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PERFIS de sucesso EUJáCIO CRISTIANO DE OLIVEIRA »

A saga do vidraceiro

Há 56 anos, o DF ganhava uma das primeiras lojas de vidro, que forneceu materiais para diversos monumentos

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postado em 14/06/2015 12:33 / atualizado em 14/06/2015 12:35

Ana Paula Lisboa

Antonio Cunha
Eujácio Cristiano de Oliveira, 74 anos, trabalha desde os 13 e está por trás do grande império de vidros e espelhos que a Vidraçaria Planalto se tornou. Nascido em Brazlândia, numa época em que a cidade ainda fazia parte do território de Goiás, ele trabalhou numa vidraçaria em Anápolis, onde, por quatro anos, aprendeu os segredos do ofício. Ainda jovem, tentou se aventurar pela capital federal, mas não conseguiu ocupação para viver aqui. “Em Goiânia, encontrei um representante comercial que propôs me vender uma carreta de vidros. Eu faria o pagamento em 30 dias”,  lembra. Partiu, então, para o Núcleo Bandeirante, onde não demorou a comercializar o material.

Assim, Eujácio percebeu uma oportunidade de negócio na capital federal. “Forneci vidros para o Palácio do Planalto, o Palácio da Alvorada, a Torre de TV, alguns ministérios (cada um gastava 5 mil m² de vidro), a Universidade de Brasília, o Hospital Sarah Kubitschek, a Estação Rodoviária e outros pontos importantes, além de casas populares”, orgulha-se. Numa das obras, encontrou o próprio presidente Juscelino Kubitschek. “Ele bateu nas minhas costas, disse que tinha pressa e perguntou se eu conseguia fazer os serviços de forma rápida”, recorda.

A Planalto saiu do Núcleo Bandeirante para a Asa Norte numa época em que só havia barracos na W3. No começo, a empresa atuava na construção civil; 57 anos depois, é focada em obras e reformas domésticas. A empresa está na terceira geração de clientes, e é comum atender membros da mesma família que criaram vínculo com a marca. “O segredo sempre esteve na qualidade e em seguir os compromissos religiosamente em dia”, ensina.

Para o empresário, a maior dificuldade enfrentada, atualmente, é a crise econômica, mas ele não se assusta porque, ao longo de mais de cinco décadas, superou dificuldades, inclusive o golpe militar, quando chegou a ser preso. “Fiz serviços para a construção de Brasília, mas ainda não tinha sido pago por muitos. Com a tomada do controle pelos militares, fui cobrar meu pagamento e acabei sendo preso. Depois, verificaram que eu estava certo, me liberaram e tiveram que pagar”, revela.

Parcerias
Em 2006, o negócio ganhou uma unidade industrial, a Viglass, comandada em parceria com o filho Adilson Jaime. “A fábrica atende a loja da Planalto e as de outras 100 vidraçarias. Fazemos cubas de vidro, fundição, box  para engenharia, vidros até para carros blindados do Exército”, relata Eujácio. Há dois anos, o local passou por uma grande modernização. “Compramos uma máquina italiana que custa o preço de uma Ferrari e faz o corte automático de vidros.” O outro braço da vidraçaria é a Prisma, focada em ferragens e alumínio, que é coordenada com o filho Adney. Segundo Eujácio, agora ele se prepara para sair da cabeça da operação e passar o bastão à frente. “Meus meninos são de ouro. Então, vai dar tudo certo.”

Além dos filhos, Eujácio ganhou outro companheiro de negócio pelo caminho. Com o funcionário Roberto Neto, 58 anos, construiu uma parceria de 33 anos. Deu tão certo que, há seis anos, ele se tornou sócio minoritário da loja, localizada na 704 Norte, que conta com 14 empregados. “Aumentaram minhas responsabilidades. Agora me dedico ainda mais”, conta Roberto. O sócio explica que a empresa faz  consultoria nas casas dos clientes. “Indicamos o que fica melhor, apontamos o que não combina. Só recebemos elogios, e os clientes sentem confiança em fechar negócio com uma empresa consolidada.” Ele aposta nos ensinamentos de Eujácio para conquistar a clientela. “A pontualidade e a qualidade do produto e do serviço de instalação são essenciais”, define. “Procuramos atender bem para que não existam reclamações sobre nós.”

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