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Para liderar com sucesso

O bom gestor motiva a equipe e assume a responsabilidade da busca por resultados satisfatórios. No entanto, a organização deve se conscientizar da necessidade de desenvolvimento do profissional que passa de executor a líder

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postado em 02/08/2015 12:43 / atualizado em 02/08/2015 12:55

Ana Paula Lisboa

Edy Amaro

Gerentes, diretores, supervisores e outros tipos de chefe são responsáveis pelo desempenho de diferentes áreas de uma empresa. E o desempenho de cada departamento impactará — direta e indiretamente — na produtividade geral da instituição. Contar com uma liderança adequada e qualificada,  pré-requisito para formar equipes de alto rendimento, é o tema da terceira reportagem do Especial Produtividade. “A eficiência das empresas está nas mãos da liderança, que cresce com o time e faz o time crescer”, define Mari Lannes, representante da Sociedade Brasileira de Coaching em Brasília, que oferece treinamentos focados em alta performance em liderança, negócios, gestão pessoal e administração do tempo.

“O papel do líder é fazer com que tarefas sejam executadas com foco, dentro do prazo e seguindo os preceitos da companhia. Funcionários mais motivados e comprometidos trazem resultados melhores. Tornar isso possível é responsabilidade da chefia”, observa. Motivar pode ser difícil, mas não impossível. “É preciso delegar a tarefa e não abandoná-la na mão do subordinado. Deve-se mostrar a importância daquela atividade — que pode ser rotineira e repetitiva — para a companhia e propor desafios. A sacada é fazer o empregado perceber que aquilo é fundamental até para a carreira dele,” recomenda Mari. Para formar uma equipe de alta performance, a coach defende que o primeiro passo é gerir a si mesmo. “O chefe precisa administrar o próprio tempo, cumprir metas e se autoliderar para produzir resultados.”

Amadorismo
Em geral, Mari Lannes percebe um perfil pouco desenvolvido nos gestores brasileiros. “São pessoas que saem de um estágio de executor e passam a ser líderes sem preparo ou treinamento.” Diretora de Outplacement e Assessment da consultoria Career Center, Claudia Monari observa outro problema: “A maioria não tem noção de seu impacto na produtividade. Quem não tem visão estratégica não consegue extrair o melhor da equipe.” Ida Fernandes, professora do Institute of Business Education da Fundação Getulio Vargas (IBE-FGV), avalia que há um seleto grupo de chefes com postura diferenciada. “Normalmente, estão em empresas de grande porte que conseguiram enxergar a necessidade de desenvolvimento de liderança. Nos empreendimentos de médio porte, temos de 5% a 10% de líderes que compreendem o que é gestão estratégica. Os demais são amadores e não entendem por que não alcançam bom nível de produtividade”, diz.

“Liderança e eficiência estão intimamente relacionadas. A primeira é essencial para ter uma equipe de alta performance. Você não precisa ter selecionado as melhores pessoas para conseguir isso. A gerência pode — e deve — desenvolver a equipe”, aposta Claudia Monari. Entram em jogo, então, a insegurança e o medo de ser superado. “Muita gente tem esse pensamento tacanho. Pode acontecer de ele ser substituído por alguém melhor, mas o bom gestor sabe que, se não tem gente preparada nas bases, não crescerá”, antecipa. Afinal, a boa liderança não traz todos os resultados sozinha. “O principal papel do chefe não é fazer o trabalho. É fazer com que o trabalho seja benfeito”, finaliza Claudia.

 

Gestão em tempos de crise


Autor de Resultado: a liderança além dos números, Alexandre Prates escreveu o livro para mostrar que, num contexto de instabilidade econômica, os chefes precisam focar na produtividade. “Vivemos um período em que devemos trabalhar com o que temos em vez de reclamar. Cada um, na sua área, pode ajudar a recuperar a economia. Ou você aprende a trabalhar nesse Brasil de hoje ou está fadado ao fracasso”, defende.

Para alcançar a produtividade, é claro que bater metas e gerar lucro é fundamental. No entanto, Prates reconhece que a liderança precisa levar em consideração mais que isso. “Não desmereço a importância dos números, mas se preocupar só com eles não basta. Há líderes que se fecham em sua sala, traçam metas, mas nada acontece. É preciso fazer as pessoas se engajarem para cumprir o objetivo.” Prates acredita que o gestor ideal desenvolve equipes.

