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Profissões do futuro

Avanço da tecnologia e mudanças sociais multiplicam desafios no mercado de trabalho. Novas atividades surgirão, exigindo conhecimento em várias áreas, capacidade de adaptação e habilidade para atuar em grupos

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postado em 03/05/2015 14:39 / atualizado em 03/05/2015 14:41

Vera Batista

 

Nos últimos 10 anos, o mundo passou por mudanças radicais. Os avanços da tecnologia e da ciência, o aumento da expectativa de vida da população e as demandas da sociedade por energias renováveis causaram impactos importantes na economia e nos negócios. Essas tendências vão determinar o ritmo do mercado de trabalho. A maioria das profissões terá que se adaptar às novas exigências, e várias poderão desaparecer. Esse ajuste será mais rápido do que se imaginava no passado. Até 2020, ou talvez antes, o planeta viverá transformações significativas.

De acordo com a economista Renata Spers, da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), quem não se preparar perderá importância no mercado de trabalho. “As pessoas já começam a perceber as novas formas de agir. Profissões não surgem por acaso. Há forças no ambiente que as empurram. E, na maioria das vezes, vêm de cima para baixo. As empresas exigem determinadas qualificações. Os que não se adaptam são dispensados”, explicou ela, que coordenou a pesquisa “Carreiras do Futuro”, do Programa de Estudos do Futuro (Profuturo), da Fundação Instituto de Administração (FIA).

Um movimento importante, segundo a pesquisadora, será o processo de “humanização”. O reinado do ignorante específico — excelente técnico em uma área, mas incapaz de conviver em grupos — chegou ao fim, disse a economista. Assim como o isolamento em turmas virtuais ou em nichos de saber. O conhecimento precisará ser compartilhado. “Haverá uma integração entre as atividades, o que exige também a formação integrada, seja educação formal, seja leitura, seja viagens. Mas a convivência, a sintonia, a capacidade de captar e compreender a ânsia do outro estão no topo do ranking”, afirma Renata.

Zona de conforto

Para Melina Graf, gerente de Transição de Carreiras da Consultoria Thomas Case & Associados, o processo de adequação para a década que se aproxima precisa de suporte profissional. “Às vezes, as pessoas resistem, se apegam a velhos hábitos. É um ranço do passado, quando o pensamento se baseava no ditado ‘em time que está ganhando não se mexe’. A concorrência chegou a tal ponto que todo avanço abrirá portas para outras descobertas. Muita gente vai precisar de orientação”, destaca.

Patrícia Atui, especialista em carreiras da consultoria Action Coach, defende a tese de que “a vida começa no fim da zona de conforto”. Prefere-se o conforto por receio de enfrentar o desconhecido, de perder o controle, das consequências de atitudes e comportamentos, de achar que não há a necessidade de aprender nada de novo (síndrome do “eu já sei”), entre outras muitas culpas e desculpas. “Toda pessoa tem alguma limitação a ser superada e, caso não pense assim, conforme aprendi com o livro O monge e o executivo, escrito por James Hunter, a primeira a ser superada é a arrogância”, complementa Patrícia.

Na pesquisa “Carreiras do Futuro”, Renata Spers lista 20 novas e emergentes profissões que deverão dominar o mercado. A inovação, para a maioria dos entrevistados (38%), será um fator cada vez mais crítico para a competitividade das empresas, com ênfase no desenvolvimento tecnológico, na educação continuada e no desenvolvimento de novos conhecimentos. “As áreas de biotecnologia, nanotecnologia, saúde e medicina serão especificamente promissoras. Exigirão cada vez mais profissionais capacitados para transformar as novidades em negócios e aplicações rentáveis.”

Entre as macrotendências identificadas pela pesquisa, a busca por qualidade de vida foi a prioridade para 26% dos respondentes, seguida por preocupação com o meio ambiente (18%) e envelhecimento da população (12%). A consultoria britânica Sigma Scan vai além. Para 2025, a previsão é que haja vagas para várias inusitadas funções, como guia turístico do espaço, lixólogo (ou gestor de resíduos), fiscal de mudanças climáticas e perito forense digital, entre outras. Para especialistas, as profissões que tendem a desaparecer são caixa de banco, atendente de telemarketing, metalúrgicos e recepcionistas. Serão substituídas por processos automatizados, inteligência artificial, atividades robóticas e recepcionistas virtuais, apontam.

No entender de Luís Testa, diretor de Pesquisa e Estratégia da Catho, empresa de consultoria e recrutamento, o fundamental é que a sociedade entenda que a mudança é radical e para sempre, e que todos teremos que estudar e nos atualizar durante a vida inteira. “Daqui para a frente, nada estará consolidado. Quando uma transformação acabar, virá outro desafio ainda maior. Não creio que as mudanças esperarão 2020. Em no máximo três anos, surgirão novas tecnologias e novas ofertas. Sobreviverão não os mais fortes, mas as pessoas mais adaptativas”, afirma Luís Testa.

Ele destaca que as barreiras entre os países ficarão menores. “Já é possível contratar um digitador da Índia, da China ou da Islândia. A tecnologia ampliou as oportunidades de mão de obra.” Às vezes, o Brasil surgirá no topo com a criação de aplicativos importantes, como aquele que facilita a busca de táxi”, diz  Testa. Mas, às vezes, ficará um passo atrás. A evolução dependerá do momento econômico, da educação, da infraestrutura e dos hábitos de cada nação.

Demandas

“A China ainda apresenta um desenvolvimento extraordinário, urbanização rápida e migração. Na Índia, a situação é diferente, a população está em pequenas vilas e o impacto pode ser mais lento”, destaca Testa. Na Europa, com o envelhecimento da população, algumas profissões do futuro já são realidade, enquanto no Brasil ainda não estão claras algumas tendências. “Passamos por um processo de descentralização. O eixo Rio-São Paulo, que sempre alavancou o crescimento, cede espaço para o agronegócio do Centro-Oeste e para indústrias que surgem no Nordeste.”

A entrada da mulher no mercado de trabalho também trouxe demandas específicas: babás, creches e boas escolas infantis. “Passaremos a precisar de especialistas em geração de energia, engenheiros, projetistas, vendedores de placas fotovoltaicas e de geração de crédito de carbono, além de agrônomos, para tratar de terras agricultáveis e produzir alimentos em abundância. Enfim, pessoas com formação diferenciada que vão conseguir surfar na onda do crescimento econômico”, afirma Testa.

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