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PERFIS de sucesso ALEXANDRE FERREIRA »

Craque em doces

Sem experiência no mercado, ex-jogador de futebol abriu empresa de bombons finos e, hoje, emprega os pais na empreitada. Além de ser reconhecido por prêmios, encanta clientes com chocolates de primeira linha

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postado em 06/04/2015 10:13 / atualizado em 10/11/2015 11:02

Ana Paula Lisboa

Gustavo Moreno
Alexandre Ferreira trocou chuteiras, uniformes e treinos no gramado por cozinha, forno, fogão e chocolate. O jovem abandonou a carreira no futebol para montar o bufê de bombons finos Aguimar Ferreira, localizado no Sudoeste. Apesar de desacreditada no início, a empreitada deu certo e oferece mais de 100 sabores de doces, bem-casados e cupcakes. “A qualidade do chocolate — que é belga ou dos melhores fornecedores brasileiros — é o diferencial que encanta os clientes”, ressalta.

A marca foi batizada em homenagem aos pais. “Juntei o primeiro nome da minha mãe com o sobrenome do meu pai. Todo mundo que vê pensa que a empresa é de um senhor e até se assusta quando encontra um jovem no comando”, brinca. A juventude e a inexperiência não foram empecilhos para crescer. Aos 25 anos, Alexandre coleciona prêmios: o último, o Top Marcas 45 do Centro-Oeste, foi recebido na última quarta-feira em Goiânia.

Além desse, Alexandre ganhou, em 2014, o Master Estadual como melhor empresa de doces do DF. Em 2013, venceu o Gran Awards de Excelência de Qualidade e o prêmio Empreendedor Conectado do Google, do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e da Yola pela atuação na internet. A receita está na dedicação. “Sempre trabalhei para oferecer um padrão elevado, buscando o melhor e fazendo tudo com amor”, revela. A procura do público, para ele, é o maior reconhecimento. “Atendo mais de 50 eventos por mês, entre casamentos, festas corporativas e outras ocasiões. Ouvimos muitos elogios sobre a qualidade dos produtos e o atendimento e estamos sempre melhorando”, revela.

“O grande boom de crescimento veio quando lancei os bombons personalizados – em que escrevo o que a pessoa quiser, coloco desenhos, com uma técnica nova”, conta. Para o aniversário de Brasília, por exemplo, Alexandre está lançando uma linha com figuras de pontos turísticos da capital federal, como a Catedral. Os recheios são de frutos típicos do cerrado, como pequi e murici.

Na linha de frente
O jovem abriu as portas do negócio, no Sudoeste, em 2011, mas começou a mexer com doces em 2009, época em que jogava pelo Esporte Clube Vitória, na Bahia. “A mãe de um amigo meu fazia bombons em casa, e eu resolvi que queria aprender. Depois, participei de um grande salão sobre chocolate e vi que aquilo podia ter futuro. Eu não estava ganhando muito com o futebol e comecei a fazer e a vender em ônibus”, lembra ele, que jogou também pelo Gama, pelo Goiás e pelo Paraná e contracenou com craques como o lateral-direito Douglas Pereira dos Santos, que hoje joga no Barcelona, e o zagueiro Rafael Tolói, do São Paulo. Experimentando receitas encontradas na internet, Alexandre passou a fornecer para estabelecimentos comerciais, como padarias e restaurantes, até começar a receber pedidos. “Foi aumentando, coloquei gente para vender e resolvi largar o futebol de vez.”

A decisão, a princípio, não foi aceita pela família. “Meus pais sempre diziam ‘será que isso dá certo?’ Ninguém acreditou ou apoiou, mas insisti. Fazia uma bagunça na cozinha lá de casa...”, lembra. “Eu achava que isso era muito pouco para o meu filho. Ele ia ser jogador de futebol e, agora, ia vender bombons? Não coloquei fé”, admite o pai, Manoel Ferreira, 56 anos, que, depois, largou o emprego de motorista para trabalhar com o filho. “A dedicação dele foi tão grande que a família toda resolveu ajudar”, explica Manoel. A mãe entrou com conhecimentos culinários e, depois de se aposentar este ano, se dedica à empresa de doces. “No início, meu irmão gêmeo elaborou a parte do site, e minha irmã ajudava a embalar”, revela Alexandre.

Além do pai e da mãe, o jovem coordena uma equipe de sete pessoas. Para consolidar a empreitada, foram muitos erros e acertos. “Na primeira encomenda, não tomei cuidado e deixei os bombons caírem no chão. Tive que refazer tudo, mas serviu para aprender.” Experiências anteriores ao futebol também foram úteis. “Eu fui vendedor-representante de persianas e suplementos nutricionais. Isso me ajudou com as técnicas de venda.” Cursos de doces e de empreendedorismo completaram o rol de conhecimentos para gerir a empresa. “Nem penso em voltar para o futebol… Agora, meu sonho é ver a empresa crescer ainda mais”, finaliza.

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