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PERFIS DE SUCESSOa

Como lucrar com uma ideia genial?

Os donos da ferramenta que permite acessar informações sobre o mercado imobiliário tiveram que se reinventar. Depois de reformulação, a tecnologia foi incorporada por uma grande empresa

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postado em 12/10/2015 18:21

Ana Paula Lisboa

Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press
Dois amigos de infância criativos e inquietos, os cientistas da computação Marcos Roberto e André Teixeira 31 anos. Junte a isso criatividade, espírito empreendedor e interesse pelo setor imobiliário da capital federal. Foi essa a fórmula para a criação do Urbanizo, plataforma que serve como um guia na hora de comprar um imóvel. A startup descobre o valor do metro quatro quadrado em diferentes regiões e mune compradores de informações para negociar com corretores.

“Numa época em que o cenário imobiliário de Brasília estava bombando, juntei um grupo de 10 amigos interessados em adquirir até três imóveis para deixar valorizar e revender. Não tínhamos dados sobre o mercado, então era difícil decidir o que comprar”, lembra Marcos. O problema ficou latejando na cabeça dos jovens até que, em 2012, eles colocaram o projeto no ar. Antes disso, trabalharam um ano na ideia.

A parceria da dupla é antiga e, desde cedo, envolvia empreendedorismo. Os dois estudaram juntos no Centro Educacional Sigma e abriram uma empresa, ainda no ensino médio. “Era um negócio para tirar fotos de festas. Brincávamos que fazíamos isso apenas para entrar de graça”, revela Marcos.

As propostas

Com potencial para revolucionar o mercado imobiliário, os criadores do Urbanizo receberam uma proposta de investimento de Romero Rodrigues, fundador do Buscapé, uma das maiores empresas de internet do Brasil, vendida para a gigante sul-africana Naspers por R$ 600 milhões. O convite possibilitaria não apenas pesquisa, melhorias e atualizações na plataforma, mas também que os sócios deixassem os empregos que tinham para se dedicarem exclusivamente à invenção.

O que era para ser o pontapé para a empresa crescer se tornou um tiro pela culatra quando o apoiador decidiu deixar o projeto porque ainda não estava dando retorno, e André e Marcos tiveram que demitir os cinco funcionários que tinham. Para manter o negócio em pé, durante um ano, os dois viveram de reservas e trabalhos paralelos, se dedicaram até acharem a fórmula para a ideia gerar receita.

Depois disso, receberam uma proposta para vender a tecnologia para uma grande empresa, a argentina Navent, detentora dos maiores portais de classificados imobiliários na América Latina — no Brasil, por exemplo, o grupo é dono no ImovelWeb e do WImoveis. Há mais de um ano, André e Marcos comandam, da capital federal, a Diretoria de Novos Produtos da companhia e estão aplicando à plataforma dela a tecnologia do Urbanizo, que está rodando no México e na Argentina. “Ficar em Brasília foi exigência nossa. Não queríamos nos mudar para Buenos Aires, onde fica a sede da empresa, nem para São Paulo, onde ela tem escritório”, explica Marcos.

“Trabalhamos em home office. Temos reunião uma vez por semana, e viagens são ocasionais. A gente continua tocando o projeto, agora, dentro de um grupo superestruturado, que fornece um alicerce para executar o plano original com muito mais base”, revela André, que não poderia estar mais satisfeito. “O fato de um grupo grande querer incorporar nossa ideia foi um final feliz, uma comprovação de que era uma boa ideia e de que valeu a pena não desistir.”

Apesar de não serem mais donos do Urbanizo, isso não quer dizer que eles não continuem pensando em abrir outro negócio, como conta André. “Estou construindo um drone. É lazer, mas talvez um dia vire produto.” Marcos também mantém projetos paralelos. “Estou começando a montar veículos elétricos e estou mexendo com impressão 3D. Tenho feito próteses de baixo custo para crianças amputadas. Um material que custaria R$ 2 mil sai por R$ 10.” Parados, eles não ficam, e resta esperar pela próxima criação desses promissores jovens brasilienses.

Aprendizado
O que não deu certo serviu para ensinar. “A lição está relacionada a expectativas. Quando recebemos o investimento do fundador do Buscapé, ficamos deslumbrados e tiramos o foco do que realmente importava”, diz André. “O investimento veio num momento em que ainda estávamos engatinhando. A gente podia ter esperado mais, ver se ia lucrar com o produto. Não percebemos que o que precisávamos, na época, não era de dinheiro, mas saber nos encaixar no mercado”, pondera Marcos.

“Quem vai empreender ouve muitos conselhos, e muitos deles são bobagem. Quem mais sabe do negócio é o dono. Então, extraia o melhor de dentro de você - no nosso caso era inovação e tecnologia. É possível conciliar geração de receita com o que você gosta. Também tenha autoconhecimento para saber até onde você consegue ir”, finaliza.

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