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Quer estudar na Suíça?

Estudantes brasileiros encontram sua vocação e abrem portas para uma carreira internacional nas escolas do Swiss Education Group. Investimento é alto, mas diferencial pode transformar sonhos em realidade

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postado em 13/07/2015 09:31 / atualizado em 16/07/2015 14:58

Gustavo Falleiros


  
 
Gustavo T.Falheiros
A inserção de brasileiros em postos de trabalho globalizados é uma realidade. Geralmente, são jovens qualificados que, apesar da pouca idade, acumulam experiência no exterior. A porta de acesso a essa trilha profissional ainda é estreita e costuma estar ligada à formação acadêmica. Nos últimos anos, as universidades federais expandiram bastante o cardápio de convênios com instituições estrangeiras. No entanto, é no ambiente de ensino privado que tradicionalmente ocorre esse salto.

Se o objetivo for atuar na Europa ou em nações emergentes, a Suíça tem sido vista como um importante trampolim de carreiras, por exemplo, em áreas como turismo e gastronomia. No chamado “berço da hospitalidade”, tem forte presença a cadeia de escolas do Swiss Education Group (SEG), especializada em gastronomia e hotelaria. A entidade, que conta com o aval do Escritório Suíço de Turismo, forma alunos brasileiros com regularidade. Os cursos de graduação duram 3 anos, mas é possível fazer especializações diversas (pós-graduação, mestrados, certificados) em apenas 1 ano. Os títulos de bacharel e mestre poderão ser reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC). Em Brasília, o Centro Universitário Iesb acaba de fechar uma parceria com o SEG, no sentido de facilitar os intercâmbios.

O investimento é alto: cerca de US$ 35 mil ao ano para os bacharéis em hotelaria e US$ 40 mil para os de artes culinárias. Esses valores incluem: hospedagem, alimentação, seguro de saúde, material didático (iPad), uniforme, jogo de facas. Na opinião de Ana Paula Sabbag Rodrigues, professora do curso de confeitaria do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac-DF), vale a pena. “De fato, independentemente da área escolhida, abre muitas oportunidades. Não que o Brasil não tenha ótimos cursos, mas é um diferencial”, diz a instrutora, que acumula certificados internacionais, como o da Culinary Institute of America e o da escola Mausi Sebess, de Buenos Aires.

Portas abertas
Um dos trunfos da instrução suíça é a oportunidade de participar dos fóruns de recrutamento semestrais promovidos pelas escolas (os chamados International Recruitment Forums). Nesses eventos, mais de 60 empresas de alto calibre, como as redes Hyatt, Meliá e Hilton, recolhem currículos e oferecem vagas de estágio. A última edição ocorreu em março, e a próxima está prevista para 26 e 27 de outubro. Foi assim que o brasiliense Pedro Escorel Boudreau, 24 anos, ingressou no Four Seasons Hotel de Genebra. “É uma empresa do Canadá com valores que aprecio. Eles fazem caridade, ajudam vítimas de câncer”, explica o jovem, cujo pai é canadense.

 

"Aqui, temos que lavar o chão e escovar ladrilho de banheiro. Isso desenvolve uma integridade de trabalho”
Patricia Iinuma, diretora global de vendas e luxo da rede de Hyatt


Pedro iniciou a vida acadêmica na Nova Zelândia, no Queenstown Resort College; então, arrumou um emprego temporário no Canadá para juntar dinheiro e, agora, está prestes a se formar pela Swiss Hotel Management School (SHMS) da cidade de Leysin. O objetivo é atuar no ramo de marketing hoteleiro e aproveitar ao máximo o período no exterior. “Acho que só volto ao Brasil depois das Olimpíadas”, especula.

A paulistana Juliana Canavarro, 20 anos, também teve uma experiência positiva nos recrutamentos anteriores. Ela está no terceiro ano da SHMS e passou pelos dois estágios obrigatórios. “O primeiro fiz no Lausanne Palace, em 2013. E o segundo, no Beau-Rivage, no ano passado. São dois hotéis cinco estrelas em Lausanne”, detalha. Este ano, ela retornou à feira com o intuito de sondar um estágio optativo e fazer contatos. Os estágios na Suíça oferecem uma remuneração mínima, garantida por lei, de cerca de US$ 2.100 por mês.

Ela aconselha que os novatos fiquem atentos ao panorama das leis migratórias e trabalhistas. “A situação econômica da Europa toda está mudando”, justifica. Enquanto estiverem vinculados ao Swiss Education Group, os alunos têm visto de estudante — e liberdade total para transitar entre as empresas parceiras. Os estágios em solo suíço, porém, se limitam aos obrigatórios.

Deixar o Velho Mundo após a formatura é uma alternativa natural, pois o investimento em estrutura hoteleira e serviços de luxo cresce vertiginosamente ao leste do globo. Juliana Canavarro, por exemplo, sonha ingressar nos quadros do Ritz-Carlton de Dubai (Emirados Árabes). Outra jovem de São Paulo, Juliana Reinas, 24 , mira no Ritz-Carton de Phuket, a maior ilha da Tailândia. “Eu gosto da cultura tailandesa, e é meu tipo de comida favorito. Estou em busca do mais tradicional, e não só do que é oferecido nos restaurantes daqui”, diz a chef de cozinha, egressa da Culinary Arts Academy de Le Bouveret.

