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Correio Braziliense

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Perfis de sucesso LUCAS HAMU, LUCIANA ARAúJO E LUSSIFER SILVEIRA »

Café com arte

Donos da Objeto Encontrado, mistura de cafeteria e galeria, trazem ao DF padrões internacionais da bebida e prezam pela qualidade dos grãos. Outro foco são as exposições de artistas em crescimento

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postado em 02/08/2015 13:12 / atualizado em 02/08/2015 13:15

Ana Paula Lisboa

André Violatti

Apreciar obras de arte e bons cafés. Essa é a proposta dos donos da Objeto Encontrado, localizada na 102 Norte. No cardápio, fazem sucesso o expresso, os uísques, o cheesecake, bolinhos de mandioca e abobrinha e sanduíches. Nas paredes, ficam expostas obras de artistas em crescimento na capital federal; há ainda eventos culturais periodicamente. Para acompanhar, uma playlist descontraída e um ambiente agradável para bons papos — inclusive com garçons e donos. “Os funcionários e muitos clientes são nossos amigos”, conta o sócio Lucas Hamu, 26 anos. Juntam-se a ele na gerência do negócio Luciana Araújo, 28, e Lussifer Silveira, 44. “É um café cultural. Abrimos as portas para novos artistas”, explica Lussifer.

Atualmente, eles contam com oito funcionários. Em grandes eventos, chegam a atender de 500 a 800 pessoas num dia. O perfil da equipe é diferenciado: a maior parte dos garçons tem diploma de graduação; em vez de se portarem como “babás dos fregueses”, apresentam-se de igual para igual, como explica Lucas. “O cliente não tem que ser bajulado. Atendemos bem e com respeito, mas não puxamos saco”, resume.

Formação de público

“Quando alguém chega à cafeteria pela primeira vez, acha que é uma lanchonete, com um cardápio superextenso. Mas nossa intenção é manter um menu enxuto para entregar tudo com consistência e qualidade”, defende Luciana. Os cafés são diferenciados, e há uma preocupação em educar o púbico. “Explicamos o que é, de onde vem, como é feito, por que é tão especial”, complementa. “O brasileiro não está acostumado com os padrões internacionais, não sabe a diferença entre um espresso (que é mais forte e vem com 30ml e não com a xícara cheia como comumente é servido no Brasil) e um longo. Mas isso tem mudado”, conta Lucas. No caso dos uísques, a preocupação é a mesma. “Explicamos sobre malte, blend…”, observa Lussifer. A diferença entre quem passa a frequentar o local é gritante. “O paladar é assim. Depois que você se submete a uma experiência diferenciada e de qualidade, passa a ser mais exigente. Muitos não conseguem mais tomar café na rua em qualquer lugar”, acrescenta Luciana.

Parceria
“Eu estudava filosofia na Universidade Federal de Goiás, que entrou em greve. Nesse período, vim para Brasília. Minha irmã, Bebel, queria abrir um negócio, e eu entrei como sócio. Ela era representante de uma marca de café e cuidaria disso, enquanto eu organizaria a galeria”, lembra Lucas Hamu, sobre a história de três anos da cafeteria. O jovem assumiu a responsabilidade de gerir o café gradualmente. “Terminei o curso, minha irmã teve uma filha e precisou se afastar. Aprendi na prática todos os processos.” Com a saída da irmã da sociedade, Lucas buscou novos parceiros para a empreitada.

“A Luciana entrou como funcionária e hoje, além de sócios, somos casados”, revela. A última aquisição foi Lussifer, que concilia as obrigações na Objeto Encontrado com o trabalho como tradutor de árabe. Os três dividem obrigações: Lucas cuida da parte da contabilidade e do atendimento; Luciana é responsável pela produção dos pratos, pelo estoque e pelos funcionários; e a galeria de arte fica a cargo de Lussifer.

“Hoje, o café é nosso motivo de dormir e acordar todo dia. A Objeto é um bebezinho, ainda estamos aprendendo. E, para crescer, contamos com uma equipe muito boa ao nosso lado”, comemora Luciana que, para dar conta das demandas da cafeteria, fez cursos no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Segundo eles, a parceria dá certo por um único motivo: eles gostam do ofício. “O segredo é procurar o que você realmente quer fazer; sem buscar o lucro em primeiro lugar. O que me anima a trabalhar aqui é que pensamos além, em trazer uma contribuição para a sociedade. O foco principal não é ganhar dinheiro, mas fazer o que gostamos”, defende Lussifer. “Quem faz um negócio desse não porque gosta de café — mas porque quer lucrar — não terá tanta qualidade e dedicação”, completa Lucas.

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