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Correio Braziliense

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Foco é tudo

Dedicação, persistência e uma escolha clara da carreira são os fundamentos para os candidatos dispostos a enfrentar o primeiro concurso público. Contar com um plano de estudos e saber conciliar rotina e vida pessoal também constituem fatores importantes

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postado em 23/02/2015 10:51 / atualizado em 23/02/2015 12:30

Minervino Junior
Concurseira de primeira viagem, Nívea Miranda Lopes, 35 anos, se prepara para a prova de técnico administrativo do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), instituição que realizará o primeiro concurso em março. “O que mais me chamou a atenção foi o salário de R$ 5.001,82. Estudo por meio de videoaulas em casa, leio, reviso e tento resolver provas de concursos anteriores, além de frequentar um preparatório”, conta a graduada em administração. Apesar do sonho de integrar o serviço público, Nívea admite ter se acomodado durante os 12 anos em que ocupou cargo comissionado no Ministério do Planejamento.

Na busca da sonhada estabilidade, a candidata não teve dúvidas: pediu desligamento do trabalho para se dedicar exclusivamente à preparação. Seguindo o exemplo do marido, aprovado em quatro concursos em 2014, Nívea estuda cerca de 10 horas diariamente. A menos de um mês para a prova, ela está confiante. “Abandonar um emprego nunca é fácil, mas tem valido a pena. Agora posso me dedicar à preparação em tempo integral.”

Assim como Nívea, outros 17 milhões de concurseiros pipocam em cursinhos presenciais e on-line atraídos pela promessa de bons salários e estabilidade. O número só tende a crescer: dados da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac) revelam que, entre 2012 e 2014, surgiram 5 milhões de novos concurseiros. Também segundo a Anpac, há 215 mil oportunidades previstas para 2015 nas esferas federal, estadual, municipal e distrital. Apenas na esfera federal o Ministério do Planejamento computa 20 mil postos vagos que precisam ser preenchidos. Com tamanha procura, a luta por uma vaga é disputada. Garantir a aprovação, sugerem especialistas, é tarefa que demanda dedicação e persistência. Para quem ainda engatinha no mundo dos concursos, ser pragmático e escolher bem a carreira são atitudes determinantes.

As regras do jogo
O presidente da Anpac, Marco Antônio de Araújo, orienta que identificar a carreira a seguir é o primeiro passo a ser considerado. “O candidato deve saber quais são as atividades do cargo que vai disputar. Não se faz um concurso apenas pelo salário, tampouco pelo status. Deve haver uma relação entre a atividade a ser realizada e o propósito de vida do candidato. A vocação precisa falar mais alto na hora de escolher”, pondera. “Outro ponto fundamental é a objetividade na preparação. Candidatos que prestam concursos para muitas carreiras acabam ficando dispersos. A dica é escolher um ramo e se dedicar exclusivamente”, alerta.

 

Weudson Ribeiro
O professor de português José Alberto Vieira, coordenador do Curso Social do Guará 2, alerta para a importância de ser pragmático ao se preparar para um concurso pela primeira vez. “Não conheço quem tenha sido aprovado sem ter se dedicado exaustivamente. Quem pretende fazer concurso público precisa se manter atualizado, já que as provas exigem conteúdos recentes. Cursos preparatórios contribuem, pois mostram ao candidato o que há de mais novo para o certame, além de indicar a tendência da banca examinadora”, reforça.


Vicente Papariello, professor de direito penal e tributário da VP Concursos, afirma que a leitura do edital deve ser uma atividade religiosa para quem aspira a uma oportunidade. “Conhecer o regulamento é o ponto de partida do concurseiro debutante. Lá estão todas as regras aplicáveis, como prazos, conteúdo programático, documentação…”, orienta. Tão importante quanto estudar muito e ter disciplina é cuidar da saúde e da vida pessoal, como indica Rose Viana, professora de português do IMP Concursos. “É sempre importante que o candidato realize atividades físicas e cultive a vida social. Afastar-se totalmente dos amigos nunca é indicado”, aconselha

Faculdade ou concurso?
Dilema comum, a dúvida sobre o que fazer após o ensino médio assombra jovens como Yasmin Araújo Ramos. Aos 18 anos, ela abriu mão de ingressar num curso superior para fazer concursos públicos. “Priorizo a busca pela estabilidade profissional, para, então, pensar na faculdade. Para mim, o principal desafio é a inexperiência.” De acordo com Alexandre Crispi, CEO da Rede Educacional Alub, candidatos com esse perfil têm algumas vantagens. “Novatos têm a cabeça mais fresca e dominam 20% dos conhecimentos exigidos em editais, especialmente em português, raciocínio lógico e informática. Muitos contam com o apoio da família e não precisam se preocupar com contas, filhos e outras responsabilidades.” Apesar disso, o professor alerta que, antes de tomar tal decisão, o candidato precisa fazer uma análise da própria situação para evitar frustrações e perda de tempo.

“Nas salas de cursinhos preparatórios, jovens que ainda nem concluíram o ensino médio ou acabaram de sair da faculdade devoram apostilas, decoram macetes, aprendem sobre normas gramaticais e leis. Buscam estabilidade, acreditando que, por meio dela, terão uma vida tranquila, trabalhando menos e ganhando mais. Apesar de a aprovação em um certame ser excelente, esse exercício exige vocação, caso contrário os profissionais tendem a se tornar insatisfeitos”, alerta Crispi.

De olho na diplomacia
Segundo João Batista da Costa, ministro de 1ª classe do Itamaraty e coordenador do Curso JB, preparatório para o Instituto Rio Branco, “ter consciência política, idoneidade, gosto por línguas estrangeiras e história do Brasil são pontos fundamentais para quem pensa em disputar uma vaga de diplomata.” Seguindo esses parâmetros, a advogada Tássia Bianca Gurgel, 24 anos, e o arquivista Luiz Cláudio Vieira, 36, estudam para a seleção deste ano, ainda sem edital e quantitativo de vagas divulgado. “Estou confiante, mas tenho noção de que a disputa pelas vagas é grande”, revela Tássia. Luiz Cláudio admite estar à procura de uma evolução profissional. O maior desafio, segundo ele, é conseguir conciliar a carreira e a vida pessoal à rigorosa rotina de estudos. “Trabalho, então não posso me dedicar exclusivamente à preparação”, diz.

Nessa situação, não são poucos os que optam por largar o emprego para estudar. A dedicação exclusiva, porém, deve ser bem pensada, como alerta Fernando Bentes, diretor do site Questões de Concursos. “É preciso pesar alguns fatores. A pessoa deve ter certeza de que não está satisfeita com seu trabalho, que possui dinheiro suficiente para investir na preparação, que já sabe o cargo para o qual deseja fazer prova e, principalmente, em qual nível de estudo se encontra para que não tenha que começar do zero. Caso essa avaliação conspire para largar o emprego, acredito que valha a pena uma dedicação exclusiva ao estudo para concurso público”, opina.


Top 5

As disciplinas que mais caem em concursos e que costumam valer mais pontos:

» Direito constitucional
» Direito administrativo
» Português e redação
» Raciocínio lógico
» Informática

Fonte: Fernando Bentes, diretor do site Questões de Concursos, e Alexandre Crispi, CEO da Alub Concursos
 

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