Juliana Reinas  graduou-se em apenas dois anos porque aproveitou créditos do curso de gastronomia iniciado no Senac. A mudança, embora bem-vinda, não foi planejada. “É que meu pai foi transferido para a Suíça. Então, um dos chefs do Senac me indicou a escola e escreveu uma carta de recomendação”, conta. Uma vez adquiridos os conhecimentos em thai food, ela não tem dúvida: “Quero abrir meu próprio restaurante. Será uma coisa misturada: tailandesa e brasileira”.

Experiência de vida
A imersão cultural sempre impressiona quem vai estudar fora. A famosa organização suíça se reflete em detalhes e influencia até as roupas dos calouros. Quando os câmpus são mais clássicos, caso do de Caux, é fácil se lembrar dos encantos da escola de Hogwarts, dos livros de Harry Potter. “Saindo do Brasil, vi uma diferença enorme. Os suíços são um pouco mais fechados mesmo”, conta Yara Martines, 22 anos, natural de Santo André (SP). Estudante do Hotel Institute Montreux (HIM), ela está focada na hotelaria de Dubai. “Mudar para o Oriente Médio vai ser completamente diferente. Quem está trabalhando nesse meio tem de estar apto a mudar”, ressalta.

 

"Os professores sempre falam: ‘Sorria’. Para mim, hospitalidade é isso: a capacidade de ajudar o próximo de maneira amigável, gentil”
Yara Martins, estudante do Hotel Institute Montreux (HIM)


“Aqui, a gente aprende que não existe trabalho pequeno. Você acorda às 7 h para fazer serviço de cozinha. Vai ter que lavar o chão e aprender a escovar ladrilho de banheiro. Acho que isso desenvolveu uma integridade de trabalho que foi muito útil para minha carreira”, reforça Patricia Iinuma, 34. Ela fala com conhecimento de causa: nascida em São Paulo, chegou a cursar hotelaria no Senac-SP, mas resolveu ampliar os horizontes. Hoje, mora em Paris e ocupa o cargo de diretora global de vendas e luxo da rede Hyatt, com atuação em 535 hotéis.

Entre 2000 e 2004, Patricia estudou no Swiss Hotel Management School de Caux, onde fez amigos para a vida toda. “Na minha época, eram 300 alunos de 54 nacionalidades. Eu nunca tinha visto gente da Indonésia. Nem sabia onde era”, recorda. “Você mora na escola; todo mundo almoça junto. A cidade é uma bolha, praticamente sem interferência do mundo externo. Isso é quase tão valioso quanto o que aprendi nas aulas, nos livros”, elogia.

* O repórter visitou o International Recruitment Forum a convite do SEG.


Orgulho nacional
A população do país centro-europeu se orgulha tanto de servir bem quanto de produzir excelentes chocolates. A vocação turística desabrochou no início do século 20, com o advento de estações de esqui que logo se tornaram um dos destinos favoritos no continente. O período de afluência foi interrompido pelas duas guerras mundiais, mas a hospitalidade permaneceu um valor. Tradicionalmente neutra em conflitos, a Suíça acolheu milhares de feridos e refugiados.


Saiba mais
O International Recruitment Forum ocorre duas vezes por ano — sempre em março e em outubro — e reúne mais de 60 companhias de mais de 100 países. Os participantes têm acesso a oportunidades de carreira em grandes redes de hotéis, resorts, parques de diversões, entre outros empreendimentos.



Onde estudar na Suíça
  • Swiss Education Group (reúne seis escolas)
    www.swisseducation.com
  • Instituto Culinário Internacional
    www.ici-luzern.com/pt

Três perguntas para


 (Gustavo T. Falleiros/CB/D.A Press)
 

Henrique Ide

Aos 21 anos, o chef de Mogi das Cruzes (SP) se destacou na mais recente leva de formandos do Culinary Arts Academy e, agora, integra a equipe do multipremiado restaurante de Alain Ducasse, em Paris. Ele ficou em terceiro lugar numa competição de culinária na Suíça.

Como você ficou sabendo dessa oportunidade de estudar fora?
Conheci por meio de ex-estudantes que moravam em Mogi. Foi minha tia que apresentou essa ideia, porque ela tinha uma amiga cujo filho estudou na Suíça. Fiquei bem interessado pelo currículo e decidi. Entrei com 18 anos, depois de terminar a escola. Minha família me apoiou totalmente quando eu disse que queria trabalhar com cozinha. O meu plano era fazer três períodos, mas me deram suporte para cursar o bacharelado. Fiquei muito feliz. Devo tudo a eles.

Você pensa em abrir o próprio negócio? Pretende voltar ao Brasil?
Agora é muito cedo. Quero trabalhar ao redor do mundo e conhecer mais culturas. E estou no restaurante do Alain Ducasse (três estrelas no Guia Michelin, cotação máxima). Conheci o Ducasse no International Recruitment Forum do ano passado. Eu havia feito dois estágios na Suíça: um em Zurique, no Hotel Radisson Blu; outro em Vevey, no restaurante do Hotel Trois Couronnes. Eu fiquei muito feliz de conseguir esse estágio com o Ducasse, por ser uma comida francesa, mas bem moderna também.

Ter nascido no Brasil traz algum diferencial?
Pelo fato de a escola ser internacional, dá para ver a diferença entre as culturas. Acho que, por ser brasileiro, você consegue se comunicar melhor.

 

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