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PRODUTIVIDADE »

Ameaça ao rendimento

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postado em 24/08/2015 09:49 / atualizado em 24/08/2015 10:41

Ana Paula Lisboa

André Violatti

A pressão por produzir mais, melhor e em menor tempo é uma constante em diversas instituições. Em um momento de crise econômica como o atual, a cobrança em cima de gestores e empregados só tende a crescer. Apesar de querer aumentar os resultados, as lideranças precisam se lembrar de uma ameaça à produtividade que as firmas podem provocar ou combater, a depender da postura adotada: o estresse. Afinal, de que adianta acirrar as exigências aos funcionários se eles têm pior performance quando estão tensos?

Essa é uma das descobertas de pesquisa da Global Corporate Challenge (GCC), cuja principal conclusão é a de que empregadores dispostos a enfrentar os custos econômicos e emocionais do estresse no local de trabalho têm uma grande vantagem e podem agir bem a respeito. Segundo o levantamento, 63% dos profissionais com altos níveis de tensão se sentem produtivos; enquanto entre os não estressados o percentual é de 87% (veja quadro).

Os números não levam em conta o absentismo, mas pesquisa do Chartered Institute of Personnel and Development (CIPD) constatou que 60% das faltas dos empregados por motivos de doenças são, na verdade, relacionadas ao estresse. Aos 27 anos, Marcos Cunha sentiu na pele os efeitos do nervosismo. O publicitário trabalhava com análise de dados numa agência e começou a ter vários problemas de saúde. “Surgiram manchas roxas no meu corpo, passei a ter muita dor de cabeça e alergias. Procurei um médico, e a conclusão é de que não havia um motivo para aquilo a não ser o estresse”, recorda-se.

A pressão não prejudicou apenas a saúde de Marcos — que tomou remédios para ansiedade e passou a fazer exercícios físicos —, mas também o desempenho laboral. “Eu não conseguia me concentrar e dar o máximo de mim.” Ele acredita que o problema foi fruto de uma carga de trabalho muito alta e da pressão interna. “Eu me cobro demais, além disso, tinha que trabalhar muitas horas.” Hoje, em outra empresa, conta com um ambiente de trabalho mais saudável e mudou a própria postura.

Na medida certa
“Alguma pressão tem que existir. Até certo ponto, o estresse é positivo. É preciso saber motivar as pessoas a darem o melhor de si à empresa — até para que ela possa, pelo menos, sobreviver à crise”, pondera Gábor Deák, membro do Conselho Executivo da SAE Brasil, instituição internacional voltada para o progresso da mobilidade. “Num cenário nacional cheio de incertezas, é natural que as pessoas se sintam mais estressadas”, completa ele, que defende um clima de colaboração para atravessar essa época difícil.

“O país está passando por uma fase difícil, e há metas a cumprir. Mas tem gente que não se sente bem com pressão exagerada, o organismo libera uma série de hormônios que desencadeiam desde uma dor de estômago, um quadro depressivo até uma doença cardíaca”, alerta Marcelo Luiz Peixoto Sobral, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular. “A empresa tem que tratar bem o funcionário porque ele é uma das peças para fazer o negócio crescer.”

Com MBA executivo em saúde, o médico defende o equilíbrio para estimular o alto rendimento. “Funcionário é que nem passarinho: se apertar demais, mata, se deixar solto, foge. É preciso ter inteligência ao cobrar e corrigir e é necessário saber enaltecer quando o trabalhador faz algo benfeito.” Ser elogiado ou agradecido tem tudo a ver com a questão:  Segundo estudo realizado em Porto Alegre e em São Paulo pelo International Stress Management Association, 89% das pessoas sofrem de estresse por não serem reconhecidas no trabalho.

Presidente do Conselho Federal de Administração (CFA), Sebastião Mello, argumenta que a necessidade de produzir mais não será motivo de estresse se a empresa for digna de um esforço a mais por parte do quadro funcional. “O funcionário precisa ser valorizado e saber que a empresa faz tudo por ele, a partir de um ambiente sem assédio, com uma chefia que se preocupa com a família dele.”


Números

68%

dos profissionais estariam dispostos a ganhar menos se pudessem trabalhar perto de casa

 

As vantagens de morar perto do trabalho


 

A professora Regina vai a pé para a escola: economia de tempo, qualidade de vida e melhor desempenho (Andre Violatti/Esp. CB/D.A Press)
 

 

A professora Regina vai a pé para a escola: economia de tempo, qualidade de vida e melhor desempenho


De segunda a sexta-feira, a professora de filosofia Regina de Almeida, 50 anos, trilha a pé o caminho entre a escola em que trabalha e a própria residência, ambas localizadas na Asa Norte. O trajeto dura de 15 a 20 minutos e é feito quatro vezes por dia, já que ela aproveita a proximidade para almoçar em casa. A educadora define morar perto do trabalho como “um privilégio” que traz ganhos de tempo e qualidade de vida. “As pessoas perdem tempo no trânsito e aparecem para trabalhar tensas. Aproveito para fazer uma caminhada, chego bem-humorada e produzo melhor. A empresa ganha e a gente também”, diz.

“Nas metrópoles brasileiras, em um ano, o trabalhador perde um mês inteiro em deslocamentos. A solução é morar perto do trabalho”, aposta Jacob Rosenbloom, CEO da Emprego Ligado. A proximidade entre os endereços de moradia e emprego traz uma série de vantagens para os trabalhadores e também para as empresas. “36,7% das pessoas que pedem demissão dentro de seis meses citam a dificuldade de acesso ao local de trabalho como o motivo principal da saída. Essa rotatividade custa caro e impacta negativamente a produtividade, pois será preciso gastar mais contratando alguém e treinando”, acrescenta.

“O profissional que mora longe é associado a maior índice de atrasos. Até a permanência na firma é prejudicada, porque ele chega mais cansado. Os gastos com vale-transporte também são mais altos.” Os números afetam a competitividade brasileira: o país perde, todos os anos, R$ 90 bilhões, o equivalente a 2,5% do Produto Interno Bruto(PIB), somente com a perda de produtividade dos trabalhadores que ficam presos nos engarrafamentos das grandes cidades, segundo levantamento feito pelo Instituto Akatu.

Palavra de especialista


 (Doodle/Divulgação)
 

Felicidade e rendimento

Os funcionários tendem a trabalhar de forma mais eficiente em ambientes livres de estresse. A satisfação na vida pessoal também sempre contribui para a produtividade. No Doodle, procuramos ter certeza de que nossa equipe tenha um bom nível de equilíbrio trabalho-vida. Muitas vezes, as duas coisas se relacionam — uma vez por semana, por exemplo, reunimos a equipe para almoçar em conjunto e conversar sobre assuntos particulares. A produtividade de um empregado depende dele mesmo e da direção da empresa. A firma deve dar a direção estratégica para ajudar a guiar o caminho. Mas um funcionário precisa achar maneiras de ser produtivo por si próprio.

Michael Brecht, especialista em produtividade e CEO do Doodle — plataforma de agendamento on-line utilizada por mais de 25 milhões de pessoas

 

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