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CONEXÃO INTERNACIONAL »

Inglês cara a cara

Programa do Sesi coloca estudantes em contato com professores nativos dos Estados Unidos, por meio de plataformas de internet e de intercâmbio presencial. Projeto pode servir de modelo para outras escolas

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postado em 04/10/2015 13:21 / atualizado em 04/10/2015 13:25

Ed Alves

Para contornar as dificuldades de aprender outra língua, atividades como assistir a filmes sem legendas e escutar novas músicas são comumente utilizadas nas aulas tradicionais. Entretanto, em um mundo com distâncias cada vez menores, a oportunidade de interagir com nativos de outras línguas tem se tornado uma oportunidade viável para diversos estudantes.
É graças à tecnologia que alunos do ensino médio do Serviço Social da Indústria (Sesi) estão vivendo a experiência de um intercâmbio cultural diferente. Dividido em três etapas, o programa Conexão Mundo possibilita o aprendizado em contato direto com americanos. “A interação com novos amigos, a mistura de culturas e as brincadeiras que fazem parte do intercâmbio tornam o aprendizado mais divertido”, explica Anna Victória Ronska, 15 anos, aluna do 2º ano. “O programa é bom porque é totalmente dinâmico e cultural”, afirma.
As fases do programa

Os interessados devem realizar uma prova de proficiência em inglês, e os aprovados são divididos em turmas. Plataformas on-line como Facebook, hangouts do Google e Top Notch (programa para exercitar a gramática) são usadas durante dois meses na primeira etapa do projeto. Em seguida, professores americanos viajam para o Brasil para encontrar os estudantes brasileiros. Realizada em período em férias no Brasil, a segunda etapa promove o contato presencial de couches com os alunos. “Foi muito bom conhecer meus alunos pessoalmente. Não são só eles que aprendem, nós também”, compartilha Chelsea Raubenheimer, 24, professora voluntária de inglês nos EUA e couch do programa Conexão Mundo.
No Distrito Federal, 104 alunos deixaram o descanso de lado durante o mês de julho, para viver essa experiência. Este é o segundo ano em que o programa é realizado em Brasília. “Os estudantes estão mais empolgados desta vez, porque viram outros colegas participando. Muitos que não quiseram na primeira vez demonstraram interesse, e alguns que não tinham sido selecionados no ano passado tentaram de novo e estão participando agora”, explica Atos Henrique Reis, coordenador do Sesi-DF.


Ao término das férias, os americanos voltam para casa, e a terceira etapa começa. Semelhante à primeira, mas com maior intimidade com os professores, os alunos voltam às plataformas digitais por um bimestre. Durante os cinco meses que integram o programa, os participantes são avaliados por participação e provas, e quem se destacam viaja durante duas semanas para os Estados Unidos em uma experiência de imersão em inglês.

O início
O programa é uma iniciativa do Sesi em parceria com a ONG americana US-Brazil Connect. A ideia nasceu de uma conversa entre Sérgio Moreira, diretor adjunto de Educação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), e Mary Gershwin, presidente da US-Brazil Connect. “O mais importante do programa é a conexão pessoal. Aprendi português com 17 anos, e conhecer o Brasil mudou a minha vida”, compartilha Mary.


O então ministro da Educação Renato Janine Ribeiro visitou o Sesi para conhecer o programa e aprova a iniciativa, pois mostra o caráter vivo da língua. “Ele proporciona o conhecimento de uma forma alegre e rica. Os participantes criam vínculos com pessoas de outros países, e isso é muito positivo”, afirma. Mais de 2 mil alunos em todo o Brasil estão participando do Conexão Mundo este ano em contato com 200 professores americanos. O coordenador do Sesi-DF, Atos Henrique Reis, explica que ainda não há previsão de quantos alunos participarão do projeto em 2016, mas a tendência é de que o número aumente.

 

Defasagem e desânimo em escolas públicas 

 

 

Ed Alves

Pesquisa do British Council que entrevistou 1.269 professores revelou que o ensino de inglês é prejudicado na rede pública de ensino pela defasagem tecnológica, pela sobrecarga didática e pela falta de interesse dos alunos no idioma. O reflexo dessa série de entraves são aulas com conteúdos rudimentares, já que 42% dos entrevistados entendem que livros são muito avançados para o nível dos estudantes e precisam utilizar outros recursos didáticos, como músicas em inglês. No entanto, apenas 15% das escolas têm aparelhos eletrônicos para as atividades. Para tentar reverter a situação, 61% dos docentes levam aparelhos e outros recursos tecnológicos próprios para as aulas. A pesquisa também revelou que mais da metade dos alunos (55%) não têm oportunidade de colocar a língua inglesa em prática, o que dificulta o processo de aprendizagem.


Para Nina Coutinho, diretora de Inglês do British Council, os resultados refletem a realidade das escolas públicas no país, especialmente pela falta de obrigatoriedade para lecionar o idioma. “A pesquisa sobre a educação básica que concluímos agora reforça conclusões a respeito da insuficiência do treinamento no idioma oferecido aos brasileiros que contam com a escola pública para aprender a língua”, revela Nina. A diretora também aponta a necessidade de investimento nos educadores. “Os professores de inglês são impactados pela falta de oportunidade de praticar o idioma que ensinam e eles reconhecem ter dificuldades com a língua inglesa. Um investimento no preparo desses profissionais, proporcionando a eles a oportunidade de praticar a língua e conhecimento de aspectos pedagógicos, os motivaria mais.”

 

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