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Questão de qualidade

Gerenciamento focado em resultados pode deixar o bem-estar em segundo plano. Especialistas ressaltam, no entanto, que profissionais felizes trazem mais retorno

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postado em 26/04/2015 16:56 / atualizado em 27/04/2015 12:27

Ana Rayssa

Entre a qualidade de vida dos funcionários e a produtividade, existe uma linha tênue e complexa. Uma equipe saudável e satisfeita com as atividades que exerce é vantajosa tanto para os funcionários quanto para a companhia. De acordo com o doutor em engenharia de produção Gilsée Regis Filho, autor do livro Qualidade de vida no trabalho: o que as empresas precisam saber sobre ergonomia, é necessário repensar o tratamento aos colaboradores.


No entanto, poucas companhias se mostram engajadas em estabelecer condições vantajosas para os funcionários. “Modernas tecnologias de gestão têm apresentado maneiras de as empresas se tornarem competitivas. Porém, pouca ou nenhuma atenção é dada à qualidade de vida”, aponta Regis. Para ele, a falta de investimento em qualidade de vida não é um processo atual. “Um péssimo ambiente de trabalho não é privilégio da era moderna, mas sim uma cultura do sistema capitalista.”


Os resultados de um ambiente abusivo são funcionários insatisfeitos e alta rotatividade. Glênia Souto, 31 anos, é exemplo disso. Ela se sentiu desrespeitada quando trabalhou com atendimento ao cliente em um atacadista de flores e produtos orgânicos e acabou pedindo demissão. “Estávamos sob estresse constante, com gritos da chefia e excesso de trabalho, chegando a turnos de 12 horas. Os chefes se aproveitavam da condição do empregado, de precisar do salário, para impor uma rotina abusiva e desgastante. A empresa só se preocupava com a produtividade, e nós acumulávamos funções”, conta.

Satisfação pessoal

Sheila Nunes, gerente de RH da empresa de tecnologia da informação Finnet, entende que uma boa gestão e a satisfação dos colaboradores levam ao aumento da produtividade e da qualidade do serviço prestado. “É impossível desassociar o trabalhador do indivíduo social. Quando um colaborador está com a vida pessoal comprometida, isso afeta o aspecto profissional”, diz. Desde 2004, a empresa vem implementando iniciativas de bem-estar, como áreas de descanso, um portal do reconhecimento e até confraternizações em hotel-fazenda. “O clima mudou, a empresa criou uma cultura em que não é preciso muito para manter as diretrizes da companhia”, comemora Sheila.


Assistente administrativo no Laboratório Sabin, listada há oito anos como uma das melhores empresas para trabalhar no país pelo instituto Great Place to Work (GTPW), Francisco Evaldo Feitosa, 37 anos, se diz contente em fazer parte de uma companhia com ações voltadas ao bem-estar. Ele frequenta a academia montada nas dependências da empresa. “Antes, eu sofria com problemas de coluna. Hoje, tenho disposição e não sofro com problemas de saúde”, compara.

Acompanhamento psicológico, médico e nutricional, educação financeira, auxílio para enxolval de bebê, casamento e babá estão entre as medidas da empresa para incentivar os colaboradores. O investimento traz retorno. “Percebemos mais comprometimento e melhora no rendimento e na relação entre os funcionários e as lideranças”, garante Mariana Bittar, gerente de RH do Sabin.

Muito a ser feito
Apesar do número crescente de companhias desenvolvendo atividades como ginástica laboral, o professor do Departamento de Psicologia Social e do Trababalho da Universidade de Brasília (PST/UnB) e co-organizador do livro Qualidade de vida no trabalho: estudos e metodologias brasileiras Mário César Ferreira ressalta que é importante aprimorar essas atividades. “Os programas convencionais só oferecem técnicas para fazer com que os trabalhadores resistam ao exercício laboral. A alternativa é criar programas que se preocupem com bem-estar e não apenas com produtividade e se comuniquem com o trabalhador.”


Os profissionais também podem fazer a sua parte e devem lembrar que a qualidade de vida não é função exclusiva das empresas. “Toda pessoa deve contribuir para a própria satisfação, adotando posturas saudáveis diante da vida e da organização”, aponta Gilsée Ivan.

 

 

 

Qualidade de vida no trabalho: estudos e metodologias brasileiras
Organizadores: Izabela Rezende Taveira, Ana Cristina Limongi-França e Mário César Ferreira
Editora: CRV
474 páginas
R$ 74,90


 

Qualidade de vida no trabalho:  o que as empresas precisam  saber sobre ergonomia
Autor: Gilsée Ivan Regis Filho
Editora: Univali
285 páginas
R$ 85

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