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Perfis de sucesso // Sandra Rocha Magalhães

A volta por cima da doceira

Após ter receita copiada e perder clientes, empresária do Gama retoma produção de deliciosos pães de mel e aposta em novos produtos: uma linha de doces para comer com colher

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postado em 21/09/2015 11:12

Paula Braga /Especial para o Correio

Marcelo Ferreira

Desistir é uma palavra que não faz parte do vocabulário da empresária brasiliense Sandra Rocha Magalhães, 40 anos. Ela é a dona da marca Chocomel, que começou a ficar conhecida por vender pães de mel na região administrativa do Gama, em 2005. Na época, a produção era realizada em um cômodo nos fundos da casa da mãe dela, mas, poucos anos após o início, o negócio cresceu e apresentou resultados tão animadores que a empresária decidiu investir em uma fábrica própria, bem maior.


O ponto de partida para conquistar clientes e tornar a marca conhecida na região foi ideia do então marido de Sandra. Diante do sucesso inicial dos doces, que eram vendidos para colegas, ele sugeriu colocar os produtos em cestas próximas ao caixa de supermercados. “As pessoas iam pagar as compras, viam o pão de mel ali e levavam também. Depois disso, a marca foi ficando conhecida, e comecei a receber pedidos de encomendas. Foi aí que a empresa começou a crescer e precisei procurar um local próprio”, conta a empresária.


Para investir no sonho de ser dona do próprio negócio, Sandra largou o emprego como teleatendente em um órgão público e começou a montar a equipe da nova produção. “Peguei todos os eletrodomésticos que tinha em casa e coloquei na fábrica.”, lembra. O time aumentou de duas pessoas para 10 funcionários, entre auxiliares de produção e vendedores. No auge do negócio, ela chegou a produzir 1,5 mil unidades de pão de mel por dia.

Perdendo clientes

Em 2014, quando a fábrica estava bem estruturada, Sandra presenciou um declínio nas vendas por conta de um acontecimento que ela classifica como espionagem empresarial. “Vimos um homem vendendo tapioca na rua e achamos que ele tinha jeito para o trabalho. Fizemos o convite para que ele começasse a trabalhar conosco nas vendas.”
Segundo ela, pouco tempo depois do ingresso na empresa, o funcionário passou a produzir o mesmo produto com a receita que ela havia desenvolvido para a Chocomel. “Além disso, começou a espalhar para a freguesia que  minha empresa havia falido. Fomos perdendo clientes, ficamos no vermelho e precisei demitir os funcionários”, conta. Apesar disso, ela decidiu não entrar na Justiça contra o vendedor.

O recomeço

Determinada a reconquistar clientes e colocar a Chocomel novamente em destaque no mercado, Sandra apostou nos estudos. Atualmente, ela é aluna do quarto semestre do curso de graduação em administração e também participa de cursos e orientações do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). “Quando fui me apresentar para a turma, o professor perguntou por que eu estava naquele curso e eu contei que era porque havia sido roubada”, lembra a empresária. “Identifiquei processos que eu poderia ter realizado para evitar o que aconteceu. Foi triste, mas aprendi uma lição.”


A produção voltou a ser feita na casa da empresária, no Gama, com um investimento inicial de R$ 200. Além do pão de mel — que continua sendo o carro-chefe da Chocomel —, Sandra está investindo em uma nova ideia: uma linha de doces para comer com colher. “Produzimos o bolo de colher e, na última semana, deixei nas padarias o pudim de colher, que vendeu 100 unidades nos primeiros dias”, revela.


A maneira de vender os produtos mudou. Além das parcerias com padarias e supermercados da região, durante a noite, ela vende os produtos em bares e restaurantes. Atualmente, Sandra conta com a ajuda de quatro ajudantes, todos de confiança: a cunhada Priscila Helen Dias, 30, é sócia, motorista e auxilia no relacionamento com clientes; o sobrinho Pedro Henrique Dias, 15, e o amigo Arthur Drummond, 15, são os responsáveis pela venda; e a filha Gabriela Morena Rocha, 12, auxilia na produção dos doces. A produção semanal da empresa é de 400 pães de mel e 400 bolos.


“Por enquanto, estamos somente no Gama, mas quero expandir para as regiões do entorno. Acredito bastante no meu potencial, e recomeçar não é nenhuma vergonha. Agora estou mais preparada. O empreendedor é um inconformado por natureza, e isso está na minha alma”, completa Sandra.

 

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