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Correio Braziliense

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Perfis de sucesso - Rubens. Rogério e Rodrigo Mazer

Os donos do Green`s

Avô, pai e filho estão por trás do primeiro restaurante natural do DF a incluir carne no cardápio, aberto há 18 anos

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postado em 15/02/2015 14:26 / atualizado em 15/02/2015 13:37

Ana Paula Lisboa

Ana Rayssa
Uma das mais famosas casas de comida saudável em Brasília chega à maioridade. Fundado na 302 Norte há 18 anos, o Green’s foi o primeiro restaurante natural do DF a oferecer opções de carne no bufê. “Esse tipo de estabelecimento era sinônimo de pratos vegetarianos, mas passamos a servir frango e peixe. Fomos muito criticados por donos de outros restaurantes do tipo, mas os clientes gostaram. Foi um passo também para desmistificar o ramo. Continuamos tendo comida saudável, sem conservantes, sem refinados… É o mais caseiro e saudável possível”, explica Rogério Mazer, 50 anos. Com o pai, Rubens, 79, e o filho Rodrigo, 24, ele comanda as unidades da Asa Norte e da 202 Sul, fundada há três anos. “Nossa relação familiar aqui é muito legal. Não há atritos, e o estilo saudável é nossa filosofia de vida, mas não somos radicais”, garante Rodrigo, que cresceu acompanhando o pai no restaurante.

Nas duas casas, eles recebem de 800 a mil pessoas por dia. A maior parte do público é formada por mulheres na faixa dos 30 anos, mas há particularidades: durante a semana, grande número de funcionários públicos escolhe o Green’s para o almoço; nos fins de semana, a casa se enche de casais de idosos. O bufê, elogiado pela grande variedade de saladas e grãos, é o carro-chefe, mas sopas e caldos ganham a freguesia durante a noite. Outro atrativo é a padaria integral. “Nossos pães não levam conservante e nenhum produto industrializado. Nem padarias fazem isso”, compara Rogério. Para a tarde, as atrações são sanduíches, açaí e outras opções de fabricação própria. As receitas estão sempre sendo atualizadas e vêm de livros, de pesquisas, da nutricionista da equipe e da sabedoria de Antônia Ponestk, 77 anos, matriarca da família Mazer. Todo o esforço é para oferecer um ambiente harmonioso, que ressalta o prazer de saborear alimentos naturais, integrais e orgânicos.

Negócio de família

Rogério era funcionário público do Ministério da Agricultura e resolveu apostar num restaurante natural à venda. “No início, deu para conciliar. Depois, tive que largar a carreira pública.” Para dar conta do recado, ele pensou que poderia ter a ajuda da mãe. “Na época, ela tinha passado por um procedimento médico e precisava ficar de repouso. Então, indicou que meu pai fosse me ajudar. Era para ele ter ficado comigo uns 15 dias, mas nunca mais saiu. O negócio fez com que nós nos aproximássemos muito. Vejo que as pessoas acreditam mais nas empresas familiares e fazem questão de nos ver sempre ali”, observa Rogério.

Se o negócio é de família, os clientes também não fogem desse perfil. “É muito comum grávidas começaram a comer aqui na busca de uma alimentação mais saudável e hoje virem com os filhos. Elas fazem questão de nos mostrar as crianças. São vários filhos do Green’s”, relata Rubens. Famoso entre os frequentadores por ser muito bom de papo, ele agradece o carinho. “Nossos clientes são maravilhosos, têm outra cabeça. São pessoas da paz e mais preocupadas com a saúde. Eu não daria certo em outro tipo de restaurante. É por isso que não penso em parar”, pondera o militar aposentado.

Um dos motes do lugar é o “Clube das 32 mastigadas”, criado por Rubens. “Quando as pessoas vinham se servir, eu sempre indicava que mastigassem cada alimento, pelo menos, 32 vezes, número baseado na quantidade de dentes”, conta. Com a popularidade da recomendação, clientes de outros países passaram a trazer placas com a instrução em diferentes idiomas. Hoje, o restaurante exibe um banner com traduções para várias línguas. “Um cliente trouxe em inglês. Depois, uma pessoa da embaixada da China veio aqui e perguntou por que não havia em mandarim. As pessoas foram trazendo mais. Ganhamos até tradução em braile!” A popularidade de Rubens entre a clientela não surgiu à toa. “O vô é o garoto-propaganda do restaurante. Ele conversa, brinca, sabe os nomes. Todo mundo gosta dele”, percebe Rodrigo.

Lições
Quando abriu o negócio, a família Mazer não tinha experiência com o empreendedorismo. “Começamos fazendo o básico que esperamos de qualquer lugar: boa estrutura, comida gostosa, limpeza e higiene”, conta Rogério. A partir de uma lista de conselhos recebidos de um conhecido, eles definiram os princípios que norteiam o restaurante até hoje. “Focamos no bom atendimento. Sempre temos em mente que comprar produtos de qualidade é mais importante que vender. Valorizo os clientes e sempre peço para que eles me avisem quando houver algo errado, para que possamos melhorar”, garante Rubens. A gerência treina os empregados e estimula a meritocracia. “Temos funcionários que estão conosco há 6, 8, 11 anos. Nossa primeira cozinheira ficou conosco até 2012, e a filha dela, que começou lavando pratos, hoje é nossa gerente”, diz Rogério.
A gestão é familiar, mas nem por isso foge de metas e planejamento ambiciosos, como explica Rodrigo, que estuda administração. “Tudo que é feito no restaurante é registrado. Faço controle das planilhas, e conseguimos gerar relatórios sobre como temos evoluído em vários aspectos. Usamos isso para nos planejar.” Um princípio fundamental do Green’s é o reinvestimento. “Nosso norte é reinvestir o lucro no próprio restaurante. Nós vivemos para isso e não disso. Você tem que colher a fruta e regar o pé, para melhorar sempre”, observa Rogério. Para o trio, o crescimento deve vir acompanhado de qualidade. “Recebemos ofertas de investidores para transformar o Green’s numa grande rede, mas não queremos isso a qualquer custo. Nosso desejo é acompanhar tudo de perto”, finaliza Rogério.

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