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Técnica de campeão

Ex-aluno do curso de refrigeração representa o DF na WorldSkills, competição de educação profissional que ocorre pela primeira vez na América Latina. Para especialistas, o mercado no ramo é promissor

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postado em 31/05/2015 11:03 / atualizado em 31/05/2015 11:08

Juliana Espanhol

Ana Rayssa

O Distrito Federal terá um representante na maior competição de educação profissional do mundo: Wilker Grassioti de Sousa, 20 anos, vai concorrer ao posto de melhor jovem técnico em refrigeração e ar-condicionado na WorldSkills Competition. O torneio deste ano será realizado em São Paulo, entre 11 e 16 de agosto, e reunirá mais de 1,2 mil competidores de 63 países, com até 22 anos. Nesta edição, a delegação brasileira é composta por 56 jovens, a maior equipe desde o início da participação do país no evento, em 1983. “Estou muito feliz em participar da competição, só agora está caindo a ficha. Já me sinto muito realizado por ser reconhecido como um dos melhores do Brasil”, comemora Wilker, durante uma pausa na rotina de treinamento que vem fazendo nos últimos meses.

“Treino de segunda-feira a sábado. Chego às 8h e saio às 19h, às vezes, até mais tarde. No fim do ano, só parei no Natal. Enquanto todo mundo estava em casa aproveitando, fiquei aqui com meu treinador”, relembra, rindo. O jovem, que fez cursos de qualificação nas áreas de eletricidade e de refrigeração no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Taguatinga, tem praticado num grande galpão na unidade do Senai no Guará.

Diante de jurados e da plateia, ele terá duas missões na competição: montar as partes elétrica e mecânica de uma pista de gelo e identificar e reparar defeitos de condicionadores de ar do tipo piso-teto, numa disputa com outros 30 estudantes. A 72 dias do torneio, ele pretende manter o ritmo de preparação. “Não vou mudar minha estratégia, porque tem dado certo. Agora, estou me concentrando nos pontos em que preciso melhorar”, revela. Wilker teve dois anos de preparação até a competição mundial, depois de passar por seletivas regional e nacional. Quando terminar a disputa internacional, ele pretende estudar engenharia mecânica.

A responsabilidade do rapaz é ainda maior por uma tradição de família. O irmão dele, Willian Grassioti de Sousa, 23 anos, foi o grande vencedor da mesma categoria na WorldSkills de 2011, realizada em Londres. O pai da dupla também é um profissional da área, formado na década de 1980, na mesma instituição em que os irmãos estudaram. “Digo para ele que o que conta na competição é a parte emocional, já que todo mundo chega com o mesmo nível técnico. Estou confiante no desempenho do meu irmão”, revela Willian, que hoje é estudante de engenharia mecânica — com bolsa que ganhou graças à premiação no torneio — e instrutor no Senai.

Joaquim Venancio, preparador de Wilker, também aposta no jovem. “Ele tem potencial para se destacar porque é muito concentrado e aceita desafios. Eu o acompanho há dois anos e, a cada simulado, o resultado dele se mantém ou melhora”, conta. A participação brasileira na WorldSkills tem evoluído. No total, o Brasil acumula 68 medalhas — 12 apenas da última edição, realizada em 2013, em Leipzig, na Alemanha. Bianual, a competição ocorre pela primeira vez em um país da América Latina. Organizada pela WorldSkills International e pelo Senai, o evento espera atrair 120 mil visitantes ao longo dos quatro dias de visitação pública.

 

 

 

Mercado promissor
“Nos últimos anos, nossa área tem recebido bastante procura, com turmas nos três turnos. O mercado de trabalho para refrigeração tem crescido no Distrito Federal. Há demanda em frigoríferos, supermercados e também em climatização, com ar-condicionado”, explica Joaquim Venancio, instrutor da área de refrigeração do Senai Taguatinga. Na opinião de Sergio Machado, avaliador da competição, a área exige dedicação e atualização constante. “É preciso ter conhecimento de física, química, mecânica, elétrica; enfim, é uma área complexa. O profissional deve estar sempre em evolução para acompanhar o que surge de novo e se preocupar também com o meio ambiente”, afirma.

