SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

DF inventa moda

Brasília conquista espaço na indústria fashion, e produção local também é comercializada internacionalmente. Há espaço para estilistas e para outros profissionais. Veja cursos livres e profissionalizantes na cidade e desfile seu talento na passarela

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 20/04/2015 09:53

Juliana Espanhol

Paula Rafiza/Esp. CB/D.A Press
Com renda per capita que passa de R$ 2 mil — a mais alta do país — e consumidores ávidos por novidades, Brasília é terreno fértil para a indústria da moda. De acordo com o Sindicato das Indústrias do Vestuário do Distrito Federal (Sindiveste/DF), há cerca de 2 mil empresas do setor na cidade, sendo 90% microempreendimentos. O órgão pretende lançar, em maio, um mapeamento sobre os negócios da capital. A presidente do sindicato, Walquiria Aires, garante que o momento é de oportunidades. “Apesar dos dados de que a economia não vai crescer, no mercado do DF, é possível reverter essa tendência. Aqui, temos uma produção forte de roupas profissionais e uniformes escolares, que têm demanda durante todo o ano, e temos a vantagem de contar com a melhor renda per capita do Brasil. É um mercado competitivo, que pode crescer muito. Ainda falta mão de obra: no Brasil, há um déficit de 100 mil costureiros.” De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e da Confecção (Abit), o setor é responsável por 1,6 milhão de empregos diretos no país, com 33 mil empresas formais.

A estilista Sandra Lima, 47 anos, faz parte do rol de profissionais da moda que apostam em Brasília como local de trabalho. Descoberta em 2006 pelo concurso de talentos do Capital Fashion Week (CFW), ela é pedagoga de formação e, atualmente, concilia as duas carreiras. O esquema de trabalho é por encomenda de clientes individuais e de lojas, e ela pretende lançar um site de e-commerce em breve. “Já recebi convites para vender lá fora, mas acredito que a exportação requer estrutura e preparação maiores. Estou dando passos pequenos”, conta. Agora, Sandra ganha chances mais concretas de projeção internacional: ela foi selecionada para fazer parte do Catálogo Brasília — Fashion and Brands. Um total de 17 estilistas da cidade terá trabalhos expostos a compradores estrangeiros. A iniciativa será lançada oficialmente na próxima quarta-feira (22) e é promovida pelo Sindiveste, com apoio do CFW, do Serviço Social da Indústria (Sesi) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

“Enfrentamos bastante dificuldade para concorrer com grandes redes, que oferecem preços imbatíveis. Para vencer, temos de apresentar produtos com qualidade e preço justo”, diz Sandra. A estilista aposta no uso de materiais tecnológicos e na modelagem diferenciada para se destacar. Na opinião de Márcia Lima, diretora executiva do Capital Fashion Week, a aceitação de produtos nacionais é um dos desafios a serem superados no mercado. “Passamos por um momento delicado, em que muitas pessoas preferem comprar lá fora. Acredito no potencial da cidade, mas o preconceito em relação ao artesanal e ao que é produzido localmente é uma barreira a vencer. Muitas vezes, é preciso ser reconhecido primeiramente no exterior para fazer sucesso aqui.”

Custo-benefício

A distância entre a cidade e os principais polos têxteis do Brasil, concentrados em São Paulo e na região Sul do país, pode ser um empecilho para a produção em larga escala. A facilidade para acessar fornecedores foi uma das motivações para que a marca de moda feminina Avanzzo abrisse mão de uma fábrica no DF para produzir as peças em São Paulo, por meio de uma confecção terceirizada. A empresa, comandada pelo casal André e Daniella Naegele, tem 25 anos de existência, seis lojas em Brasília e deve ganhar um site de vendas no próximo mês. André, 50 anos, diretor-executivo da marca, afirma que eles agilizaram processos, diminuíram custos de produção e melhoraram a qualidade dos produtos com a mudança. “Trabalhamos com uma diversidade de tecidos muito grande, o que dificulta que uma única costureira domine todas as técnicas. Com a terceirização, temos especialistas para cada tipo de produto e tecido e diminuímos atrasos nas entregas.” André alerta que os consumidores de Brasília nem sempre se rendem às marcas, mesmo as consagradas. “Para ser bem-sucedido, é preciso entender muito bem o consumidor local, porque mesmo lojas grandes vêm para cá e, às vezes, acabam fechando.”

André Violatti/Esp. CB/D.A Press
Capacitação
Do corte e costura ao design de moda, a cidade oferece cursos em diversas modalidades (veja quadro). Se depender de Paula Acioli, idealizadora da pós-graduação em gestão de negócios no setor de moda da Fundação Getulio Vargas (FGV) — oferecida desde 2009, no Rio de Janeiro —, a capital federal poderá ganhar mais uma opção na área em breve. “Percebo a cidade como um lugar bacana para o mercado de moda, principalmente pela presença de uma nata política de alto poder aquisitivo”, afirma. Com disciplinas que passam por aspectos como planejamento financeiro, marketing e direito, entre outros, a especialização veio para suprir uma demanda de profissionalização que fugisse do estilismo. “Houve um boom de escolas de criação e estilo entre 1980 e 1990, mas só o design não se sustenta sozinho”, explica.

