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Preparados para vencer

Diretor da Fundação Getulio Vargas (FGV) faz alerta sobre a importância da formação de executivos e avalia o cenário de pós-graduações no Brasil

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postado em 02/02/2015 11:04 / atualizado em 02/02/2015 17:39

Ana Paula Lisboa

Luis Tajes
O carioca Paulo Mattos de Lemos, 72 anos, é diretor da FGV Management em Brasília, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Graduado em engenharia mecânica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), é mestre e doutor pela Universidade Stanford, nos Estados Unidos. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi professor e coordenador do Programa de Engenharia de Produção, atuou como vice-diretor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), além de ter fundado e dirigido o Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração
(Coppead). Lemos foi secretário de Indústria e Comércio do Estado da Bahia e acumula destacadas passagens na iniciativa privada: foi vice-presidente corporativo das empresas da Odebrecht Química e se aposentou como vice-presidente da petroquímica Braskem. Confira como ele avalia as pós-graduações voltadas para pessoas estratégicas no comando de empresas:

Qual a importância de se investir na formação de executivos?
A produtividade de uma empresa não é fruto de máquinas nem de equipamentos. Ela vem das pessoas. Por isso, há uma pressão pela formação de executivos — e o Brasil não pode ser exceção.

Qual problema o senhor identifica na origem do mestrado no Brasil?
No exterior, o mestrado existe para formar especialistas, não acadêmicos ou professores. Inclusive, as pessoas fazem doutorado direto, sem o pré-requisito do mestrado. O problema é que, no Brasil, faltavam professores e não tínhamos doutorado. Então, o Ministério da Educação (MEC) forçou o mestrado a ser acadêmico para suprir essa necessidade. Hoje, não temos mais essa lacuna, mas o mestrado brasileiro continua a ser acadêmico, e ficamos sem curso para especialistas.

E os MBAs?
Nos Estados Unidos, o Master of Business Administration (MBA) é um mestrado, mas, aqui, é visto como pós-graduação comum. Antes, o MEC nem reconhecida essa modalidade, mas depois acabou classificando-a como mestrado profissional. No exterior, o MBA é integral, tem mais de 1,7 mil horas / aula. Aqui, as instituições dão 400 horas de aula e chamam o curso de MBA — virou uma grande marca.

Qual a diferença entre o MBA e o Executive MBA?
No Coppead (Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro), lançamos o Executive MBA, que é uma formação não integral, com carga horária menor, normalmente, com aulas noturnas ou nos fins de semana. Outras instituições copiaram o que fizemos, mas chamaram de MBA. O Master of Business Administration é mais caro e exige dedicação integral. Não é para recém-formados: você precisa de experiência de mercado para absorver o que o curso tem a oferecer. Alguém sem experiência ou com pouca bagagem pode procurar o Executive MBA, que acarreta um custo financeiramente aceitável para quem está começando.

Como você avalia o preço das pós-graduações no Brasil?
Vejo muitas diferenças em comparação com o custo nos Estados Unidos. Na Universidade Stanford, por exemplo, apenas um terço do orçamento é coberto por mensalidades. Um terço vem de doações de ex-alunos — algo comum por lá —, e o restante é custeado por cursos abertos para profissionais e pesquisas patrocinadas. As mensalidades não sustentam a universidade, por isso não precisam ser tão altas. Se você quer excelência, com turmas menores, é complicado porque, no nosso país, isso precisa sair do bolso do aluno. A preparação dos professores é cara para um curso de alto nível, pois um executivo espera mais das aulas. Educação dá lucro e vira negócio montando um esquema de grande volume, com grandes turmas, sem pesquisa e sem foco na qualidade.

O que pode ser feito para melhorar o custo-benefício?
A tecnologia fornece opções que podem baratear as formações de excelência. Na FGV, por exemplo, em alguns cursos, temos um professor que transmite a parte teórica ao vivo para unidades em todo o Brasil — falando ao mesmo tempo para cerca de 5 mil alunos —, enquanto a parte prática é passada presencialmente por executivos no local. São pessoas que não preparam a aula, mas contribuem com suas experiências. Assim, consegue-se um curso de nível acadêmico alto com preço melhor. Isso não prejudica a qualidade, e prova disso é que a FGV se mantém sempre nos primeiros lugares nos rankings de qualidade.


"A produtividade de uma empresa não é fruto de máquinas nem de equipamentos. Ela vem das pessoas. Por isso, há uma pressão pela formação de executivos — e o Brasil não pode ser exceção”
Paulo Mattos de Lemos

Novidade


A Fundação Getulio Vargas (FGV) está lançando dois cursos de pós-graduação nas unidades de Brasília, do Rio de Janeiro e de São Paulo, com início das aulas previsto para abril. O Executive MBA em economia e gestão das relações governamentais (com 432 horas/aula) tem o objetivo de suprir uma demanda presente no cenário da capital federal. “As empresas precisam desenvolver relações fortes com o governo, por meio de funcionários competentes e éticos. O curso prepara profissionais para isso”, explica o diretor Paulo Mattos de Lemos. A segunda pós-graduação é o Executive MBA em economia e gestão de recursos humanos (com 480 horas/aula), que tem como objetivo formar pessoas para que a área de RH exerça função estratégica nas instituições, indo além de recrutamento e seleção.

Em Brasília, a FGV oferece 15 opções de cursos para mais de mil alunos. Em São Paulo, são 5 mil estudantes e, no Rio de Janeiro, 3 mil. Com as cerca de 50 instituições conveniadas, presentes em mais de 100 cidades, a instituição atende a mais de 20 mil pessoas no total. Mais informações: mgm-brasilia.fgv.br.
 

 

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