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CARREIRA »

Serviço público continua atrativo

No momento de crise, especialistas garantem que conseguir um cargo na administração federal ainda é boa opção. Semestre está recheado de vagas. Saiba como conquistar a sua

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postado em 17/08/2015 09:53 / atualizado em 17/08/2015 10:24

Paula Braga /Especial para o Correio

João Pedro Carvalho

Conquistar uma vaga no serviço público é o desejo de muitas pessoas. Em Brasília, com a  grande oferta de seleções, ingressar no funcionalismo público atrai muitos candidatos. Mesmo com a falta de perspectiva de aumento de salários neste tipo de função, especialistas afirmam que, para aqueles que buscam estabilidade e alta remuneração nos primeiros anos de atuação, o serviço público continua sendo boa opção. “Na carreira pública, a pessoa tem menos possibilidade de crescimento do que na iniciativa privada, mas começa com salário diferenciado. Num mercado de bastante instabilidade econômica e com altos níveis de desemprego, acredito que as vagas no serviço público serão bastante procuradas por conta da estabilidade”, explica a presidente do Instituto Brasileiro de Carreira (IBCAA), Carolina Linhares.

Para aqueles que desejam investir na carreira, o segundo semestre deste ano será recheado de vagas. Em 2015, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (Mpog) autorizou 12 órgãos federais a realizarem seleções para preencher 3.399 vagas. Seis deles ainda não lançaram editais. Até dezembro, os concurseiros podem esperar a abertura de seleções para a Fundação Nacional do Índio (Funai), o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e as agências nacionais de Petróleo (ANP), Aviação Civil (Anac) e Saúde Suplementar (ANS). O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também entra na lista dos certames federais aguardados: a realização do concurso para preenchimento de 600 vagas foi autorizada no mês passado, e o prazo para abrir a seleção vai até janeiro de 2016.

Porém, antes de se candidatar a uma seleção visando somente os benefícios, a Carolina Linhares recomenda analisar se o perfil da carreira pública está de acordo com as demais ambições do candidato. “Existem profissionais que não se encaixam num sistema pesado de hierarquia, por exemplo. Ou que não conseguirão lidar com a longa permanência em um mesmo cargo. Alcançar uma vaga em um concurso é um processo desgastante, e a pessoa precisa avaliar se as vantagens do serviço público em relação à iniciativa privada são compensatórias”, alerta.

Aposentadorias

As escassez de concursos no primeiro semestre e a aposentadoria de servidores também devem aumentar a procura por uma vaga nas oportunidades que serão lançadas no fim do ano. “Tivemos poucos concursos neste ano por conta da demora na aprovação do orçamento. A massa de seleções esperadas para este semestre é muito grande. Os índices de aposentadoria nos órgãos federais varia entre 40% e 50%, e há instituições que já não têm funcionários suficientes para o trabalho”, explica a diretora executiva da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac), Maria Thereza Sombra.

Os concursos com editais previstos até o fim do ano somam mais de 2 mil vagas entre seleções para cargos de níveis médio e superior. Bacharéis em direito são os que podem concorrer a mais oportunidades abertas: a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Advocacia-Geral da União (AGU) oferecem salários de R$ 17.330,33 para advogados e procuradores e, juntas, 234 vagas. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) também realizará, em novembro, as provas para preencher 27 vagas de promotores de Justiça substitutos, com salário de R$ 27.500,17.


Palavra de especialista

Por trás da estabilidade

A carreira pública tem a vantagem de que a sociedade sempre necessitará dos serviços prestados. Essa função sempre será necessária e, a primeira questão dos governos, em geral, é fazer com que a máquina pública funcione. Para isso, os servidores precisam ser qualificados e bem remunerados. Um dos principais problemas na administração pública é a visão defasada de que, por causa da estabilidade, o funcionário terá vida fácil e poderá ser falho no serviço. A estabilidade é dada porque o funcionário precisará fazer atividades que são de interesse público e podem contrariar superiores nomeados em cargos de confiança. Atualmente, muitos órgãos que prestam serviços diretos à população estão trabalhando no limite de funcionários, então os concursos são extremamente necessários para possibilitar um trabalho de qualidade.

Jorge Pinho, professor do Departamento de Administração da Universidade de Brasília e especialista em administração pública

 

Dica de quem já passou


 

 (Carlos Vieira/CB/D.A Press)
 


Experiência de sucesso

A servidora pública Giordana de Oliveira, 29 anos, foi uma das aprovadas na última seleção de nível médio para técnicos administrativos do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. O edital da seleção foi publicado em 2013, e ela assumiu o cargo em dezembro do ano passado. Ela estava estudando os conteúdos que costumam cair nas seleções para a área administrativa dois anos antes deste concurso.

“Quando saiu o edital, vi que muitas coisas eu havia estudado; então, passei a revisar as matérias”, conta. Assim como para a maioria daqueles que estudam para concursos, a aprovação não veio na primeira tentativa. “Estava estudando desde 2011. Às vezes, a pessoa fica muito perto, por uma ou duas questões. O principal conselho, fora manter uma rotina intensa de estudos, é não se desestimular com as tentativas que não deram certo”, destaca.

