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PERFIS de sucesso NOILDE MARIA DE JESUS »

Exemplo de superação

Em assentamento de Brazlândia, agricultora produz morango e hortaliças. Com o rendimento, sustenta os nove filhos e até comprou um carro zero. Na última quinta-feira, ganhou o Troféu Ouro no prêmio nacional Sebrae Mulher de Negócios, na categoria produtora rural

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postado em 09/03/2015 11:13 / atualizado em 09/03/2015 11:14

Juliana Espanhol

Carlos Moura
“Muitas mulheres têm medo de começar. Acho que histórias como a minha mostram que todas são capazes de ter o próprio negócio: o segredo é buscar informação e ter coragem”, resume Noilde Maria de Jesus, 45 anos, produtora de morango e hortaliças como beterraba, abóbora, vagem e beringela há cinco. É com o rendimento do plantio que ela sustenta, sozinha, os nove filhos de 5 a 25 anos. Na última quinta-feira, o esforço dela foi reconhecido: Noilde recebeu o Troféu Ouro do prêmio nacional Sebrae Mulher de Negócios, na categoria produtora rural, e foi a única empreendedora do Distrito Federal a ser premiada. “Com o reconhecimento, eu me sinto mais fortalecida, com vontade de me aperfeiçoar ainda mais”, comemora.

Nascida em Montalvânia (MG), Noilde se mudou para Brasília aos 18 anos, com os pais. Estudou até a 8ª série do ensino fundamental. Antes de começar a produzir em sua propriedade, localizada em Brazlândia, trabalhava em chácaras vizinhas. Foi um período sofrido. “A diária que eu recebia era de R$ 10 pelo dia trabalhado”, lembra. A situação mudou por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Noilde obteve R$ 5 mil em crédito para plantar beterraba. No entanto, resolveu apostar no morango, inicialmente, com 10 mil pés. “É um dos cultivos mais difíceis, mas é com o que eu mais gosto de mexer”, conta. Com o lucro, conseguiu plantar beterraba, pagar o programa, cobrir despesas do plantio da fruta e ter mais dinheiro para investir na produção.

No ano passado, a produção de morango chegou a 30 mil pés e, com o período de plantio se aproximando a partir do fim de março, a agricultora pretende chegar aos 40 mil pés de morango em 2015. O sonho, agora, é construir um túnel e uma agroindústria, estruturas que permitem o cultivo da fruta durante todo o ano. “Ainda quero melhorar minha casa, construir um galpão mas, comparando com minha situação anterior, eu me sinto mais segura por ter meu próprio negócio.”

No início, era Noilde quem fazia todo o trabalho pesado. Hoje, conta com a ajuda dos três filhos mais velhos, tanto na roça quanto na comercialização dos produtos em feiras de diversas regiões de Brasília. Apenas na Central de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa-DF), as entregas ocorrem duas vezes por semana, às segundas e quintas-feiras. Há três anos, a mineira conseguiu comprar um carro zero, que os filhos utilizam para ajudar no trabalho. Antes, a produtora rural pagava frete para a entrega dos produtos e, muitas vezes, a estrada de terra que dá acesso à chácara Renascer — localizada no Assentamento Detinho em Brazlândia — era percorrida a pé ou em bicicleta emprestada de vizinhos.

Foco na qualidade
Para ela, o ponto alto de cada ano é a Festa do Morango de Brasília, realizada no início de setembro. No estande de Noilde, diferentemente de outros produtores, a fruta natural é o carro-chefe. “Vendo só o morango mesmo, não produzo bolos, geleias e outras preparações. Tenho alguns clientes fiéis, que voltam aqui dizendo que a fruta que eu vendo é mais doce. Sempre promovo degustações, porque aí as pessoas conhecem a qualidade do produto e me procuram para comprar”, revela.

Batalhadora, ela fala com propriedade sobre as variações do morango. “O Camino real é bem grande, vende muito. Faço uma salada deliciosa com ele, mas não é tão gostoso puro. Meu preferido é o Festival, pequeno e doce, mas menos vistoso”, explica. De empreendedora, Noilde passa a multiplicadora, dividindo com outras mulheres os conhecimentos que adquiriu com a prática por meio de cursos na área de empreendedorismo. Recentemente, ela começou a se reunir com um grupo de mulheres da região, que faz pães artesanais com o que plantam. “Somos um grupo de 12 pessoas, fazemos pão de beterraba, de abóbora… O plano agora é achar um local fixo para as reuniões”, diz.

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