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Correio Braziliense

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Perfis de sucesso MARCIO CASTAGNARO DA SILVA »

Livreiro de Brasília

Dono da Dom Quixote foge de best-sellers e prioriza livros de alta qualidade, além de abrir espaço para novos autores. Gostar de ler é o ingrediente essencial no empresário e na equipe

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postado em 10/08/2015 11:08 / atualizado em 10/08/2015 11:22

Ana Paula Lisboa

Em setembro de 2002, Marcio Castagnaro da Silva, 45 anos, fez do sonho de ser dono de uma livraria realidade e fundou a Dom Quixote. No início, era uma distribuidora de livros no Lago Norte, que se transformou em loja. Hoje, a rede está no Aeroporto Internacional de Brasília — Presidente Juscelino Kubitschek, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), na Rodoviária, no Centro Comercial Gilberto Salomão, no Conjunto Nacional, no Liberty Mall, no Águas Claras Shopping e na Quadra 301 do Sudoeste, além de ter uma distribuidora no SOF Sul. Num dia de semana, o número de compras pode ultrapassar 1 mil; e quinta, sexta e sábado são os dias mais movimentados.

A vontade de ser um empresário do ramo “estava no sangue”: o avô de Marcio fundou a extinta rede de livrarias Sodiler, e o pai deu continuidade ao negócio e trouxe filiais para Brasília na década de 1970. “Cresci no meio dos livros. Desde criança, amo a leitura”, conta. No que depender dele, as filhas Bruna, 23, e Yasmin, 10, seguirão o mesmo caminho. “A mais velha está estudando administração e, vira e mexe, dá pitaco. A caçula fala que quer trabalhar com livros, e minha esposa, Tatiana Leone, ajuda muito.” Antes de virar empreendedor, Marcio construiu uma carreira no mercado. “Trabalhei a vida toda com isso em várias livrarias. Percebi que sabia demais para estar atrás no balcão. O grande desafio não foi abrir, pois é possível conseguir muitos livros em consignação”, recorda. “Contabilidade é meu fraco. Sofri até melhorar, mas, aprendi a administrar.”

Tendências
Para crescer, Marcio investiu na distribuição, mas, com a chegada de grandes redes a Brasília, mudou de rumo. “Muitas empresas que não se renovaram fecharam, pois o mercado local ficou mais difícil. Nessa época, saí da distribuição e vim para o varejo.” Ele não enxerga a propagação de livros digitais como ameaça. “Há dois anos, houve uma febre de formatos eletrônicos, mas isso não mudou absolutamente nada no negócio”, observa. Marcio acredita que o formato em papel não será abandonado, tampouco a experiência de comprar obras pessoalmente será deixada de lado. “Continuamos dando tratamento especial aos clientes, primamos por chamar pelo nome. Os vendedores não tratam o comprador como um passante que nunca mais vai voltar. Brasília não é tão grande assim, e dá para decorar os nomes, pelo menos, dos principais frequentadores.”

Para garantir que o atendimento seja como o esperado, Marcio se dedica à gestão dos 42 funcionários e aplica testes de literatura na hora de contratar. “O pré-requisito é adorar livros. Pode ser gente sem experiência, jovem, mas tem que ler. Senão, não vai gostar do trabalho”, avalia. Esse também é o segredo, segundo ele, do próprio sucesso. “A paixão pelo livro é o mais importante. Se eu tivesse lojas de carro ou de roupa, estaria melhor financeiramente. Mas faço o que me dá prazer, além de trazer uma contribuição para a sociedade, com incentivo para as pessoas lerem”, diz.

Outro ingrediente para uma loja de livros bem-sucedida é a seleção dos produtos à venda. “A Dom Quixote é diferente. Não trabalhamos só com best-sellers. Conseguimos bater metas de venda sem A culpa é das estrelas”, exemplifica. “Entramos na boa literatura, com João Ubaldo e Guimarães, e trazemos novos autores, inclusive de Brasília. Não é qualquer coisa que entra. Nosso espaço físico é limitado e temos que ter um controle de qualidade.”

“Amo ver crianças entrando em contato com a leitura”, diz. É por isso que ele investiu na mais nova unidade da Dom Quixote, localizada no Águas Claras Shopping, que abriu as portas em
julho. “É uma livraria para o público abaixo de 10 anos, cheia de brinquedos pedagógicos — todos sem pilha ou bateria e com madeira reflorestada — para tirar as crianças da televisão e do Netflix.” Para espalhar o gosto pela leitura, a livraria também promove feiras literárias, encontros com autores e outros eventos. “A parte cultural é de extrema importância. Ficar no balcão colhendo o dinheiro não é tudo.”


"Se eu tivesse lojas de carro ou de roupa, estaria melhor financeiramente. Mas faço o que me dá prazer, além de trazer uma contribuição para a sociedade”

 

Na estante


 (Editora Scortecci/Reprodução)
 

Talento: a verdadeira riqueza das nações
Autor: Alfredo Assumpção
Editora: Scortecci
184 páginas
R$ 40

O que é talento? A partir desta pergunta, o autor esmiúça o que seria essa habilidade única e, a partir de dados econômicos e políticos dos países, explica como o talento é importante nesse contexto de crise. O objetivo é otimizar esse recurso, principalmente no mundo corporativo, já que, a conclusão do livro é que o talento movimenta a economia global.

 (Editora Grey Brasil/Divulgação)
 

Homens são analógicos, mulheres são digitais
Autor: Walter Longo
Editora: Grey Brasil
32 páginas
Disponível gratuitamente para download em www. grey.com.br/grey-content

De autoria do presidente da Grey Brasil, o livro aborda a importância de as corporações adotarem o arquétipo feminino na realidade pós-digital em que vivemos. O autor corrobora sua tese ao traçar a diferença de visão do mundo pelos gêneros, destacando as potencialidades de homens e mulheres para o desempenho de atividades e o desenvolvimento das corporações.

 

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