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PERFIS DE SUCESSO - THAIS MELO E GUILLAUME PETITGAS »

Artesãos das baguetes

Casal abriu padaria francesa na capital federal há 8 anos e conquistou a clientela com pães tradicionais e benfeitos, além de um atendimento democrático

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postado em 26/04/2015 16:50 / atualizado em 10/11/2015 11:03

Ana Paula Lisboa

Carlos Moura
A partir das 7h, o local se enche de clientes que querem tomar café da manhã. O maior movimento vem no fim da tarde e no começo da noite. Nesse vai e vem, são atendidas 650 pessoas por dia na La Boulangerie — que, em francês, quer dizer padaria —, localizada na 306 Sul. Entre centenas de opções de massas à base de trigo, os campeões de venda são o pão de cereais — com girassol, gergelim, aveia e linhaça —, a baguete de parmesão e o croissant. Outras opções populares são o brownie de chocolate com nozes, o pão francês, a baguete parisiense e o pão de azeitona. O estabelecimento abriu as portas há 8 anos e expandiu em versões “petit”: em dezembro, inaugurou uma loja na 212 Norte e, no mês passado, chegou ao Lago Sul. Por trás dos 63 funcionários da padaria, estão o francês Guillaume Petitgas, 33 anos, e a brasileira Thais Melo, 34, que planejam abrir uma unidade no Sudoeste em 2016.


O negócio começou num ponto modesto na 106 Sul e não demorou a crescer. O casal deu adeus ao local para abrir uma loja maior na 306 Sul. Eles chegaram a lançar uma unidade no Lago Sul em 2009, mas não deu certo. “Era um espaço muito grande e não se mostrou viável”, revela Guillaume. Pais de Adriano, 6 anos, e Loïc, 1, Guillaume e Thais se dividem entre a cozinha e o trabalho administrativo, respectivamente. O segredo do sucesso, segundo os donos, é a qualidade. “Nosso grande diferencial é fazer benfeito e com amor. Os clientes reconhecem isso. Fazer comida é gostoso e é um trabalho muito lindo. Também é democrático, atendemos ministros de estado, presidente do STF (Superior Tribunal Federal) e pessoas comuns do mesmo jeito: bem e com educação”, conta o padeiro francês. É com essa paixão que ele treina a equipe de funcionários. “Pegamos a pessoa do zero e moldamos do jeito que precisamos.” Um dos problemas que ele identifica é a desvalorização da área no Brasil. “Na França, padeiros, confeiteiros e advogados estão na mesma posição e recebem o mesmo reconhecimento. Aqui, são pessoas de outra classe social que não se misturam, por isso muitos jovens não gostam do trabalho.”

O amor e os negócios
Empreender não foi a escolha mais óbvia para a dupla, que se conheceu no Café Daniel Briand, um dos mais tradicionais da cidade em culinária francesa, onde Guillaume foi trabalhar como confeiteiro em 2004. Atendendo a clientela, ele conheceu Thais, que, na época, era estudante de letras-francês e frequentava o lugar assiduamente. “Começamos a sair, namoramos e fomos morar na França, onde trabalhei com embutidos e pizzaria”, lembra Guillaume. Dois anos depois, os dois voltaram ao Brasil e resolveram empreender. “Brasília tinha padaria alemã, portuguesa e italiana, mas não tinha francesa. Eu quis abrir uma padaria pequenininha que tivesse o ‘jeito de fazer’ francês enquanto a Thais terminava os estudos. Éramos nós dois e chamamos três amigos para ajudar.” Guillaume usou os conhecimentos acumulados durante 4 anos de estudos em padaria e 2 anos em confeitaria e a experiência em estabelecimentos no Brasil e no exterior para abrir o negócio. “Foi na Noruega, onde trabalhei por 2 anos, que descobri o modelo de negócio que eu gostaria de ter: com trabalho manual, pão fresco e sem aditivos químicos, comida saudável e feita com amor.”


“Eu nunca tinha pensado em empreender dessa forma, mas é engraçado porque eu sempre fazia ovo de Páscoa e cesta de café da manhã para vender na escola. Eu já tinha jeito para isso”, explica Thais. Para abrir um negócio, não basta dominar o ramo do produto oferecido, por isso ela teve que se aprofundar em administração. “A proposta era que eu o ajudasse apenas no início e, depois, fosse trabalhar na minha área, já que sou formada para dar aulas de francês. Acabei deixando essa carreira para atuar na parte administrativa da padaria. Cuido das contratações e das finanças. Fiz cursos no Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), comecei uma faculdade de administração e contei com a ajuda de muita gente”, revela.


O aprendizado não foi fácil. “A gente não tinha noção do tanto que é difícil empreender no Brasil e lidar com muito imposto e burocracia, mas corri atrás e aprendi com o dia a dia.” A rotina dos empreendedores é puxada: Guillaume chega à padaria às 3h e só sai às 13h, descansa um pouco e volta no fim da tarde para continuar acompanhando a produção. “Estou sempre aqui. Os clientes sempre me veem passeando com avental e cheio de farinha”, brinca Guillaume. Para Thais, essa presença constante faz toda a diferença. “É assim que imprimimos o ritmo da equipe e transmitimos os valores da empresa.” Quando chegam em casa, o assunto continua sendo o trabalho. “Temos até que nos policiar para não ficarmos só nisso. Vida de empreendedor é puxada, mas vale a pena, é o que gostamos de fazer”, observa Thais.

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