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PERFIS de sucesso CARLOS GUERRA »

Imperador do fast-food brasileiro

Com 33 anos, rede Giraffas nasceu no DF e tem mais de 400 unidades. Para o dono, segredo está na perseverança

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postado em 25/02/2015 10:34 / atualizado em 25/02/2015 14:33

Ana Paula Lisboa

Breno Fortes
Quem diria que um universitário que resolveu abrir uma lanchonete, sem qualquer experiência, se tornaria dono de um grande império de alimentação fast-food com faturamento de R$ 800 milhões apenas em 2014? Essa é a fórmula do Giraffas, que conta com cerca de 400 restaurantes no Brasil e 10 nos Estados Unidos. O homem por trás da rede é Carlos Guerra, que, em 1981, abriu uma lanchonete com Ivan Aragão, colega dele no curso de engenharia elétrica na Universidade de Brasília (UnB). A vontade de abrir um restaurante veio do gosto por boa comida. “Entendíamos pouco de cozinha, mas gostávamos de comer fora”, lembra Carlos. O sócio abandonou o negócio no primeiro ano para morar em Recife.

Apesar de ter aberto a lanchonete sem experiência, Carlos tinha planos ambiciosos desde o início. “Muito antes de abrir o Giraffas, morei nos Estados Unidos e observei empresas americanas que operavam em franquia. Achei esse sistema fascinante e queria trazer isso para o Brasil. O projeto de franquia não foi por acaso, mas não esperava um crescimento nessas proporções”, revela. Foram 10 anos entre a abertura da primeira loja, na 105 Sul, e o lançamento da primeira franquia. “Esse período foi necessário para estruturar  bem a marca e o produto.”

Sobre o segredo do sucesso, Carlos adianta que a chave está na perseverança. “Quase tudo pode dar certo se você insistir.” Mão de obra qualificada e interessada também é um dos ingredientes para o triunfo. “Ter pessoas focadas e dedicadas faz diferença. O Giraffas é uma construção. Sou o fundador, mas não sou o único responsável pelo sucesso. Admito que não entendo muito de gestão: minha praia ainda é cardápio, é conceito, é empreender. Tenho uma equipe muito boa que me ajudou desde o início. O crescimento é fruto da contribuição dos colaboradores, dos franqueados, dos sócios...” O time é numeroso: são pelo menos 10 mil funcionários em restaurantes, 70 acionistas, cerca de 200 franqueados, 150 colaboradores de franqueados e 30 de marketing.

Gostinho de casa
Uma das marcas da rede é o cardápio adaptado aos costumes locais, com os tradicionais arroz e feijão da mesa do brasileiro. “A lanchonete era muito focada nos horários da tarde e da noite. Fast- food não era comum para o almoço, que tinha movimento fraco. Procuramos então uma alternativa para movimentar o período. Em 1989, abrimos, no Setor Comercial Sul, o Giraffas Grill, que trouxe opções de pratos. Depois, fizemos tentativas com bufê”, conta. “No fim da década de 1990, o almoço já era importante no cardápio, e percebemos que estávamos prontos para um produto popular como o feijão, que traz características de sabor brasileiro. Foi um processo de 10 anos. A introdução de arroz e feijão trouxe resistência e gerou polêmica, mas, com o tempo, pegou e hoje é um dos pontos fortes”, afirma Carlos Guerra.

Empreitada

“Na década de 1980, as opções de fast-food se resumiam a redes estrangeiras, como Mc Donald’s e Bob’s. Percebi que era a hora de uma brasileira entrar em jogo. O cardápio foi sendo testado e evoluiu muito”, lembra. “Foi muito difícil no começo. Eu era muito novo, tive que aprender rápido a comerciar, negociar e administrar.” O apoio dos pais foi fundamental. “Minha família me emprestou dinheiro, afinal eu era estudante e não tinha renda.” Segundo Carlos Guerra, os tropeços na jornada empreendedora são comuns e não podem desestimular. “Mais errávamos do que acertávamos, mas o legal é que aprendemos com os erros, perseverando para melhorar. Até hoje cometemos equívocos, isso é comum ao administrar um negócio”.

Futuro
Uma das fases planejadas para o crescimento do Giraffas é a internacionalização. Carlos Guerra está dando os primeiros passos nesse sentido. “Os Estados Unidos são o mercado mais difícil e mais desafiador, mas também o que oferece as melhores oportunidades, com muita exposição para turistas e onde se aprende muito.” O destino escolhido para começar a expansão foi Miami. “O formato não é o mesmo que temos no Brasil. A arquitetura, o design e o cardápio são outros. Focamos em grelhados, saladas e hambúrgueres mais sofisticados. A aceitação está sendo extraordinária, mas é um projeto de longuíssimo prazo, e vamos prosseguir com muito cuidado.” Nas 10 lojas nos EUA, um diferencial que chama atenção é a oferta de pão de queijo. “Toda segunda-feira é Pão de queijo day. Em toda compra, o cliente ganha um pão de queijo. É o nosso couvert. As pessoas estão adorando, e o objetivo é popularizar esse prato brasileiro”, comemora. Carlos Guerra está empreendendo novamente e lançou a marca Tostex, lanchonete especializada em sanduíches tostados — em que o tradicional misto-quente ganha novos sabores, como carne de panela e até escondidinho. Em São Paulo existem oito unidades e o próximo destino da rede, segundo o empresário, será Brasília, onde tudo começou.

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