ADEILDO BEZERRA, JUREMA, JOEL E MARCOS TADEU BAESSE »

Festa para o Martinica

O primeiro café a abrir as portas na noite em Brasília completa 25 anos em 2015

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postado em 02/02/2015 11:00 / atualizado em 02/02/2015 11:02

Ana Paula Lisboa

Minervino Junior
De domingo a domingo, das 11h à 1h, os clientes podem optar por sentarem-se à sombra de uma copaíba, procurar um local dentro do salão ou até mesmo no balcão, para bater papo com os atendentes. Os frequentadores assíduos recorrem a esse reduto de calma e hospitalidade, localizado na 303 Norte, para café, almoço, lanche, janta, sobremesa ou happy hour. Assim é o Martinica, o primeiro café noturno do Distrito Federal. Em quase 25 anos de história, o negócio conquistou o coração dos brasilienses e inaugurou mais duas unidades: a do Brasília

Shopping, que funciona desde 1997, e a do Shopping ID, aberta há três anos. Por trás de cappuccinos, cafés e tortas que ganham o paladar da freguesia estão Adeildo Bezerra, 57 anos, Jurema Baesse, 54, Joel Baesse, 49, e Marcos Tadeu Baesse, 56. Os quatro atendem de 100 a 150 clientes por dia. Nas sextas e domingos, o número varia de 200 a 250.

A popularidade dá trabalho. “É como abrir sua casa todos os dias para uma festa. E é preciso arrumar tudo para o dia seguinte”, admite Adeildo. “Tem altos e baixos: às vezes, você prepara a festa e vem muita gente. Outros dias, não tem ninguém”, esclarece Joel. A tradição e a receptividade são as armas dos empresários. “A receita da torta de chocolate, por exemplo, é a mesma desde que abrimos. Tenho cliente que foi à Suíça e disse que não encontrou torta de nozes melhor que a nossa. Temos clientes que conheceram as esposas aqui e, hoje, vêm com os filhos. Esse tipo de coisa nos faz muito feliz”, conta Jurema. “O foco está no atendimento: se a pessoa saiu de casa para vir aqui, a gente tem que puxar o tapete vermelho. Sempre digo aos funcionários que são os clientes que pagam o salário deles”, defende. Conhecido como garçom filósofo, pelo papo diferenciado com a freguesia, Marcos explica o segredo para atender bem. “A diferença está em fazer o público se sentir em casa. Decorei centenas de nomes, tudo para fazer a pessoa voltar”, diz. “Isso aqui, para mim, não é trabalho. É o paraíso na terra. Senão, eu não estaria aqui há 25 anos”, brinca ele, conhecido pelo apelido de Capeta entre os fregueses.

Apesar de combinar um perfil de bar e de café, o foco do estabelecimento está nos lanches.

O sanduíche de pão francês com filé mignon é campeão de pedidos. Cremes, capuccino, chocolate quente, tapiocas e tortas também são muito populares. Independentemente do pedido, a qualidade vem em primeiro lugar. “Nosso grão de café é excelente, vem do cerrado mineiro e é moído na semana de uso. Enquanto um 1kg de café normal no supermecardo custa por volta de R$ 9, o do nosso fornecedor sai a R$ 42”, exemplifica Adeildo.

O início
Jornalistas, Adeildo e Jurema eram casados e procuravam opções de lazer no Distrito Federal. “Depois do expediente, frequentávamos bares, mas sentíamos falta de algo diferente”, explica Adeildo. A ideia para o negócio surgiu da carência da cidade, aliada ao desgaste da vida profissional. “Estávamos cansados da carreira e resolvemos montar algo que era uma mistura de bar e de café”, complementa. Para colocar a ideia em prática, convidaram dois irmãos de Jurema, Joel e Marcos, e abriram as portas em 6 de outubro em 1990. “Já existia um café ou outro em Brasília, mas fomos os primeiros a funcionar à noite”, observa Jurema. Adeildo e Jurema se divorciaram em 2003, mas o profissionalismo falou mais alto, e eles continuaram a sociedade. “Ex-mulher e ex-cunhados… Olha a minha situação!”, brinca o paraibano.

“Nos primeiros três meses, muitos amigos vinham aqui. Virou o café dos jornalistas. Com o tempo, o público mudou, mas muitos clientes antigos se mantêm”, conta Jurema. O investimento deu retorno. “Tínhamos medo de não dar certo exatamente porque isso não existia na cidade, no entanto passaos por um ‘boom’ de crescimento. Brasília não contava com muitas opções e, aos domingos, chegávamos a ter fila de espera com 50 pessoas.”

Empresários de primeira viagem, os sócios pesquisaram bastante e trabalharam duro. “No início, eu tinha até medo dos clientes. Hoje,resolvo tudo que aparece na hora”, conta Joel. “Fomos na cara e na coragem e fizemos muita pesquisa. Quando abrimos, fazíamos de tudo: atendíamos, limpávamos, lavávamos louça… A Jurema fazia as comidas”, lembra Adeildo. Hoje, contam com 20 funcionários na unidade da 303 Norte, sete na do Brasília Shopping e quatro no Shopping ID. A equipe é importante, mas não basta. “Em todo horário, um de nós deve esta presente. O cliente se sente bem de ver o dono no local”, diz Jurema.

“Fazemos  sacrifícios pelo negócio. É consenso que a empresa vem em primeiro lugar, por isso a sociedade dá certo”, afirma Joel. Hoje, uma das dificuldades dos sócios é a concorrência. “Em 20 anos, outros 55 cafés abriram em Brasília”, diz Jurema. “A margem de lucro, que já foi de 20%, hoje fica na faixa de 10%, mas o importante é que continuamos com clientes cativos”, finaliza Adeildo.