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Correio Braziliense

Ana Paula Nascimento, Rose Costa e Adriana Dalles - As rainhas de Sabá

Há uma década, irmãs abriram salão para cabelos crespos no Conic. Perfil da clientela é cada vez mais diversificado

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postado em 08/06/2015 14:09 / atualizado em 08/06/2015 14:14

Ana Paula Lisboa

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
Rose Costa, 33 anos, mantém um corte que deverá se tornar um black power. Adriana Dalles, 30, tem permanente. Ana Paula Pereira Nascimento, 26, usa várias trancinhas. Os diferentes penteados das irmãs, naturais de Coqueiro (MA) e moradoras do Paranoá, são a grande propaganda do Salão Afro Rainha de Sabá, que funciona no Conic há uma década. “Somos vitrines vivas. O que usamos os clientes pedem”, conta a caçula. Com sete funcionários, entre eles a prima Andrezza Nacimento, 21, e a cunhada Jaina Nascimento, 28, elas atendem, pelo menos, 50 clientes por dia. Na carta de serviços, estão rastafári, dreads, permanente, tranças com e sem aplique, penteados tradicionais africanos, plástica capilar, hidratação e corte.

“O atendimento varia de 25 minutos a seis horas — no caso de um rastafári longo, por exemplo. Normalmente, uma de nós três sempre participa. Mesmo que um funcionário esteja fazendo, sempre leva a nossa mão em algum momento”, conta Rose. “Os pedidos mais populares são trança lateral, rastafári e permanente para ficar com cachos à la Taís Araújo ou Sheron Menezzes”, completa Adriana.

Apesar de ser um salão afro, a freguesia é bastante variada, como explica Adriana. “Ao longo desses 10 anos, percebemos que o cabelo e os penteados desse tipo ganharam força. O público mudou muito e não é mais só de negros. Pessoas de todas as etnias valorizam e adotam esse estilo.” O perfil de gênero e idade também é diversificado. “Não são só mulheres: os homens estão cada vez mais vaidosos. Também é comum atendermos crianças, pois as mães acham difícil cuidar do cabelo crespo”, completa Rose. Josias dos Santos, 61 anos, é cliente do salão desde 2013 e é só elogios para a equipe. Além dele, a mulher e as filhas frequentam o local. “Conheci por meio delas e, desde então, venho aqui. O atendimento e o serviço são nota 10”, garante.

O início
Na adolescência, Rose Costa resolveu aprender a fazer penteados para arrumar a si e as irmãs. Adriana Dalles, que sempre gostou de mexer com cabelos, seguiu os passos dela. “Em casa, testava nas minhas irmãs”, revela Rose. Depois de concluir os estudos, a dupla foi incentivada a se profissionalizar. “Minha mãe disse que nos daria um salão de beleza se estudássemos”, lembra Adriana, que fez curso de cosmética em cabelo, enquanto a primogênita se especializou em manicure e pedicure. “Abrimos um salão convencional na L2 Norte. Fazíamos corte, alisamento e manicure, mas percebemos que não era com isso que queríamos mexer. Sentíamos falta dos penteados afro”, diz Rose.

Foi então que as duas abriram o Salão Afro Rainha de Sabá. “O nome é de uma personagem bíblica. Ela era uma soberana negra, bonita e vaidosa que fazia sucesso entre os homens”, explica Adriana. A partir daí, elas procuraram um lugar democrático, onde um salão destinado a cabelos crespos pudesse fazer sucesso. O ponto escolhido foi o Conic, e elas não se arrependem. “O retorno está vindo, graças aDeus. Nossos clientes são muito bons”, comemora Adriana. Três anos após a abertura, a irmã caçula, Ana Paula Pereira Nascimento, se juntou ao negócio. “Depois que terminei a escola, fui observando e aprendendo com a Rose.”

“Pensava em trabalhar com cabelos desde criança. Eu me sinto realizada aqui”, celebra Adriana. Ana Paula também adora o que faz. “O cabelo é o forte da imagem, então, tem muita importância. Gosto de mexer com isso.” Com Rose, não poderia ser diferente. “Aqui, nem oferecemos manicure e pedicure, que foi o que estudei, mas sou muito feliz no trabalho.”

Negócio em família
As três irmãs estão sempre juntas, e admitem que discussões fazem parte do dia a dia, mas não deixam que isso afete a empresa. “Podemos brigar, por implicância normal, mas nunca na frente dos clientes e dos funcionários. O ponto positivo é que confiamos muito uma na outra”, observa Rose. “Muita gente falava que três irmãs num negócio nunca dariam certo, mas provamos que dá”, diz Adriana. A maior dificuldade enfrentada pelo trio está na rotatividade da mão de obra. “Há pouquíssimos salões especializados em cabelo afro no DF, então, geralmente, temos que ensinar as pessoas do zero. Em 10 anos de salão, estamos na quinta equipe”, revela Rose.