SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

PRODUTIVIDADE »

O último gargalo da produção

Mais anos de estudo representam maior ganho de salário e de produtividade. Busca por capacitação deve estar entre os objetivos dos profissionais e das empresas que, juntos, podem mudar o paradigma da qualificação da mão de obra brasileira e alavancar o crescimento do país

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 30/08/2015 12:25 / atualizado em 30/08/2015 12:31

Ana Paula Lisboa

Ed Alves

 Depois de abordar a importância da retenção de talentos, da inovação, de uma boa liderança e da administração do tempo para alcançar a eficiência e de detalhar os entraves que atrapalham o crescimento de empresas brasileiras — e, consequentemente, atrasam a competitividade do país —, na sexta e última reportagem, o Especial Produtividade aborda o tema educação  — um dos mais importantes, se não for o mais significativo de todos — na busca pelo desenvolvimento de qualquer nação.

Renato da Fonseca, gerente executivo de Competitividade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), observa que o baixo nível educacional da mão de obra brasileira atrasa o crescimento do país. “Para crescer, são necessários cada vez mais trabalhadores, mas não adianta se eles chegam desqualificados. Quando o problema é do estado e o governo não resolve, as empresas precisam tentar solucionar, capacitando trabalhadores. Muitas pagam cursos em escolas técnicas e levam treinamentos para o local de trabalho. Mas são medidas paliativas”, avalia.

Apesar de não resolver o problema matriz, o investimento na educação prova impactar nos lucros das corporações. O estudo global Workforce 2020, feito pela SAP e pela Oxford Economics, analisou companhias de alto e baixo rendimento, entrevistou 2,7 mil executivos e constatou uma relação direta entre investimentos na força de trabalho e melhores resultados econômicos: mais da metade das instituições de alto desempenho oferecem treinamento para os colaboradores. Na pesquisa Managing Director, da Randstad Professionals — multinacional holandesa especializada na seleção de profissionais de média e alta gerência —, programas de formação também foram apontados por 88% das empresas como a melhor alternativa para resolver gargalos da produtividade.

Investimento
Atenta aos resultados que um quadro funcional qualificado proporciona, a direção do Laboratório Sabin montou uma universidade corporativa para treinar os empregados, a UniSabin. Há 5 anos no laboratório, Graziele da Silva Lima, 34 anos, atribuiu ao seu interesse pelos treinamentos uma promoção. “Participei de mais de 20 cursos sobre temas como excelência no atendimento, profissionais de alto desempenho, etiqueta corporativa e sistema integrado de gestão  e acabo de ser promovida a analista”, comemora a graduada em recursos humanos.   “No mundo inteiro, quanto maior a qualificação, maior o ganho salarial e maior o nível de produtividade para as empresas”, afirma Luiz Teixeira, diretor do Ibmec-DF. Sabendo disso, Eric Abreu, 25, emendou a graduação em administração num MBA em gestão de projetos. “Quanto mais a pessoa estuda, mais amplia horizontes. Não quero parar de estudar nunca e pretendo fazer mestrado e doutorado”, diz o consultor de RH da Capgemini.

Renato da Fonseca, diretor executivo de Competitividade da CNI, critica o sistema educacional do país, que não direciona os estudantes para o mundo do trabalho. “O ensino básico é deficiente, e as pessoas não aprendem nenhuma profissão no processo. O problema é que apenas 18% dos estudantes chegam à universidade — os outros 82% precisarão trabalhar. Mas trabalhar em que, se não aprenderam nada? Com um pouco de português e um pouco de matemática, não se forma um profissional”, assegura.

 

Pós-graduação para suprir lacunas

 

Carlos Moura

“No Brasil, tem muita gente fazendo pós-graduação. Mas isso não é uma maravilha. As pessoas procuram especializações porque não aprenderam o básico nem no ensino médio nem no ensino superior. É uma forma de tentar compensar”, examina o diretor executivo de Competitividade da CNI, Renato da Fonseca. Devido à baixa qualificação que empresas e indústrias encontram nos profissionais — mesmo os com nível superior —, ser pós-graduado tem se tornado exigência para ocupar diversas vagas de emprego. Quando não é pré-requisito, o grau ajuda a destacar trabalhadores em seleções e oportunidades de crescimento.

É o que explica o professor do Institut of Businesss Education — Fundação Getulio Vargas (IBE-FGV), Júlio César Nogueira de Sá, especialista em gestão de RH e marketing. “O fato de a pessoa querer se renovar representa um ponto a mais com relação a quem parou de estudar. O profissional mais bem qualificado, que está se preparando e antenado, corre menos riscos numa eventual crise ou corte de gastos. Afinal, graduação é a 8ª série de antigamente”, compara.

Henrique Lopes Pereira, 29 anos, sabe da importância de se capacitar. Ele estudou em escola pública, graduou-se em administração em 2011 e ingressou num MBA em Business Process Management no início deste ano. “Nas aulas, sempre vejo inovações do mercado e técnicas para aplicar. O fato de eu estar fazendo a pós é visto com bons olhos na empresa”, revela o consultor de processos da TOTVS. “Com o MBA, sano um pouco das lacunas da graduação e do ensino médio. A escola não deveria ser só para aprender português e matemática, mas coisas que vão agregar valor para a vida”, diz.

“A educação brasileira não mostra o por- quê das coisas, então, os estudantes não vêem a utilidade de aprender, por exemplo, equação de segundo grau ou porcentagem. O profissional mediano não sabe tomar decisões nem aplicar o que aprende”, descreve o diretor do Ibmec-DF, Luiz Teixeira. Apesar da nova função atribuída ao quarto grau, ele acredita que nenhuma pós-graduação consegue complementar a lacuna da educação. “O objetivo é aprimorar determinada habilidade. Não dá para sanar a deficiência de 12 anos de ensino em 400 horas de aula”, explica.

Palavra de especialista

 

A melhor saída

 

A qualificação faz diferença para alcançar maior produtividade. No cenário ideal, a empresa só teria que focar na capacitação relacionada à especialidade dela. Mas essa não é a realidade — há deficiências deixadas pelo ensino básico. A companhia que deseja resultados tem que investir em capacitação, e o profissional que quer melhores empregos também deve apostar nisso. Com ou sem crise, a saída é a educação.

Rogério Gabriel, fundador e presidente do grupo Prepara, presente em mais de 400 cidades do país
 

publicidade

publicidade