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Correio Braziliense

PERFIS de sucesso ANA PAULA SILVA E NEREU SANTOS »

Parceria no negócio

Casal abriu costelaria em Águas Claras há seis anos e faz sucesso com carne assada na brasa por seis horas à moda gaúcha. Movimento é tanto que o dois vão mudar para uma unidade maior em breve

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postado em 23/03/2015 09:53 / atualizado em 23/03/2015 09:56

Ana Paula Lisboa

Marcelo Ferreira
Quando militar, o paranaense Nereu Santos, 53 anos, era o churrasqueiro oficial da tropa. “Quando havia alguma reunião, eu fazia a carne. Sou de Francisco Beltrão (PR), mas sempre convivi com gaúchos e aprendi o preparo com eles. As pessoas elogiavam tanto que sugeriam que eu abrisse um restaurante”, lembra. De tanto ouvir a sugestão, Nereu resolveu começar o próprio negócio com a esposa, Ana Paula Silva, 41, na empreitada. O restaurante foi batizado em homenagem à carreira dele. “Vesti boina por 30 anos no Exército, então nada mais natural”, brinca. Seis anos depois, a Boina Costelaria — localizada na Quadra 301 de Águas Claras — lota aos fins de semana: apenas no último domingo, foram atendidas 700 pessoas. O casal conquistou centenas de clientes fiéis com costela feita na brasa, picanha e contrafilé ao estilo parrilla argentina, bisteca suína e costela de porco. Para completar os pratos, não podiam faltar arroz, feijão, mandioca e vinagrete, preparados por Ana Paula.

Tudo ali é feito, literalmente, à moda da família. “Os pratos simples, mas gostosos, são os mesmos que fazemos em casa”, garante a empresária paulista. Uma das poucas adaptações feitas ao gosto do brasiliense foi a substituição da salada de maionese — tradicional no Sul do Brasil — por mandioca — muito popular por aqui. A recepção dos clientes também é caseira. “O restaurante é uma extensão da nossa casa: tem muito dos gostos e do perfil de nós dois aqui. É como fazer uma festa todos os dias, e criamos um vínculo com muitos dos ‘convidados’ que vêm aqui.” Nos fins de semana, o maior movimento é de famílias. Durante a semana, trabalhadores e, até quem vem a Brasília a negócios, escolhem o local. “O perfil da freguesia é de todas as idades, mas o que tem de casais de 80, 90 anos não é brincadeira”, conta Nereu.

O carro-chefe do lugar, a costela, vem de fornecedores de São Paulo, Mato Grosso e Goiás. O corte é ponta de agulha, e os ingredientes principais são sal, brasa e paciência. “Não há muito segredo para fazer, mas leva tempo. São seis horas para assar”, conta Nereu. Tanto esforço é procurado em grandes quantidades: em uma semana, são assadas 1 tonelada e meia de costelas. “É fácil encontrar restaurante no DF que faz costela no bafo; é raro ver lugar que faz na brasa. Quase metade dos nossos clientes é do Sul, mas descobrimos que até pessoas de outras regiões adoram costela, inclusive gente do Nordeste. Pode não parecer, mas é uma carne democrática.” Mesmo quem não gosta muda de opinião se frequentar o local. “Tínhamos uma cliente que sempre pedia filé e não comia costela de jeito nenhum. Um dia, eu trouxe um pedacinho só para ela provar e ela adorou! Hoje, só pede costela”, conta Nereu, satisfeito.

Em família
Quando abriram as portas, o restaurante era bem menor. “Tivemos a ideia e implantamos em seis meses. A aceitação foi lenta e gradual. No começo, abríamos para um, dois ou três clientes. Foi aumentando aos poucos, com o boca a boca, e fomos nos adaptando às necessidades do negócio, inclusive com relação à estrutura”, conta Nereu. O foco na qualidade e o respeito ao cliente — máximas do estabelecimento — ajudaram a conquistar fregueses fiéis. Depois de sucessivas reformas para expandir o espaço, hoje os donos percebem que não há outra alternativa a não ser mudar-se, já que atingiram o limite máximo do lote. “Não damos conta de atender a todo mundo no fim de semana. Estamos construindo um novo restaurante no Pistão Sul para dar conta. Não queremos manter duas unidades para não perder em qualidade”, observa Ana Paula.

O cuidado com a qualidade do restaurante está nos mínimos detalhes, e o casal está sempre presente para garantir isso. “Estarmos aqui é bom para o cliente, que nos conhece e gosta de nos ver, e para os funcionários, que se empenham mais por nossa causa.” A equipe é formada por 12 pessoas durante a semana e conta com 32 no fim de semana, tamanho o movimento no sábado e no domingo. “Sabemos fazer de tudo aqui — a coisa mais comum é nos encontrar na cozinha e na churrasqueira — e treinamos os funcionários do nosso jeito”, conta Ana Paula. Professora de matemática e física, a paulista foi dona de uma franquia do Kumon por vários anos e usou os conhecimentos de administração adquiridos no negócio na costelaria. Os filhos, de 9 e 13 anos, estão sempre presentes e já estão aprendendo com os pais. “A menina até fica no caixa. É gratificante vê-los crescendo por aqui”, revela Ana Paula.