Diferentemente de outros setores da indústria, que passam por queda no número de postos de trabalho, a área de refrigeração e climatização demanda cada vez mais profissionais. De acordo com levantamento do Senai, baseado em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de 2014, a função de mecânico de manutenção de aparelhos de refrigeração foi a terceira carreira industrial que mais gerou empregos no ano passado, atrás das profissões de instalador e reparador de linhas e equipamentos de telecomunicações e de técnico de manutenção em máquinas. Juntas, as três ocupações geraram 7 mil novas vagas em 2014, num cenário em que houve redução de 330 mil postos na indústria. A remuneração dessas funções varia de R$ 1,4 mil a R$ 3,7 mil, a depender do grau de especialização do profissional.

A curto prazo, as expectativas do setor industrial como um todo são modestas, como explica Márcio Guerra, gerente de Estudos e Prospectiva da Confederação Nacional da Indústria (CNI). “Para este ano, a perspectiva não mudou; estamos passando por um momento de ajuste, e é difícil prever com que velocidade o mercado vai se recuperar”, afirma. Na avaliação de Guerra, mesmo que o ramo esteja com dificuldades para empregar no momento, esta é uma boa hora para estudar. “É natural que a economia passe por momentos de alta e de baixa, e a situação atual não vai durar para sempre. Por isso, o ideal é se preparar já que quem começa um curso técnico hoje entrará no mercado em 2017.”

Talento no ar

Confira números da competição

1.230
competidores inscritos

63
países de cinco continentes participam

800
voluntários

120 mil
visitantes esperados

 

Questão de gênero


Nesta edição da WorldSkills, do total de 50 ocupações da competição, apenas seis serão representadas por mulheres na delegação brasileira. A paulista Fabiana Bonacina, 20 anos, será uma delas. A estudante compete na categoria de manufatura integrada junto a dois colegas, Alex Yonekubo e Guilherme Campanez. A prova a ser completada envolve eletroeletrônica, mecânica e informática. “Minha família ficou muito contente com minha participação”, conta ela.

Natural de Pompéia, a 73km da capital do estado, a estudante fez curso técnico de mecânico de usinagem na Escola Senai Shunji Nishimura. “Antes, só tinha menino na turma, mas, ultimamente, têm entrado mais meninas”, conta. A percepção de Fabiana é ratificada pelo gerente de Estudos e Prospectiva da CNI. “Vemos um aumento significativo no número de mulheres em cursos do Senai, e isso começa a se refletir no mercado de trabalho. Esperamos que esse cenário se torne mais igualitário no futuro”, afirma. Na WorldSkills 2015, as brasileiras também competem nas categorias de construção de estruturas para concreto e de panificação pelo Senai. Entre os cursos oferecidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), elas representam as categorias de cuidados de saúde e apoio social; estética e bem-estar e florista.

 

 

Participe!


WorldSkills Competition São Paulo 2015
» De 11 a 16 de agosto, no Anhembi Parque

Calendário de visitação pública e gratuita:
» 12 de agosto: das 10h às 17h
» 13 e 14 de agosto: das 9h às 17
» 15 de agosto: das 9h às 16h
» Mais informações: www.worldskillssaopaulo2015.com

Para competir na próxima
Interessados em participar da próxima WorldSkills em 2017 devem passar por seletivas regionais organizadas pelo Senai. Os pré-requisitos para participar são ter menos de 22 anos e integrar um dos 74 países-membros da WorldSkills International. Para as áreas de rede de cabeamento estruturado, mecatrônica, desafio de construção por equipes e manutenção de aeronaves, os competidores podem ter até 25 anos. Informações: www.portaldaindustria.com.br/senai.
 

 

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