O produtor e professor do curso técnico de produção de moda da Escola Profissionalizante do Iesb Felipe Lago defende a criação de cursos de bacharelado na área. “Em Brasília, não há muitas indústrias próximas, por isso a área com mais espaço de trabalho é a de produção — justamente o que a faculdade não ensina. Há muita ênfase na formação de estilistas, mas o campo de atuação do profissional da área é bem mais amplo”, diz. Atualmente, o Centro Universitário Iesb é a única instituição na cidade a oferecer graduação tecnológica e pós no ramo.

A estudante Brennda Araújo, 20 anos, fez curso técnico na área, está no primeiro semestre de design de moda na faculdade e sonha em trabalhar com marketing e negócios de moda. A jovem fez trabalhos como freelancer, estagiou numa loja e participou da organização de eventos. Depois da formatura, o plano é fazer pós-graduação no exterior. “O mercado ainda é muito novo e, de certa forma, restrito. Conseguir trabalho depende de contatos. Quem pensa em entrar nesse ramo deve pesquisar bastante e aproveitar todas as oportunidades.”

Sangue novo
Na próxima quarta-feira (22), o Sindiveste lança o Catálogo Brasília — Fashion and Brands no edíficio sede da Federação de Indústrias do DF (Fibra), que fica no SIA, Trecho 3, Lote 225, 3º andar. No mesmo evento, haverá o lançamento do concurso de novos talentos da 17ª edição do Capital Fashion Week, seguido de um desfile. Os interessados poderão conferir o regulamento e fazer inscrição na competição a partir de quarta-feira no site www.cfw.com.br. Neste ano, a semana de moda brasiliense deve ocorrer em outubro. Informações sobre o evento: 3362-6110.

Moda consciente
Em defesa de condições de trabalho justas para profissionais da indústria têxtil, o Fashion Revolution Day é realizado na próxima sexta-feira (24). O intuito da iniciativa, promovida em 68 países simultaneamente, é a conscientização sobre o custo real de roupas e acessórios. Em Brasília, o evento ocorre no espaço cultural Casa 14 (SHCGN 706, Bloco J, Casa 5) a partir das 19h. Haverá bate-papo, exposição de peças de profissionais da moda comprometidos com o tema e happy hour. A entrada é gratuita. Informações: 8108-8881 ou www.facebook.com/fashionrevolution.brasil.

Onde estudar

Confira oportunidades em diversas modalidades de formação

Cursos técnicos e profissionalizantes


Casa do Ceará
A escola, que fica na 910 Norte, tem curso de corte e costura com duração de seis meses. Há aulas nos turnos matutino, vespertino e noturno. Informações: www.casado ceara.org.br ou 3533-3800.

Iesb
A Escola Profissionalizante do Iesb tem cinco formações técnicas ligadas à moda: design de joias, design de calçados, modelagem do vestuário, produção de moda e vestuário, nos câmpus Sul, localizado na 613/614 Sul, e Oeste, em Ceilândia. Informações: espb.planb.net.br ou 3340-3747.

Senac
Na unidade de Sobradinho do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), há curso profissionalizante com 200 horas de duração para costureiro de moda feminina e infantil. Para participar, é preciso ter mais de 16 anos e ensino fundamental completo. Informações: www.senacdf.com.br ou 3313-8877.

Senai
Na unidade de Taguatinga do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), há dois cursos de qualificação profissional na área têxtil e de vestuário: costura industrial básica e modelagem industrial. A escola também oferece curso de aperfeiçoamento, com duração de 60 horas, para operador de máquina reta. Na unidade de Sobradinho, há curso profissionalizante para costureiro industrial básico. Informações: 3353-8715 (Taguatinga) e 3487-8600 (Sobradinho).

Curso superior


Iesb
O centro universitário oferece curso superior tecnológico em design de moda no câmpus Sul, que fica na 613/614 Sul. A instituição tem pós-graduação na mesma área. A especialização é realizada em parceria com o Instituto Europeo di Design de Florença, na Itália. Os alunos têm a opção de fazer um dos módulos de formação na escola italiana. Informações: www.iesb.br ou 3340-3747.

Cursos livres

Fashion Campus
Localizada no Lago Sul, a escola promove uma série de formações de curta duração em diversos temas ligados à moda, como consultoria de imagem e estilo, vitrinismo, fotografia e marketing, entre outros. Há também um intensivo de três meses, que aborda desde a história da moda à modelagem das peças. Em parceira com o Instituto Milan Fashion Campus, a instituição oferece descontos para alunos brasileiros que desejam fazer cursos na cidade italiana. Informações: www.fashioncampus.com.br ou 3366-2277.

publicidade

publicidade