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As chaves do mercado

Programas de trainee e estágio ajudam jovens a superar dificuldades do início da carreira e abrir portas para boas colocações. Veja como fazer uma transição mais tranquila da sala de aula para as empresas e confira seleções com vagas abertas em todo o Brasil

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postado em 01/03/2015 08:00 / atualizado em 03/03/2015 11:15

Conseguir emprego e ingressar num caminho promissor é uma preocupação comum a muitos jovens. E não é sem motivo, já que eles, historicamente, enfrentam dificuldades para entrar no mercado: no Brasil, a taxa de desemprego entre pessoas de 18 a 24 anos foi de 15,1% em 2014, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O percentual é mais que o dobro dos 6,8% da média da população em geral. No primeiro mês de 2015, a taxa foi de 5,3%, segundo dados divulgados na última quinta-feira (26). Complementar a formação acadêmica e adquirir experiência estão entre as medidas que facilitam a transição das salas de aula para as empresas. As principais opções são o estágio, que não gera vínculo empregatício, e os programas de trainee geralmente para recém-formados, que ingressam nas companhias como funcionários em preparação para ocupar cargos gerenciais e estratégicos.

Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press
Promessa de ascensão
Não são raros os casos de estagiários e trainees que usaram a oportunidade como impulso para voos mais altos. É o caso de Guilherme Valle, 44 anos, sócio da PwC Brasil. O início da trajetória na gigante de assessoria e prestação de serviços empresariais foi como trainee. “Eu cursava administração e entrei na empresa em 1990. Nunca mais saí. O programa foi fundamental para meu crescimento. A vaga me assegurou capacitação, acompanhamento e um plano de carreira em que a progressão dependia apenas do meu desempenho”, conta. Após sete promoções, Guilherme chegou ao posto mais alto da gestão do negócio em 2005 e garante que não é exceção. “São 40 sócios aqui na empresa, e a maioria começou como trainee. Queremos formar profissionais ainda melhores que nós.”

Carlos Moura/CB/D.A Press
Pessoas como Guilherme servem como inspiração para Giovana Brandelise, 22 anos. Ela se formou em contabilidade na Universidade de Brasília (UnB) e é trainee há 7 meses na Ernest & Young (EY), uma das maiores do mundo no ramo de consultoria e auditoria corporativa. “O programa de treinamento me permite conhecer a rotina de uma grande corporação enquanto ensina a parte técnica, com orientação de profissionais experientes. Com certeza, tem um peso enorme no currículo, mas estar numa empresa que me possibilite crescer como pessoa e como profissional é o que faz a diferença”, pondera. Especialistas como Lourdes Rosalem, mestre em administração e gestão de pessoas e professora do Ibmec, garantem que jovens como Giovana estão no caminho certo. “Os programas de trainee são uma das melhores ferramentas para iniciar a carreira”, diz. “São organizados por grandes empresas, muito bem estruturados e dão ao profissional uma visão abrangente em diversos tipos de negócios”, analisa.

Disputa acirrada
A lista de vantagens de ser trainee tem tamanho proporcional ao grau de exigência dos processos seletivos. As qualificações exigidas vão de domínio do português e inglês avançado a raciocínio lógico, boas noções em informática, atualidades e conteúdos específicos. O elevado investimento necessário para organizar um programa de treinamento restringe a oferta a grandes empresas. Assim, a quantidade de vagas é limitada, e a disputa é mais acirrada que de grandes vestibulares e de muitos concursos públicos. Segundo especialistas, a concorrência chega a 4 mil candidatos por vaga.

Os benefícios para os empregadores são expressivos e justificam o alto custo dos programas. “As grandes corporações preferem formar jovens capacitados e talentosos dentro das necessidades da companhia a pegar alguém pronto”, explica Eduardo Diniz, coordenador do curso tecnológico de gestão de recursos humanos da Estácio Brasília. Flávio Pavan, gerente de Pesquisa da consultoria empresarial Carreira Muller, esclarece que a escassez de mão de obra qualificada e a possibilidade de lapidar talentos de acordo com a demanda compensa o valor pago pelos programas de trainee. “A busca por jovens promissores vale a pena porque o novo funcionário não está ligado à cultura de outras companhias e não tem vícios profissionais. O treinamento favorece a conciliação do desenvolvimento do trabalhador com o que a empresa precisa, sem deixá-la refém das opções do mercado.”

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
Primeiros passos
Para quem está numa etapa anterior nos estudos, estagiar pode ser a melhor opção para conhecer a fundo a carreira escolhida. “O estágio é o maior instrumento de inserção do jovem no mercado”, garante Mauro de Oliveira, diretor da Associação Brasileira de Estágios (Abres). Segundo ele, praticar o que se aprende em sala de aula é o maior benefício para o estudante. Mais do que complementar a formação, ter estágios no currículo sinaliza outras caraterísticas importantes sobre o perfil do estudante. “Mostra que ele teve a iniciativa de buscar oportunidade num ambiente concorrido, tem garra para aprender e vontade de crescer”, diz.

Vitor Goulart, 24 anos, confirma o que dizem os especialistas. Ele participou do programa de estágio da TIM por 1 ano e foi contratado em julho de 2014, após se formar em engenharia de redes de comunicação. A disparidade entre a graduação e o cotidiano profissional foi superada com o exercício do conhecimento adquirido nas aulas. “A faculdade mostra muita teoria. Trabalhando, descobrimos a finalidade de cada ensinamento. Estar ali me ajudou também no processo seletivo”, diz.

Preparar-se bem para conquistar uma boa colocação é a expectativa de Natália Lima, 22 anos, estudante de engenharia mecânica do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), que está em seu primeiro estágio. “Com certeza, vou adquirir uma vivência prática que a faculdade não fornece”, aposta a nova integrante do Grupo Votorantim que sonha com a efetivação. “Se não houver chance de ser contratada, pelo meno estarei mais bem preparada para participar de outros processos seletivos.”

A regulamentação contida na Lei nº 11.788/2008 garante aos estagiários benefícios como bolsa-auxílio, seguro contra acidentes pessoais e recesso remunerado. As regras coibiram abusos e reafirmam o caráter educativo das atividades, como explica Mauro de Oliveira, diretor da Abres: “Hoje, poucos estudantes perdem rendimento acadêmico quando passam a estagiar. Eles aprendem muito do que ainda será ensinado na faculdade, o que se reflete positivamente nas notas.”

A concorrência
Mesmo sendo menor que a enfrentada por trainees, a disputa para estagiar também é grande, e não há vagas para todos. Dos 7.305.977 de estudantes matriculados no ensino superior em 2013 segundo o Ministério da Educação (MEC), a Abres informa que apenas 740 mil fazem estágio. Nos ensinos médio e técnico, estavam matriculados 9.753.866 alunos, dos quais somente 260 mil eram estagiários.

Não perca as fases
As inscrições para o programa de estágio da Petrobras se encerraram na quinta-feira (26), mas o proceso seletivo continua. A primeira etapa, on-line, começou ontem (28) e vai até as 18h de hoje (1º). A seleção oferece vagas para Brasília. O resultado está previsto para sair em 9 de março. Acesse o site.

 

 

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