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Correio Braziliense

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Os caminhos do voluntariado

Saiba como aproveitar as habilidades profissionais para ajudar o próximo e, de quebra, valorizar o currículo. No DF, instituições procuram pessoas dispostas a contribuir

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postado em 30/08/2015 11:55 / atualizado em 30/08/2015 12:23


André Violatti

 

Profissionais do bem

 

Uma forma de celebrar o Dia Nacional do Voluntário, comemorado na última sexta-feira (28), é usar sua profissão para contribuir com a sociedade. A hora extra vale a pena: ao ajudar quem precisa, o voluntário também desenvolve habilidades importantes para a vida profissional e pessoal. “Há quem diga que quem se voluntaria não recebe nada em troca. Isso é uma das maiores mentiras, porque a pessoa vai ter a chance de adquirir hábitos imprescindíveis para o futuro, como trabalhar em equipe.

 Ele está conquistando o próprio desenvolvimento”, diz Alexandre Domanico, professor de administração do Centro Universitário Estácio, que abriga o Centro de Formação de Voluntários do DF para as Olimpíadas de 2016. “O voluntário é uma pessoa que está em busca de novos desafios. Ele procura desenvolver a habilidade de compreender melhor o que as pessoas querem e não só aquilo que elas querem enxergar”, define o especialista.

Domanico recomenda o trabalho voluntário como uma boa forma de ganhar experiência para quem está entrando no mercado de trabalho. Sócia da consultoria de recursos humanos Insight, Acsa Vasconcellos afirma que o trabalho voluntário tem um peso importante no currículo. “O voluntariado mostra a personalidade do profissional e seus valores, como sensibilidade, empatia, gostar de ajudar, capacidade de ver o outro.”

Segundo ela, se o trabalho voluntário for na mesma área de atuação, ele pode servir para mostrar experiência profissional. Mesmo se o voluntariado não for na mesma área, pode ser valioso no currículo. “Às vezes, o que a empresa procura não é uma pessoa com experiência na área e sim alguém que tenha sensibilidade. Então, alguém com esse perfil pode ser bem-vindo.” Como saber se você está pronto para se voluntariar? “A partir do momento em que tem interesse, você já está preparado”, afirma Domanico.


Palavra de especialista

Para saber se você tem tempo de fazer um trabalho voluntário, tenha em mente os três domínios da gestão do tempo. O tempo obrigatório é aquilo que não pode ser adiado, como o prazo para entregar o imposto de renda. O tempo acessório são coisas que precisam ser feitas, mas não para hoje. O tempo adjetivo é algo que não tem prazo para ser feito. Entenda quanto tempo você gasta em cada atividade. Leve em consideração que você também precisa namorar, ir ao cinema. Você vai dar conta? Quando você assume um compromisso acessório, como o voluntariado, e não consegue bancá-lo, se torna irresponsável.

O primeiro erro é não prever tempo para imprevistos. O segundo é lotar a agenda de compromissos. Quem quer fazer 10 coisas ao mesmo tempo não faz nada direito.

Homero Reis, consultor e especialista em gestão de tempo.

 

Boas experiências


 

 (André Violatti/Esp.CB/D.A Press)
 

Recompensa em sorrisos

Por causa das gengivas altas e da mordida torta, a recepcionista Letícia Fernandes, 19 anos, tinha vergonha de sorrir. Um tratamento não cabia no bolso e nem mesmo os dentistas aceitavam tratá-la. “Passei por quatro, cinco e ninguém queria pegar o meu caso. Diziam  que era muito complicado”, relata. A situação mudou quando encontrou os dentistas e irmãos Eric, 38, e Eduardo Franco, 35, há dois anos. Graças ao programa Dentista do Bem, da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) Turma do Bem, Letícia foi atendida gratuitamente até os 18 anos.

 “Agora, a forma como as pessoas me olham mudou, e a minha autoconfiança também”, comemora.O voluntário da Turma do Bem adota um paciente entre 11 e 17 anos, para o qual presta atendimento gratuito até o jovem atingir a maioridade. “Muitos veem no dentista uma chance de conseguir um primeiro emprego ou uma namorada”, relata Eric Franco, que conheceu a iniciativa em 2009, por meio de amigos. Eduardo entrou no projeto por incentivo do irmão. “O objetivo é educar o paciente, é diferente de ir lá uma vez na vida tratar a pessoa. Tem uma continuidade bacana”, afirma.

Eric também é o coordenador do programa no DF: visita escolas públicas, faz a triagem das crianças e capta voluntários. “A dificuldade é que muitos não veem a importância de se voluntariar. Temos 516 jovens na lista de espera e 130 profissionais cadastrados no projeto”, afirma. Segundo o Conselho Regional de Odontologia do Distrito Federal (CRO/DF), em julho de 2014, havia 6.428 cirurgiões-dentistas na capital.

