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PRODUTIVIDADE »

Inovar para crescer

A inovação deixa de ser uma qualidade "moderninha" para se tornar um fator competitivo. Para especialistas, pensar diferente pode ser atributo de todos os departamentos de uma instituição e é uma saída para fazer mais com menos

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postado em 26/07/2015 12:43 / atualizado em 03/08/2015 11:44

Ana Paula Lisboa


Ana Carolina e Gabriel, funcionários da Ambev, se sentem estimulados a serem criativos (Monique Rodrigues/Grupo Maquina PR)
 

 

Ana Carolina e Gabriel, funcionários da Ambev, se sentem estimulados a serem criativos


Na segunda reportagem do Especial Produtividade, o Trabalho & Formação Profissional aborda a importância da criatividade, uma das pontes para alcançar eficiência. Na busca por otimizar recursos, economizar tempo, gerar lucro, criar produtos e serviços inéditos ou aperfeiçoar os já existentes, a palavra-chave é inovação. Fernando Teixeira, diretor de Tecnologia do Google para a América Latina, explica que a capacidade de inovar tem ganhado importância também para conquistar o mercado. “Deixou de ser ‘legal’ para ser um fator competitivo. Se a organização não é inovadora, fica para trás. A nova geração demanda inovação.”

Cofundador da consultoria em gestão da inovação Innoscience, Felipe Ost Scherer avalia que o mercado brasileiro está num nível intermediário quando se trata do assunto. “Há 10 anos, dificilmente encontrávamos alguém responsável por inovação numa empresa. Agora, nichos tradicionais — como a construção civil e o setor público — passam a enxergar a importância disso.” Ost Scherer analisou profissionais bem-sucedidos — como o cofundador da Apple Steve Jobs, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, e o presidente da Google, Larry Page — para escrever O time dos sonhos da inovação, em que reuniu 14 ensinamentos (veja quadro). Ele ressalta, porém que soluções diferentes não são exclusividade de gênios. “Qualquer um pode inovar, desde que tenha um modo de pensar estruturado e construa uma estratégia para a inovação.”

Thiago Machado, country manager da Wacom, fabricante japonesa de mesas e displays interativos, defende que, para criar um ambiente propício à inovação, é preciso ter maior plasticidade. “A criatividade pode surgir tanto em ambientes tradicionais quanto em abertos, mas, com flexibilidade, as chances são maiores. Quem pode trabalhar, pelo menos, parte do tempo fora do escritório tem contato com o mundo externo e pode ter mais ideias”, exemplifica.

Equipe da TI ThinNetworks: liberdade para procurar soluções diferentes (Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
 

 

Equipe da TI ThinNetworks: liberdade para procurar soluções diferentes


Iniciativa
Diretor de Tecnologia do Google para a América Latina, Fernando Teixeira garante que, cada vez mais, os funcionários assumem as rédeas dos processos de inovação. “Inovação não tem limite nem fronteiras. Você não pode rotular que um departamento será responsável por isso. Dos anos 2000 para cá, o aumento da produtividade por meio da inovação tem que partir de cada colaborador”, ensina. A proposta de Antônio Carlos Soares, 41 anos, CEO da Runrun.it — responsável por um sistema de gestão de tempo e produtividade —, é dar aos funcionários tempo para investir em projetos diferenciados. “A cada 15 dias, reservamos um dia inteiro para que as pessoas trabalhem em algo em que acreditam”, conta. “Se o profissional só pode se dedicar àquilo que a empresa quer, você cria uma equipe de seguidores que não pensa fora da caixa, não contesta e não ajuda a empresa a inovar,” explica.

Dar liberdade aos trabalhadores também é a aposta da ThinNetworks, empresa de tecnologia da informação. O gerente de Engenharia, Hertz Oliveira de Araújo, 30 anos, conta que os profissionais têm autonomia. “Dizemos: ‘você tem que fazer isso’. Mas não falamos como fazer, então, as pessoas procuram respostas”, relata. Graças à união da equipe para pensar diferente, a empresa lançou o primeiro monitor do mundo que funciona apenas com cabo de rede. “Tivemos que fazer algo supereconômico para que não precisasse de cabo de energia. É uma tecnologia totalmente brasileira. O costume local é importar, mas há muitos brasileiros com criatividade aflorada, e procuramos por eles nos processos seletivos. Temos pessoas-chave com mentes muito boas, e isso impacta a produtividade.”

