicas. “Normalmente, as startups têm berço tecnológico e nascem de ideias de jovens que estão na universidade e têm um bom preparo técnico, mas desconhecem como trabalhar o mercado, não possuem rede de contatos ou não sabem lidar com sócios-investidores. É a aceleração que vai trazer esse embasamento,” explica.

Já a incubação é voltada para quem tem a ideia do negócio, mas ainda não desenvolveu um produto, não definiu um plano de negócios ou verificou a viabilidade econômica do projeto. “Na aceleração, o foco é apoiar as empresas por meio de mentoria e captação de investimento. Já na incubação, elas são apoiadas com recursos básicos para uma empresa em início de vida, como espaço físico, infraestrutura, assessorias e consultorias”, explica Heverson Oliveira, coordenador do Núcleo de Execução de Projetos do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília (CDT/UnB).

Outra maneira de obter apoio para entrar de vez no mercado são concursos de financiamento. Os desenvolvedores e sócios Thiago Amorim, 25 anos, e Matheus Lustosa, 27, criaram a rede social Thirty — disponível em forma de aplicativo para dispositivos móveis —, que foi selecionada para o AppCampus. O concurso da Universidade de Aalto, na Finlândia, em parceria com a Nokia e a Microsoft, oferece financiamento de 20 mil a 70 mil euros para que a ideia saia do papel e seja desenvolvida em cinco meses. Lançado em outubro de 2014, o aplicativo conta com mais de 11 mil downloads e desafia os usuários a experimentarem novas atividades — como aprender a cozinhar ou tocar violão — por 30 dias. Como o uso é gratuito, os desenvolvedores ainda não descobriram uma forma de lucrar. “Estamos focados em disponibilizar o produto para plataformas mais populares e conseguir mais usuários e patrocínio”, explica Thiago.

Para não falir

Pesquisa realizada pela Fundação Dom Cabral em 2014 demonstrou que 25% das startups brasileiras morrem em menos de um ano, e 50% delas em até quatro anos. Vinícius Machado, da ABStartup, recomenda cuidados para evitar o fracasso. “Qualquer um pode abrir uma startup. Mas é preciso fugir de modas passageiras e estabelecer adequadamente a maneira como o dinheiro vai entrar e fluir”, orienta. “É preciso ter uma equipe comprometida, operar em um segmento alavancado e oferecer um produto que resolva um problema real dos clientes”, finaliza Robert Janssen, da Outsource Brazil.

 

Virou negócio


Conheça startups que agitam o mercado nacional

Glocal Arts
João Pessoa / www.glocalarts.com
Desenvolvido pelo cientista da computação Luciano Moreira, 25 anos, o site foi lançado em abril de 2014, é uma galeria para venda de obras de arte e conta com 478 profissionais de artes cadastrados. “O artista só paga se vender e pode anunciar para o mundo inteiro”, conta Luciano.

Stant
Maceió / www.stant.com.br
Sistema virtual lançado em 2014 para inspeção de obras da construção civil desenvolvido pelo engenheiro Ralph Vasco, 26 anos, em parceria com o administrador Marcelo Menezes, 40. Um dos clientes é o Governo de Alagoas. “Os relatórios são gerados de forma automática”, explica Marcelo.  

Sobra da obra
Rio de Janeiro  / www.sobradaobra.com.br
Espaço virtual para doação, compra e venda de materiais de sobra de obras de construção. O site funciona desde 2012, e o aplicativo foi lançado há quatro meses. “Toda vez que trabalho em uma construção, eu me sinto mal porque destruo, poluo, desmato”, afirma o cofundador José Fábio Amaral, 53 anos, descrevendo o que o motivou a lançar a iniciativa.


 

 

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