Quer participar?
Preencha o formulário no site www.turmadobem.org.br e envie para o e-mail dentistadobem@tdb.org.br; Informações: (11) 5084-7276

 (André Violatti/Esp. CB/D.A Press)
 


De engenheiros a professores

Em 2014, Daniel Ramos, 24 anos, formado em engenharia elétrica e concurseiro, descobriu o movimento Engenheiros sem Fronteiras (ESF) pela internet e resolveu criar um núcleo em Brasília. O ESF foi criado na França, nos anos 1980, e, hoje, existe em mais de 60 países. Em Brasília, o grupo atua dando aulas de exatas para crianças de 6 a 16 anos na ONG Coletivo da Cidade, na Estrutural. “O interessante é que  acabamos desenvolvendo algumas habilidades que não adquirimos na sala de aula: proatividade, trabalho em equipe. É uma oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional”, afirma Daniel.

A estudante de engenharia da produção e voluntária dos Engenheiros sem Fronteiras Walkyne Portela, 19, diz que se engajar numa atividade voluntária não é difícil. “A dica é só começar. Não tenha medo, não fique pensando nos problemas e sim em quantas pessoas você vai atingir com isso, de forma positiva.”

Quer participar?
Entre em contato com os Engenheiros sem Fronteiras pela página no Facebook www.facebook.com/semfronteirasbrasilia. Estudantes de graduação também podem fazer parte do projeto.


Apoio jurídico

Há um ano, o advogado Marcelo Proença Fernandes, 38, é voluntário no Instituto Pro Bono, que presta consultoria jurídica para entidades sem fins lucrativos que não podem contratar um advogado. “Eu sentia que precisava me engajar em uma atividade. Eu poderia trabalhar numa creche, mas contribuo melhor com o que sei fazer bem”, conta.

Para Marcelo, o maior obstáculo está na falta de regulamentação da advocacia pro bono no Brasil. A atividade foi regulamentada pela primeira vez em 2002, quando foi permitida apenas para instituições sem fins lucrativos. Em 2013, a medida foi suspensa e, neste ano, foi aprovada uma nova regulamentação para o Código de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil, que permite o serviço também para pessoas físicas. “É um trabalho bacana, mas faço menos do que gostaria por causa dessas dificuldades”, afirma.

Quer participar?

Envie um e-mail para faleconosco@institutoprobono.org.br. Estudantes de graduação também podem participar.

 (Minervino Junior/CB/D.A Press)
 

Anjos da guarda de crianças e adolescentes

Durante a adolescência, a psicóloga Adriana Rolim, 37, ajudava a mãe com trabalho voluntário na Casa de Ismael, que acolhe crianças órfãs e abandonadas. “Para mim, caridade sempre foi algo natural. Então, me dei conta que poderia doar serviço. É mais interessante do que a doação material, que atende a necessidades básicas do ser humano. Com o trabalho, você supre necessidades mais difíceis de atender. No meu caso, lido com crianças que passaram por abandono, traumas e abusos”, afirma. Desde 2013, Adriana cede três horas semanais da sua agenda para receber crianças e adolescentes em situação de risco pelo programa Rede Solidária Anjos do Amanhã, criado em 2009 pela Vara da Infância e da Juventude do DF. “A melhor parte é quando você vê que a pessoa melhorou. Os casos que eu peguei me deram esse sentimento de gratificação. Vale cada minuto que você investiu na pessoa”, conta.

Quer participar?
Vários profissionais podem ajudar a Rede Solidária Anjos do Amanhã: médicos, psicólogos, neurologistas, odontologistas, fisioterapeutas, nutricionistas, professores de esportes e ensinos fundamental e médio, publicitários, marceneiros, serralheiros, pintores, bombeiros hidráulicos e eletricistas. Para se inscrever, acesse www.anjosdoamanha.tjdft.jus.br ou entre em contato pelo e-mail anjosdoamanha@tjdft.jus.br
Informações: (61) 3103-3286/3285.

 

 

Na trilha do bem

Conheça outras opções no DF para ser voluntário usando a profissão
Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadoras de Câncer e Hemopatias (Abrace)

A instituição filantrópica, que presta assistência a crianças e adolescentes com câncer e hemopatias, precisa de voluntários das seguintes profissões: dentista, pedagogo, arquiteto, nutricionista, instrutor de educação física, psicólogo, programador, estatístico, advogado de causas cíveis e professor de informática.Contato: 3209-8800, 3381-7265 ou pelo e-mail voluntariado@ abrace.com.br.

Associação Amigos do Cão-Guia (AACG)
A instituição arrecada fundos para o Projeto Cão-Guia de Cegos, que treina cães para guiarem pessoas com deficiência visual. A AACG precisa de voluntários na área de design gráfico e de contabilidade. Contato: 9309-0100 ou caoguiadf@gmail.com.

Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais do Distrito Federal (Apae-DF)
A ONG atende pessoas acima de 14 anos que tenham deficiência intelectual ou múltipla, prestando serviços de educação profissional, inserção e acompanhamento no trabalho e atendimento sócio-ocupacional. A Apae procura um instrutor de ioga e terapeutas ocupacionais. Contato: 2101-0460 ou apaedf@apaedf.org.br.

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