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SUPERAÇÃO »

Sem medo do fracasso

Conheça a história de profissionais de origem humilde que conseguiram construir um futuro melhor. De acordo com livros recém-lançados, dificuldades fazem parte da rotina de quem busca evoluir

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postado em 17/05/2015 13:11 / atualizado em 17/05/2015 13:14

Carlos Moura

A família de Edilson das Chagas, 45 anos, morava em uma invasão no Paranoá. A mãe trabalhava como empregada doméstica e o pai, como tratorista. Quando Edilson completou um ano, eles ganharam uma casa no Gama por meio de um programa do governo. Um ano depois, o pai faleceu, deixando a mãe dele viúva aos 22 anos com cinco filhos para criar. Esse poderia ter sido o início de uma história de revolta, mas não foi. Edilson cresceu com um pensamento fixo: em vez de se lamentar pelas coisas que não tinha, seria grato por tudo. Começou a trabalhar aos oitos anos. Foi vendedor de bananas e de picolés, flanelinha, faxineiro e até jornaleiro do Correio Braziliense. “Eu fazia tudo que podia para ajudar em casa. Com 13 anos, era menor aprendiz numa gráfica. Terminei o segundo grau estudando à noite e trabalhando durante o dia em uma copiadora”, relembra.

“Fiz faculdade de direito. Chegava em casa todos os dias depois da meia-noite.” O esforço foi recompensado com a aprovação em diversos concursos públicos, o último deles foi o da magistratura. Hoje, Edilson é juiz da Vara de Falências do DF. “Em 1997, ninguém do Gama tinha passado nesse concurso. Eu não tinha frequentado uma boa escola. Então, como eu poderia ser o primeiro?”, questiona ele. “O estudo e o esforço ajudaram, mas ter passado em primeiro lugar na seleção foi além da linha natural. Isso me deu a certeza de que, quando lutamos e fazemos nossa parte, somos recompensados”, conclui ele, que dá aulas de direito no Centro Universitário de Brasília (UniCeub).

Histórias como a de Edilson podem ser contadas em poucas linhas, mas demoram a se concretizar. Rubens Teixeira, doutor em economia, professor universitário e autor do livro Como vencer quando você não é o favorito — lançado em março —, explica que cada pessoa deve buscar uma série de habilidades, como coragem, disciplina, determinação, visão, foco, paciência, perseverança e humildade de forma a alcançar o sucesso. Para isso, não é necessário fazer nenhum curso, mas a pessoa tem que se esforçar. Ele motiva quem está passando por dificuldades a tentar outras vezes. “Persevere! É preciso aprender a lidar com o medo. Só consegue chegar à excelência quem passa por adversidades.”

Por linhas tortas

“O caminho para obter êxito nunca é uma linha reta”, comenta Sarah Lewis, autora de O poder do fracasso. Atualmente, Sarah é crítica da Faculdade de Artes da Universidade Yale e atua como curadora. Ex-aluna de Harvard, fez mestrado em Oxford e doutorado por Yale. Em 2010, entrou para a lista anual da revista The Oprah Magazine, que reúne as mulheres mais poderosas do mundo. Para a autora, o fracasso não deve ser visto sempre como algo negativo. A experiência de quase conseguir atingir o objetivo pode ser produtiva e trazer motivação. “A chave é “estar constantemente superando o trabalho realizado antes.”

Ribamar Cutrim, 60 anos, acredita que “no mundo, há espaço para todos que atuam corretamente”. O empresário começou a trabalhar ajudando o pai com o abate de gado aos seis anos, no interior do Maranhão. Em 1971, mudou-se para Brasília e foi contratado como faxineiro, copeiro e, depois, garçom. Na busca por um salário melhor, buscou um trabalho fixo na Datamec, empresa de processamento de dados. Aos poucos, chegou ao cargo de coordenador. “Isso já era considerado um avanço para mim, que sou o filho mais velho de uma família com onze crianças.”

Com o processo de privatização da empresa, Ribamar e a esposa foram demitidos. Ele abriu um depósito de distribuição de alimentos, porém, por causa da inexperiência, o negócio não deu certo. “Tudo que eu tinha foi por água abaixo”, conta. As sucessivas derrotas não o desanimaram. “Vendi um apartamento no Guará para não interromper os estudos dos meus dois filhos. E, como bom nordestino, comecei tudo de novo”, relata.

Com a ajuda de um amigo, ele abriu um novo negócio em agosto de 2002. A iniciativa cresceu e, hoje, constitui o grupo Oriente, com três empresas nas áreas de segurança e serviços gerais com mais de 1,3 mil funcionários. “Vou deixar esse legado de superação para os meus filhos.”


Leia

 (GMT Editores/Reprodução)
 

O poder do fracasso

De Sarah Lewis, Editora Sextante, 256 páginas, R$ 39,90 (e-book:
R$ 24,99)

 (GMT Editores/Reprodução)
 


Como vencer quando você não é o favorito
De Rubens Teixeira, Editora Sextante, 192 páginas R$ 24,90 (e-book: R$ 16,99)

 

Palavra de especialista

 

Aprendizado

“Quando falhamos é porque não tínhamos conhecimento suficiente, houve falta de estudo e treino. Se cada erro for encarado como uma pequena derrota, no fim, haverá um grande fracasso. Em cada falha, é necessário buscar aprendizado. O que deve te nortear é a busca pela excelência. Quando decidir fazer algo, esforce-se para fazer muito bem ou nem faça.”

Bob Floriano, locutor, coach, palestrante, responsável por mediação de eventos de desenvolvimento profissional
 

 

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