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PERFIS de sucesso EVELYNE OFUGI »

Mestre das lancheiras

Depois de largar o emprego para cuidar do filho, professora de biologia abre empresa de bentô para crianças

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postado em 09/02/2015 11:52 / atualizado em 10/11/2015 10:04

Ana Paula Lisboa

Antonio Cunha
Na volta às aulas, a preocupação com o que preparar de lanche escolar para as crianças é uma constante em muitos lares. Sem tempo, mães apelam para produtos industrializados. Quando percebem, porém, que a merenda dos filhos pode ser prática, saudável e divertida, mudam de rumo. É isso que Evelyne Ofugi, 32 anos, ensina nas palestras da empresa Bentô Kids, criada há três anos. Além de cursos para mães e interessados em culinária, ela também dá oficinas para crianças aprenderem a fazer quitutes. “Ensino a deixar tudo prático. Uma dica que eu passo, por exemplo, é fazer sucos, congelar em formato de cubinhos de gelo. Na hora de levar para a escola, basta colocar os cubinhos na garrafinha. Quando a criança for lanchar, a bebida vai estar fresquinha”, orienta. Entre as crianças, o aluno número 1 de Evelyne é o próprio filho, Enzo, 4 anos, que já sabe temperar frango, descascar batata e fazer bolo. “Dá para aprender tudo isso na infância. É outro relacionamento com a comida”, diz.

O mais novo serviço, a entrega de lanches para escola em formato de bentô, tem feito sucesso. A ideia começou com o interesse dos colegas de turma do filho pelas comidas que ele levava ao colégio. “As crianças viam a lancheira dele, com comidas em formato de bichinhos, carrinhos, e ficavam loucas. Diziam que o dele era o mais legal”, conta. Com o interesse das mães, Evelyne começou a oferecer um serviço de entrega de merendas no fim do ano passado. No momento, a “assinatura de lanches” é usada por 20 famílias. Sem condições de atender a todos os interessados, pais chegam a entrar em lista de espera para participar. “No início, eu fazia tudo na minha casa. Agora, uso uma cozinha em Águas Claras. Tenho uma ajudante fixa, e contrata os serviços de uma moto-girl para as entregas. Passo a madrugada fazendo os lanches”, relata.

“Faço tudo o mais saudável possível. O pão de queijo, por exemplo, é sem lactose, mas o sabor não se altera. As crianças não têm dificuldades de se adaptar a refeições mais saudáveis porque comem com os olhos. Algumas choravam para comer verduras e, hoje, comem tranquilamente”, conta. A adoção de lanches com aparência inusitada é popular entre estudantes com restrição alimentar. “Esses sofriam bullying nos colégios, pois levavam opções pouco atraentes aos olhos dos coleguinhas, que perguntavam ‘você vai comer isso aí? Eca!’ Mas, hoje, eles levam lanches bonitos e divertidos.”

Segundo a empresária, o segredo para o sucesso da empresa está no cuidado. “O diferencial é que eu faço tudo com carinho, da mesma maneira que eu faço comida para o meu próprio filho. As mães percebem isso. O bom atendimento também é um dos pilares”, revela. “No início, o negócio demorou a repor o que investi, mas, agora, cresceu tanto que não há mais condições de continuar sendo microempreendedora individual, que permite ter apenas um empregado. Pretendo transformar a empresa numa sociedade”, revela.

O início
Evelyne Ofugi trabalhava como professora de biologia e resolveu abandonar a carreira depois do nascimento do filho. “Eu dava aulas nos três períodos e percebi que não daria para continuar nesse ritmo sendo mãe”, lembra. A experiência como professora influenciou o modo como ela cria o filho. “Eu via os meninos comendo só besteira. Nas aulas de pirâmide alimentar, eu levava verduras para a sala de aula, e muitos não conseguiam identificá-las. Eu sempre pensava em como seria com o meu filho…” Para acostumá-lo à alimentação saudável, ela começou a fazer pratos atraentes e divertidos, num formato de bentô (refeição individual japonesa em que a aparência é muito valorizada). “Eu fazia bentô de papinha e postava na internet. As pessoas se interessavam e me pediam para ensiná-las.”

Foi assim que a neta de japoneses viu na tradição de família uma oportunidade de mercado. “Aprendi a fazer bentô com a minha mãe, que aprendeu com a minha avó”, revela. Para trabalhar no ramo, Evelyne investiu em cursos em áreas como engenharia de alimentos e psicopedagogia, além de ter feito pós-graduação em nutrição infantojuvenil. “O próximo passo foi correr atrás de me tornar uma microempreendedora individual (MEI) e registrar a marca.”

A partir daí, cursos dados para adultos e oficinas para crianças viraram rotina. Com o boca a boca, mais pessoas se interessaram pelo trabalho de Evelyne, e o negócio cresceu muito. Hoje, ela é convidada para ministrar cursos e palestras nos mais diferentes estados. As oficinas também podem ser para grupos ou até uma consultoria individual.

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