“O líder não é sinônimo dos resultados que entrega, mas, principalmente, do legado que deixar. Quem só entrega resultados, muitas vezes, massacrou a equipe; então, o resultado não valeu a pena. Quem desenvolve pessoas deixa resultados que vão continuar dando frutos depois que sair da empresa”, finaliza.

 

 (Integrare Editora e Livraria/Reprodução)
 


Leia

Resultado: a liderança além dos números
Editora: Integrare Business
Autor: Alexandre Prates
256 páginas / R$ 42,90

 

Chefes modelo


Para Mari Lannes, representante da Sociedade Brasileira de Coaching e especializada em coaching para executivos e liderança estratégica, o chefe dita o padrão a ser seguido. “O líder não pode falar uma coisa e fazer outra, pois é o modelo. Se marcou horário para uma reunião, deve ser o primeiro a chegar; tem que cumprir prazos e, assim, levar as pessoas a fazerem o mesmo”, elucida. Independentemente do tamanho do grupo, liderar envolve desafios em comum, como recrutar as pessoas certas, treiná-las e mantê-las produtivas.

Diego Gonçalves, 37 anos, gerente de Alimentos e Bebidas, está à frente de uma equipe de 120 profissionais na rede de hotéis Windsor. A gerente de Recepção Helen Coelho, 35, comanda 35 trabalhadores. Os dois percebem que uma das melhores ferramentas para alcançar a eficiência máxima é se tornar um modelo para os subordinados.

“Fui telefonista e passei por vários cargos até chegar a esta posição. Sei fazer e ensinar todas as tarefas. Estou sempre presente e, acima de tudo, dou o exemplo”, conta Helen. Essa também é a tática de Diego, que construiu uma carreira consolidada no ramo hoteleiro. “Chefe não pode apenas gerenciar, tem que entender o trabalho técnico.”

Responsável por todos os 275 empregados da rede hoteleira no DF, o gerente-geral Alexandre Esmeraldo justifica o método: “Os líderes têm que estar no local apoiando e mostrando o que fazer para aumentar o rendimento”.

A gerente de Recursos Humanos Renata Guedes, 37, explica que o perfil dos chefes também é selecionado a dedo — e aprimorado. “Avaliamos competências antes de promover alguém a gestor. O desenvolvimento da liderança tem que ser acompanhado. Eles são os braços da empresa para fazer as diferentes áreas funcionarem”, define.


"O líder não pode falar uma coisa e fazer outra, pois é o modelo. Se marcou horário para uma reunião, deve ser o primeiro a chegar; tem que cumprir prazos e, assim, levar as pessoas a fazerem o mesmo”
Mari Lannes, coach

 

Palavra de especialista

A evolução da liderança

A gestão é um dos fatores para trazer eficiência. No Brasil, os chefes precisam avaliar o contexto e se adequar a um estilo de comando com mais foco em performance. Até pouco tempo, tínhamos um modelo centrado na força e no poder. O novo perfil para o qual caminhamos é o de um líder presente, dinâmico e integrador, que compartilha a liderança com os liderados e não se sente acima de ninguém. O gestor precisa conhecer a equipe e estimular as potencialidades de cada um para que produzam mais, melhor e com satisfação. Alguns passos para isso são dar feedback, celebrar as vitórias com o time e servir de exemplo (é complicado pedir superação de resultados com foco em produtividade se o chefe não cumpre as próprias metas).

Ida Fernandes, professora do Institute of Business Education — Fundação Getulio Vargas (IBE-FGV) e especialista em gestão de pessoas, liderança e coaching executivo

 

Torne-se um líder melhor


Em 18 e 19 de agosto, no Parlamundi da LBV (915 Sul), Mari Lannes ministra o Treinamento de competências de liderança da Sociedade Brasileira de Coaching, que aborda gestão do tempo, gerenciamento do stress, delegação de tarefas, tomada de decisões, resolução de problemas. Serão 16 horas de aulas práticas, como explica a coach. Depois da etapa presencial, os participantes terão 16 horas de treinamento a distância. Interessados no programa devem se inscrever pelo e-mail melhoreaperformance@gmail.com. O investimento é de R$ 1.430.


 

 

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