Licença para criar
Ana Carolina dos Santos Leal, 23 anos, analista de Gente e Gestão, e Gabriel Alves, 28, gerente de Vendas, trabalham na Ambev e se sentem incentivados a serem criativos. “A criatividade vem da necessidade”, conta a administradora. Uma das inovações que gerou maior produtividade para a área de vendas, em que Gabriel trabalha, é o Pedido Fácil, sistema de e-commerce, que possibilitou que 80% do tempo dos vendedores pudesse ser investido em outras funções. “O negócio é o mesmo há mais de 100 anos. Mas o mundo vem se transformando e conseguimos trazer invocações para alavancar a produtividade.”

 (Alta Books Editora/Reprodução)
 

Leia

A intrigante ciência das ideias que dão certo
Autor: Clemente Nobrega
Editora: Alta Books
192 páginas
R$ 39,90
 
Revolução na gestão pública


A inovação não existe apenas em empresas e indústrias e, cada vez mais, é valorizada no serviço público, como explica Pedro Palotti, coordenador-geral de Pesquisa da Escola Nacional de Administração Púbica (Enap). “O aumento da produtividade no setor público é central para o desenvolvimento de qualquer país. E a inovação é uma ferramenta importante para lidar com o momento de crise e fazer mais com menos”, observa. Um dos incentivos para a renovação no setor é o Concurso Inovação na Gestão Pública Federal. A 20ª edição está com inscrições abertas até 17 de agosto pelo site inovacao.enap.gov.br. Podem se candidatar servidores que implementaram projetos inovadores há, pelo menos, um ano. “Um órgão recorrentemente premiado é o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), que era conhecido pelas longas filas para a aposentadoria. Na 15ª edição, eles foram premiados por uma ação que permitia a alguém se aposentar em 30 minutos. É economia de tempo para o cidadão e para o servidor”, exemplifica Palotti.
 
Prêmio de inovação
 
Estão abertas até 10 de agosto as inscrições para o 19º Prêmio Nacional de Empreendedorismo Inovador. O objetivo é reconhecer empresas (incubadas e graduadas), parques tecnológicos e incubadoras. A iniciativa é da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Serão distribuídos R$ 60 mil em prêmios. Acesse: www.anprotec.org.br.
 
Lições dos maiores inovadores da atualidade
 
 


 (Alta Books Editora/Reprodução)
 

O time dos sonhos da inovação
  • Autor: Felipe Ost Scherer
  • Editora Alta Books
  • 190 páginas
  • R$ 49,90

1 - Colocar o sonho à frente do dinheiro
2 - Criar um modelo de negócios único
3 - Não ter medo de correr riscos
4 - Manter a cabeça nas nuvens e os pés no chão
5 - Saber que inovação não é só para produtos
6 - Combinar experiências de campos distintos
7 - Formar equipes de alto nível
8 - Facilitar a colaboração e o trabalho em equipe
9 - Fomentar uma cultura incomparável
10 - Colocar as pessoas certas para fazer as coisas certas
11 - Manter o motor da inovação ligado
12 - Ter senso de urgência e execução
13 - Dar atenção aos detalhes
14 - Comunicar a inovação
 
Três perguntas para


Clemente Nobrega,
Físico e mestre em engenharia nuclear, o autor acumula anos de experiência em administração de empresas. Defensor de uma gestão científica, ele mostra como conceitos da ciência podem ser empregados no ambiente empresarial para gerar ideias que dão certo.

Qual é a relação entre inovação e produtividade?

As duas são praticamente sinônimos. Não existe inovação sem aumento de produtividade. Empresas que são referência nisso, como 3M, Apple, Google e Ambev, transformaram inovação num processo contínuo, inclusive com metas. Os gestores são obrigados a buscar produtos, processos, modelos de negócio novos para produzir dinheiro novo.

Do que alguém precisa para inovar?

O conceito comum está associado a um falso glamour do cara que tem uma ideia genial, como se ele movesse o mundo. Inovação não tem a ver com criadores geniais. Qualquer pessoa pode inovar se tiver preparo. O que cria isso é o ambiente que cultiva a inovação. E a pessoa precisa ter interesse. Na seleção, deve-se eliminar de cara quem só quer ser conservador. Existe resistência, porque inovação não é um processo natural. Somos animais conservadores por definição. A liderança deve atuar no sentido de que a empresa não se acomode. Se a liderança não fizer isso, a inovação não vem.

Quais são os riscos de inovar?
Inovação nem sempre dá certo – é preciso estar ciente disso. A gente vê como inovação aquilo que sobra de um monte de tentativas que dão errado e que podem gerar prejuízo momentâneo. Até grandes empresas, como Google e Microsoft, falham. A inovação tem que ser um processo que envolve a gestão do risco: não se deve apostar todas as fichas numa só ideia (a não ser em casos de startups, que existem para isso).
 
 

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