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Profissão poliglota

Tradutores e intérpretes se deparam com muitas oportunidades no Distrito Federal, mas sofrem com a instabilidade financeira ao trabalharem como freelancers

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postado em 21/09/2015 11:14

Carlos Vieira

A fluência em idiomas provou ser um diferencial para conhecer novas culturas, mas o que muitos desconhecem é que as habilidades dos poliglotas podem funcionar como garantia de emprego em tempos de crise. Diferentemente de muitas profissões cuja empregabilidade depende do momento econômico, a tradução é um recurso indispensável, e Brasília, como centro político do país, revela ser um bom celeiro para esses profissionais. “A cidade tem grande fluxo de eventos, muitos deles promovidos pelo governo, afinal, aqui são firmados boa parte dos acordos econômicos entre o Brasil e outros países”, afirma Amro Saad, diretor da Oriente-se, empresa que presta serviços de tradução técnica, comercial e juramentada e atua na produção e organização de eventos no DF. Segundo Saad, aqueles fluentes nos idiomas usuais — como inglês, espanhol e francês — têm oportunidades de trabalho mais frequentes, mas os tradutores de línguas raras — como mandarim, coreano, árabe e russo — são extremamente valorizados no meio  e ganham maior poder de barganha na hora de negociar serviços.

Fonte de renda

Aos 20 anos, a brasiliense Fernanda Gu cursa ciências sociais na Universidade de Brasília (UnB) e é professora de mandarim na mesma instituição, no curso da UnB Idiomas. A família da jovem é natural de Xangai (China) e os pais se mudaram para o Brasil em 1994. Ela fez o primeiro trabalho como tradutora aos 18 anos, valendo-se da herança cultural da família. Desde então, aprofundou conhecimentos por meio de um curso em Xangai e, hoje, alterna-se entre os papéis de aluna, professora e tradutora. “Para aqueles que não ambicionam trabalhar como intérpretes em tempo integral, ter conhecimento de outras línguas é uma forma interessante de complementar a renda”, opina.


Raquel Parrine, 29 anos, trabalha como tradutora de espanhol e inglês desde a formação em letras na Universidade de São Paulo (USP), em 2008. “No começo foi difícil encontrar serviço, mas, depois dos dois primeiros anos, eu me tornei conhecida, e o fluxo de trabalho veio naturalmente”, lembra a jovem, cuja renda ultrapassava R$ 3.000 em um mês atribulado ao atuar como intérprete e tradutora. Hoje, Raquel divide o tempo entre o doutorado em literatura e a tradução de livros infantis do espanhol para o português, área com a qual que tem maior afinidade. Antes de estrear no nicho literário, porém, trabalhou com tradução de legenda para documentários, filmes, como o clássico Abraços partidos, de Pedro Almodóvar, e séries de TV, como Law and Order. Raquel também intermediou a compra de pinos cirúrgicos por um hospital e traduziu guias de viagem.

O argelino Samir Hattabi mudou-se para o Brasil em 2004 sem noções da língua portuguesa. Decidido a dominar o idioma, estudou exaustivamente e, em 2008 realizou o primeiro trabalho como intérprete em um evento da Interpol (Organização Internacional de Política Criminal), na Costa do Sauípe. Desde então, ele se tornou conhecido por realizar traduções entre países árabes e francófonos. Hattabi trabalhou em encontros entre o vice-presidente do Egito e governantes brasileiros, acompanhou a seleção da Argélia na última Copa do Mundo, e é o tradutor oficial do vice-presidente da República, Michel Temer. Na experiência de Hattabi, é possível trabalhar exclusivamente com tradução e levar uma vida confortável: “O segredo é diversificar o trabalho para assegurar a renda”.

Instabilidade

A profissão não é regulamentada e, por fazer parte da classe dos freelancers, termo da língua inglesa que determina o profissional autônomo, a vida financeira é marcada por desníveis no contracheque. “No início, os hiatos sem trabalho podem ser traumatizantes, mas é uma dinâmica com a qual você se acostuma”, diz Antônio Ribeiro, 39, membro juramentado do Sindicato Nacional dos Tradutores (Sintra) que trabalha no ramo há 15 anos. Como vantagens da carreira, o tradutor enfatiza a mobilidade. “É possível fazer tradução dentro da própria casa, durante as férias, não precisa bater ponto ou responder a um superior. Você trabalha para o mundo inteiro da sua sala de estar”, resume.

Oportunidades
na área

Oriente-se
Presta diversos serviços de tradução. Envie o portfólio pelo site: www.orientse. com/pt-br/portfolio.

Globo tradução
Empresa brasiliense captadora de tradutores. Envie currículo para adm@globotraducao.com.br. Telefone: 3327-7192.

ETC Filmes
Empresa especializada em tradução, legendagem e distribuição audiovisual. Envie currículo pelo site contato@etcfilmes.com.br. Telefone: (11) 3803-9166.

MGM
Empresa nacional de tradução. Envie currículo pelo site www.mgm-ts.com.br/trabalhe-conosco. Telefone: 3042-5773.


Valores

O Sindicato Nacional dos Tradutores (Sintra) mantém uma tabela com valores de referência para precificar serviços. Em Brasília, a hora cobrada para realizar tradução simultânea é de R$ 1.877. O mesmo valor é pedido por duas horas de tradução consecutiva. Sobre o serviço de acompanhamento externo — acompanhando o cliente em atividades variadas —, são cobrados R$ 1.500 por seis horas.

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