 

De olho nas seleções


 

Walter vai prestar os concursos da AGU e o da Fazenda Nacional (Breno Fortes/CB/D.A Press)
 

 

Walter vai prestar os concursos da AGU e o da Fazenda Nacional


É para uma vaga na área jurídica que Walter Vitor, 42 anos, está se preparando. “Acredito que, neste ano, a menina dos olhos dos concurseiros dessa área é a seleção da Advocacia-Geral da União, já que, apesar do número fixo de vagas, o órgão costuma nomear outros candidatos classificados. As chances de conseguir entrar são bastante grandes”, afirma ele, que também prestará o concurso para a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e seleções estaduais. A carreira pública chamou a atenção de Walter depois da mudança de Minas Gerais para Brasília, em 2007.

“Aqui, há mais oportunidades. Praticamente todo fim de semana uma prova de concurso é realizada. Por conta da minha formação na área jurídica, é uma carreira bastante atrativa”, conta. “Estou estudando quatro horas por dia, focando em videoaulas. Depois, passo para a leitura de material resumido e jurisprudência. Todo mundo que entra em uma seleção tem a expectativa de extrair o melhor desempenho e passar, mas acredito que esse é um bom momento de oferta de vagas”, destaca Walter.

As oportunidades do segundo semestre deste ano também ésãoaguardadas por Vanessa Oliveira, 25 anos. Ela estuda para concursos desde 2012 e, agora, pretende prestar seleções para nível superior que não exigem graduação específica. “Estava estudando para os concursos de nível médio, mas, neste semestre, vou focar nas provas de nível superior. Além das seleções que estão com edital publicado, estou na expectativa também pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT)”, conta ela, que está cursando graduação em gestão pública.

 

O que estudar?


Confira dicas do professor de direito administrativo Ivan Lucas de Souza,
do IMP Concursos, para quem quer alcançar uma vaga nessas seleções:

» Tenha foco nas quatro disciplinas comuns na maioria dos concursos: língua portuguesa, informática, direito administrativo e direito constitucional;

» Ao estudar as disciplinas de direito, revise a teoria e, depois, analise a jurisprudência. Nas seleções voltadas para bacharéis em direito, o entendimento dos tribunais sobre os assuntos é bastante cobrado. Finalize os estudos com resolução de exercícios e provas anteriores;

» Conheça a banca realizadora da seleção. Os estilos de provas variam bastante entre as organizadoras. Algumas preferem cobrar o conteúdo teórico puro e outras exigem do candidato a interpretação e conhecimento da jurisprudência;

» Não deixe para estudar somente quando saírem os editais! Normalmente, o prazo de estudos para tornar-se competitivo e conseguir a aprovação em seleções é de, pelo menos, seis meses.

 

Portas abertas no serviço público

Confira as seleções abertas ou previstas ainda para 2015

» Concursos nacionais com edital publicado
Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional

As inscrições terminaram em 10 de agosto para advogados. Informações: www.esaf.fazenda.gov.br. Vagas: 150. Remuneração: R$ 17.330,33.

Advocacia-Geral da União
As inscrições para advogados terminam amanhã (17) pelo site www.cespe.unb.br. Vagas: 84. Remuneração: R$ 17.330,33.

Superior Tribunal de Justiça
Inscrições terminam na quarta (19) pelo site www.cespe.unb.br, para níveis médio e superior. Vagas: 65. Remuneração: R$ 5.365,92 e R$ 8.803,97 .

Banco do Brasil
Vagas: 860 para escriturários, sendo 95 imediatas e 765 para formação de cadastro de reserva. As inscrições vão até 31 de agosto pelo site www.cesgranrio.org.br. Vagas: 860, sendo 95 imediatas e 765 para formação de cadastro de reserva. Remuneração: R$ 2.227,26.

» Concurso para o Distrito Federal com edital publicado

Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT)

Seleção para promotor. As inscrições vão até 8 de setembro pelo site www.mpdft.mp.br. Vagas: 27. Remuneração: R$ 27.500,17.

» Concursos federais autorizados este ano e com edital a ser publicado até janeiro de 2016
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)

Vagas: 950, sendo 800 para técnicos (nível médio) e 150 para analistas do seguro social (graduados em serviço social). Remuneração: R$ 5.259,87 e R$ 7.869,09, respectivamente.

Fundação Nacional do Índio (Funai)
A instituição tem até outubro para lançar edital para 220 vagas — indigenista especializado (208), engenheiro (7) e engenheiro agrônomo (5).

Agência Nacional de Petróleo (ANP)
O prazo para que o órgão publique o edital termina em dezembro. Vagas: 34 — 20 para técnico administrativo e 14 para técnico em regulação de petróleo. Remuneração: R$ 3.109,52.

Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)
Vagas: 150, divididas entre especialistas (65) e técnicos (45) em regulação de aviação civil, e analista (25) e técnico administrativo (15). Remuneração: R$ 5.497,69 para especialistas e analistas; e R$ 3.109,52 para técnicos.

Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)
Vagas: 102. Remuneração: R$ 5.689,52 e R$ 5.957,52, respectivamente.

Ministério das Relações Exteriores (MRE)
Há 60 vagas autorizadas para oficial de chancelaria. Vagas: 60.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
O regulamento deverá ser divulgado até janeiro. Vagas: 600 para técnico em informações geográficas e estatística (460); analista de planejamento, gestão e infraestrutura em informações geográficas e estatística (90); e tecnologista em informações geográficas e estatísticas (50).



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