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Viagem premiada

Pacotes de turismo vêm substituindo o bônus financeiro na hora de recompensar funcionários por metas alcançadas. Além de motivar, esse tipo de prêmio pode contribuir para a formação do profissional

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postado em 26/04/2015 17:10 / atualizado em 27/04/2015 11:58

Juliana Espanhol

Antonio Cunha

Na busca por maneiras de fidelizar os colaboradores, empresas têm investido nas viagens de incentivo. Criada para motivar os funcionários, a ação pode ser o prêmio por metas alcançadas, no lugar dos tradicionais bônus financeiros. De acordo com a Associação Latino Americana de Gestores de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev), o nicho movimentou R$ 69,54 bilhões em 2013, com crescimento de 13,83% em relação ao ano anterior. O segmento foi responsável pela criação de mais de 351 mil empregos diretos naquele ano. O levantamento considerou como viagem corporativa toda aquela paga por pessoa jurídica.


A coordenadora do mestrado em turismo da Universidade de Brasília (UnB), Marutschka Moesch, explica que a prática é consolidada no exterior e vem ganhando espaço no Brasil. “O turismo de incentivo começou há 30 anos nos setores de vendas dos Estados Unidos. No Brasil, vem ganhando força há cerca de 10 anos. Até algum tempo atrás, o brasileiro preferia trocar o carro ou fazer melhorias na casa com o dinheiro extra das férias. Agora, há uma cultura que dá mais valor à utilização do tempo livre para viajar”, explica. Silvia Paes Leme, diretora do Departamento de Eventos e Viagens de Incentivo da Nascimento Turismo, ressalta as vantagens desse modelo de premiação. “Quem vai a uma viagem usufrui de uma programação exclusiva e se sobressai perante os colegas, fica num Olimpo. O passeio gera apelo emocional, marca a vida da pessoa.”


No caso de Michelle de Souza, 34 anos, um incentivo da empresa foi a chance de ir ao exterior pela primeira vez. Ela, que é correspondente bancária na assessoria financeira do banco Daycoval em Cuiabá, passou uma semana fazendo turismo em Israel em setembro do ano passado junto a três colegas. “A gente se esforçou durante todo o ano para bater as metas de empréstimo consignado. Eu não tinha muita expectativa, mas foi tudo maravilhoso. O banco pensou em cada detalhe”, conta. Neste ano, o destino é Portugal. Michelle conta que a motivação para superar resultados cresceu após a iniciativa, e que, para estimular ainda mais a produtividade, o banco envia periodicamente mensagens com fotos e informações sobre a próxima viagem. A companhia também adota uma meta conjunta, sem estimular a competição entre os colabores. Ou seja, se o objetivo não for alcançado, ninguém viaja.

 

Para a professora da UnB Marutschka Moesch, premiações assim são mais saudáveis. “Algumas organizações se pautam numa competitividade exagerada. É mais produtivo se o bônus envolve trabalho de qualidade e solidariedade com os colegas.” Quando o objetivo é premiar uma pessoa só, regras bem definidas evitam situações desagradáveis, na visão de Silvia Paes Leme. “O regulamento deve ser claro e planejado para que não haja dúvidas de que quem ganhou a corrida o fez por apresentar os melhores resultados.” Para conquistar viagens assim, o comportamento do funcionário é decisivo, como explica Emmily Mathias, sócia da empresa de consultoria em gestão de pessoas Insight. “É preciso se mostrar — mas com bom senso. Não dá para ser excessivamente tímido nem ter uma atitude arrogante e querer passar por cima das pessoas”, recomenda. Demonstrar competência, conhecimento e propor ideias inovadoras são requisitos básicos para conquistar esse tipo de oportunidade.

Trabalho valorizado
Há cerca de um mês, a coordenadora de vendas Luciana Monteiro, 25, ganhou uma viagem de incentivo pela primeira vez. Ela e três colegas da Ambev passaram três dias em Urubici (SC) em uma fazenda sustentável, onde tiveram contato direto com pequenos produtores rurais. O grupo ganhou a chance de viajar depois de participar de um programa de voluntariado da empresa, que visava à conscientização sobre o consumo excessivo de bebidas alcóolicas. Luciana aprovou a iniciativa. “Esse tipo de oportunidade valoriza nosso trabalho. A experiência foi enriquecedora e diferente daquela que temos no dia a dia e mesmo nas férias.” Roberto Brandi, gerente de Relações Corporativas da Ambev, explica que o objetivo foi proporcionar uma experiência única. “É uma chance de ver coisas novas e voltar com outra visão de mundo.”


Na companhia, não há uma política definida sobre o assunto. “Cada gestor premia os funcionários da forma que achar melhor. Há quem prefira incentivos financeiros ou presentes, como eletrodomésticos”, explica. Emmily Mathias alerta que, se for banalizada, a estratégia de premiação pode ser ineficiente. “Em algumas situações, viagens não fazem sentido. Para certas pessoas, passar tempo longe da família é desgastante e, nesses casos, os passeios podem incomodar”, alerta. A consultora aponta a opção de levar um acompanhante para reduzir esse tipo de conflito.

Mais que diversão
Além da oportunidade de tirar “mini férias” custeadas pela empresa, viagens de incentivo podem ter um elemento de formação profissional. É possível aliar ao passeio a participação em feiras, congressos ou treinamentos em instituições de ponta, no Brasil ou no exterior. “É um investimento no funcionário. Se ele está ali, é porque se destacou. Então por que não dar essa chance de atualização profissional?”, questiona Silvia Paes Leme. Segundo a diretora, empresas de todos os portes e segmentos adotam a prática. “Foi-se o tempo em que só multinacionais ofereciam esses diferenciais. Com criatividade, é possível encontrar soluções para todos os bolsos”, afirma. A depender do perfil da empresa, os funcionários podem escolher o tipo de prêmio que querem receber. Nesse caso, Emmily Mathias adverte que a opção por um programa que inclua formação profissional pega bem. “Aliar o descanso a uma chance de crescimento na formação sempre é positivo.”

 

Curso

A Academia de Viagens Corporativas oferece curso em Brasília sobre gestão de viagens corporativas em 19, 20, 26 e 27 de junho. Entre os assuntos abordados estão metodologia de compras, gerenciamento de despesas, administração de dados e relatórios, entre outros. O valor do curso é de R$ 1.958, pago em até três parcelas. Mais informações em (11) 3035-1000 ou www.academiadeviagens.com.br.

 

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